Cabra cega

Quando alguém vai ao banco pedir dinheiro emprestado, tem de ser elucidado acerca das condições, taxas, spreads, prazos, das obrigações, das garantias e suas extensões, etc. antes de decidir.
Quando um país é empurrado para se ir financiar num fundo internacional ou de uma Europa dita solidária e unida, que até lhe chamam União Europeia, ninguém diz quais são as condições.
Fala-se que Portugal vai ter de recorrer à ajuda externa. Criou-se, até, um sentimento de inevitabilidade. Mas ninguém diz o que vamos ter de fazer. Há palpites, há teorias, possibilidades, perspectivas e mais um conjunto de coisas que ficam bem ser ditas mas que espremidas não dão nada.
Nenhuma instituição diz o que vamos ter de fazer para pagar, qual vai ser o resgate.
Esta profunda contradição entre um cidadão ou uma empresa e um Estado é exemplificativo daquilo em que os países se tornaram face aos tais histéricos mercados que passam a vida a precisar de tranquilizantes que nos saem do corpo: uns meros capachos.
Ninguém é capaz de dizer qual vai ser o preço, quais as medidas que, em concreto e não como meras intenções, vão ter de ser tomadas: qual o corte nos salários? Qual o cortes das pensões? Qual o número de despedimentos? Qual o aumento de impostos? Etc.
Ninguém diz nada de concreto. Apenas que se tiver de ser, vamos ter de o fazer. Mas fazer o quê? Quais são as imposições do Fundo Monetário Internacional ou do Fundo Europeu de Estabilização Financeira?
De uma vez por todas, digam logo o que querem. Até porque desconfio que o malfadado PEC IV, afinal, iria ser um alívio face ao que nos andam a ocultar.

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