Estou Preocupado, Ando a Ficar com uns Tiques Esquisitos, Quase de Ditador!

ACABEMOS COM OS IDIOTAS DO NOSSO PAÍS.

 

Isto, para os meus lados, anda a ficar esquisito.
Nunca gostei muito de partilhar decisões, mas sempre partilhei o poder que tive. Em toda a minha vida deleguei poderes responsabilizando as pessoas pelas suas decisões. Sempre entendi que entre todos se pode chegar a decisões que sejam boas para toda a gente, e que não há nem pode haver os que ganham com a perda dos outros.
Vem isto a propósito das greves que têm grassado por todo o País, em especial as que, debaixo da capa da defesa intransigente dos seus (deles) direitos, para além de visarem o prejuízo das entidades patronais e do País, se reflectem com toda a força no vulgar cidadão, tanto no momento imediato como nos momentos futuros, que em nada deveria ser chamado à liça.
Não posso pôr em causa as razões que assistem aos trabalhadores da Carris, do Metro, da CP, dos STCP, da TAP e de outros, de lutarem pelos seus direitos, mesmo que, como é o caso, queiram ser mais e melhores que o resto da população, uma vez que, desta vez e nos casos dos dias de hoje, estarão em causa os vencimentos que o governo deste nosso País, mandou reduzir a todos os que são funcionários públicos.
O direito que lhes assiste para essa luta, está consagrada na Lei.
Mas mesmo sem colocar em causa esses direitos, há uma coisa chamada bom senso que parece que não está muito presente nesta altura pelas bandas destas empresas, e se não há esse bom senso, então façamos com que haja.
Ora estes senhores, nas lutas que resolvem encetar contra as respectivas entidades patronais, sejam elas públicas ou privadas, entendem dever, no imediato, prejudicar o vulgar e anónimo cidadão, privando-o do transporte público a que tem direito e que na maior parte das vezes está já pago antecipadamente e cujo valor se encontra já sem possibilidade de ser devolvido.
Quando isto acontece, e na minha maneira de ver ditatorial mas que tenho ouvido repetidamente em vozes mais ou menos alteradas ditas pelos anónimos cidadãos deste nosso País, só de uma maneira podia deixar de acontecer, que é despedindo sumariamente esses tipos que assim prejudicam uma comunidade, começando pelos idiotas dos sindicalistas que os encorajam, e obrigando-os a uns e a outros, cêntimo a cêntimo, a pagar os prejuízos que causaram com as suas lutas, às pessoas e ao País.
Querem fazer as greves a que têm direito, façam-nas, mas acautelando aqueles a quem servem. Façam greve de zelo se tiverem mesmo que fazer greve, mas de preferência arranjem outras formas de luta, conquistem benefícios mas não prejudiquem a empresa que lhes dá de comer e tão pouco os seus utentes e em última análise o País. Paralisando, nuns casos prejudicam a empresa com redução de benefícios de exploração, noutros casos beneficiam as empresas com a redução dos custos de exploração, mas em todos eles prejudicam sempre quem nada tem a ver com isso.
Podemos no entanto ver este problema debaixo de outra luz.
Sabe-se que o País, seja pelo motivo que for, e toda a gente sabe porquê e quem são os responsáveis, está, economicamente, numa situação muito difícil. Só há dinheiros públicos para fazer face às despesas, porque vamos tendo quem no-los empreste, mesmo que esses empréstimos sejam feitos com juros usurários. Sabe-se que a médio prazo, e a continuar assim, vamos deixar de poder pagar esses juros que já ultrapassaram os 9%. Sabe-se que mais dia menos dia, e por este andar, vamos deixar de ter quem nos empreste esse dinheirinho que tanta falta nos faz. Sabemos que a nível internacional pouco mais somos do que lixo. Sabemos isso tudo, todos nós, quase todo o povo da nossa terra, com a excepção dos idiotas desses sindicalistas que insistem em fazer greves por causa da redução dos vencimentos que foi decidida pelo governo, para todos os funcionários públicos.
Essas greves, para além dos prejuízos que causam ao vulgar cidadão, provocam baixas na produção desses mesmos cidadãos, quebra nos lucros das empresas onde esses cidadãos trabalham, em suma, prejuízos avultados ao País, contribuindo para ajudar a que a recessão anunciada seja mais rápida e mais evidente, e ainda mais demorada a sua permanência. Aqui chegados, e também por causa disto, mais rapidamente iremos cair na situação de não termos quem nos empreste dinheiro. O tal que tanta falta faz para pagar os ordenados dos senhores que têm vindo a fazer greve. E quando isso acontecer, e não está tão longe assim, não vai haver nem para pagar os ordenados reduzidos. Simplesmente não vai haver! E, nos dias de hoje, continuamos a ter idiotas, armados em sei lá o quê, que têm o poder de mandar e de destruir ainda mais o que outros idiotas já destruíram.
Nós não precisamos só de mudar de políticos, de políticas e de mentalidades, temos também de acabar com os idiotas da nossa vida. E, acabar com eles de uma vez por todas.
Seja qual for o olhar que deitemos à vida do nosso dia-a-dia, seja qual for a luz que ilumine o que vamos vendo, isto que se passa no meu País é tão cansativo que me faz pensar o que nunca pensei e ficar farto de tudo!

Comments

  1. céptico says:

    Enfim, como sempre neste país, há cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª, tal como trabalhadores de 1ª e trabalhadores de 2ª. O que é preciso é ter o “cartãozinho” certo.

    «O salário dos maquinistas, por exemplo, engloba abonos de produção, subsídios fiscais, ajudas de custo e subsídio de agente único», explica fonte oficial da empresa pública. «Só por se apresentar ao trabalho, cada maquinista recebe mais de seis euros por dia, devido ao subsídio de assiduidade.

    (…) «O tempo médio de escala dos maquinistas é de oito horas por dia, num total de 40 horas semanais. Mas, em média, o tempo de condução está entre as três e as quatro horas diárias», sublinha a mesma fonte.»
    http://sol.sapo.pt/inicio/Economia/Interior.aspx?content_id=15675


  2. … Não vejo, Caro José Magalhães, nenhuma greve —seja de que modo seja— que não dê prejuízo. Ou dá às empresas, a que os grevistas pertencem, e a outras, ou aos utentes… ou, em simultâneo, às empresas e aos utentes.

    Estou à vontade, porque não sou trabalhador por conta de outrém. Limito-me a tentar perceber como é que, sem fazer greve, as pessoas podem manifestar o seu descontentamento e os seu prejuízo, num país em que ninguém as (nos) ouve, a não ser que pertençamos a um qualquer clã dos “abençoados”.

    Perceberei se me for dito haver trabalhadores que fazem greve prevendo ou protestando a perda de “regalias”, sendo necessário distinguir o que são regalias e o que são direitos, na medida em que, como dizia um amigo meu, “as regalias de uns são direitos roubados a outros”. E seria necessário, reconheço, fazer um levantamento daquela gente que usa os sindicatos como negócio e meio de promoção…

    Eu acho que, depois de Abril, as regalias foram um fartote; e sabia-se, na altura —quem usava o pensamento e a lógica—, que nos aguardava um trágico destino. Ele aí está. Definitivamente, chegou-se àquele estado em que “todos ralham e ninguém tem razão”, porque não há um plano credível; e, pior do que a inexistência de um plano, falta a conciência e a vontade de que, havendo, tem que ser cumprido.

    Entendo que não haverá nenhum plano credível que não tenha que começar por moralizar o relacionamento entre as pessoas e entre o Estado e as pessoas. Não é possível continuarmos a assistir a tentativas de planos traçados por gente perversa e / ou imberbe, incapaz de cortar por onde deveria, optando, antes, por meter o bisturi onde a carne é mole. Esta é a razão por que sou a favor da vinda de uma entidade estrangeira, estranha às pessoas e ao “sistema”, capaz de traçar as linhas de um projecto de estancamento e de recuperação, doendo a quem tiver que doer. E esta será a razão por que se protelou a vinda do FMI; por haver muito menino bem instalado e que vai ter que arranjar outro modo de vida. Com ou sem FMI, os cidadãos terão poucas alternativas. O mesmo não se poderá dizer de algumas —muitas, no meu entendimento— que “habitam” a outro nível.

    Não é possível nem honesto, manter as regalias vitalícias de ex-presidentes da República; não é honesto que, ao fim de 3 legislaturas, os deputados fiquem com reformas vergonhosamente desproporcionais às de pessoas que trabalharam 30 e 40 anos; não é honesto sustentar este tipo de democracia, por tão dispendiosa… Bem!, estaria aqui a noite toda, enumerando o que não é honesto. De qualquer forma, e como é tão português quanto eu, não vale a pena debruçar-me sobre os detalhes. Quer dizer, sendo um problema, as greves não são o maior problema. O grande problema é a falta de confiança inspirada pelos poderes e pelas suas decisões.

  3. J Maia says:

    A Carris está em greve? Alguém se apercebeu disso?
    De facto, não vale a pena pôr tudo no mesmo saco!

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