Sobre as Barragens como 3ª PPP mais ruinosa e Convite para Debate

Interpelação

Aos Cabeças de Lista do BE, CDS-PP, CDU, PCTP-MRPP, PDA, PS e PSD pelos círculos eleitorais de Bragança e Vila Real.

Exmos. Srs.

O MCLT – Movimento Cívico pela Linha do Tua, emitiu no passado dia 6 de Maio um comunicado onde dava conta da bizarra situação do Plano Nacional de Barragens de Grande Potencial Hidroeléctrico constituir a 3ª Parceria Público Privada (PPP) mais cara, e não haver no entanto discussão nenhuma sobre tal facto.

De entre o bolo total das PPP, as barragens somam 12%, o que representa entre construção e exploração um custo de 7.000 milhões de euros, que por sua vez representa o equivalente a 9% do total do resgate financeiro aprovado pela Troika para Portugal. O polémico CAV – Comboio de Alta Velocidade, soma menos de 4% deste bolo, mas parece ter-se tornado no único estandarte político contra as PPP.

É pois do conhecimento público que o Estado garantirá às concessionárias das barragens 30% de receitas, quer haja água nas albufeiras para produzir energia hidroeléctrica ou não, e que o total das 10 barragens propostas gera apenas 3,2% da energia eléctrica consumida em Portugal em 2009, sendo que o aumento do consumo entre 2009 e 2010 foi de 4,7%. O país tem instalados 16.736 MW de potência, dos quais necessita nos picos de consumo de 9.000 MW, e os consumidores portugueses pagam das facturas de electricidade mais caras da União Europeia.

Comparado com estas 10 barragens, basta o aumento de potência da barragem da Venda Nova para se obter um período de funcionamento 65% superior, a um investimento 58% inferior (em termos de euros investidos para cada unidade de kW), e produzir o equivalente a 77% do que irão produzir no conjunto todas as barragens deste plano, sem necessitar de causar os danos ambientais, paisagísticos e culturais inerentes à construção de uma nova barragem.

Transcrevemos ainda o parecer do sr. Professor Pinto de Sá, professor do Instituto Superior Técnico na área da Energia, sobre um documentário da TVI sobre o plano nacional de barragens:

Este documentário da TVI24 está tecnicamente incorrecto.

Para fazer as contas, o documentário consulta os dados da REN, donde retira o valor de 1670 GWh. Para começar, aquele valor da REN é sem considerar as perdas nas turbinas e geradores, que tendo um rendimento de 91% gerarão apenas 1520 Gwh. Pode-se verificar isto somando uma a uma as energias previstas para as barragens nos respectivos planos constantes online no Instituto da Água.

Por outro lado, e como se pode ver aqui, as barragens todas vão produzir no fim 17,9 Twh/ano mas, líquidas de bombagem, apenas 13,3 Twh/ano. A diferença é o que produzirão estas, mais a reversibilidade instalada em 5 antigas, a partir da energia eólica: 4,6 T2h, ou 4600 Gwh. Muito mais que os 1526 Gwh de origem hídrica!

Mas não é tudo: a bombagem tem perdas – nas bombas elevatórias e motores síncronos, e depois na turbinagem e nos geradores, além de alguma evaporação. Cerca de 25% de perdas. Quer dizer que para gerarem esses 4600 Gwh de bombagem, as hídricas têm de CONSUMIR 6130 Gwh, de origem eólica. Na bombagem vão-se perder, portanto, 6130-4600=1530 Gwh, ou 25% dos 6300 Gwh consumidos. Ora esses 1530 Gwh de perdas na bombagem da energia eólica são quase precisamente os 1526 Gwh de origem hídrica que as barragens vão produzir! Ou seja: no total, as barragens vão acrescentar… zero energia!

O Aeroporto da Ota também era uma certeza e a melhor opção, até que, à semelhança do que acontece com este plano nacional de barragens, se desconstrua total e inequivocamente todos os argumentos falsos e cobiçosos que a suporta.

Sobre este facto gravíssimo gostaríamos pois de ouvir a vossa posição clara, para o bem da transparência e da honestidade para com os portugueses em geral, mas sobretudo para com os trasmontanos, que continuam a sofrer de forma mais intensa com a proliferação de grandes barragens no seu território. São a favor ou contra este plano nacional de barragens, e porquê?

A resposta a este ofício bem como o convite são endereçados aos seguintes cabeças de lista:

Por Bragança

BE – Liliana Fernandes

CDS/PP – Nuno de Sousa

CDU – Manuela Cunha

PCTP-MRPP – Alfredo Gonçalves

PDA – Nuno Gomes Lopes

PS – Mota Andrade

PSD – Francisco José Viegas

Por Vila Real

BE – Irina Castro

CDS/PP  – Joana Rapazote

CDU – Manuel Cunha

PCTP-MRPP – João Rodrigues

PDA – António Bernardo

PS – Pedro Silva Pereira

PSD – Pedro Passos Coelho

Pelo Movimento Cívico da Linha do Tua;

Mirandela, 31 de Maio de 2011.