Aviso

Agora que Sócrates se foi embora é preciso ter consciência de uma coisa. Isto não vai ser nada fácil. Não entrem em euforias por favor. Tal como disse alguém, das únicas coisas que Passos tem de bom é o ser uma pessoa equilibrada. Esperemos que o poder não o cegue. Já dizia Lincoln. Todo o poder corrompe.
Entretanto. O CDS ganhou. Mas a vitória afinal não foi tão espectacular como esperavam. Pois. É muito provável que as sondagens tenham ajudado e que alguns votos do CDS tenham sido transferidos para o PSD para evitar o famoso empate técnico. Mas estou convencida que a pose de Paulo Portas e de outros que tais, (como o Pires de Lima) não ajudou. Cantar vitória antes de tempo nunca dá bom resultado, e Paulo Portas foi um exemplo perfeito da arrogância que um político não deve ter.
O PSD foi o grande vencedor das eleições. Se houve votos úteis? Houve. Mas também penso que Passos Coelho pode ter impressionado muita gente nas últimas semanas mostrando-se sensato e equilibrado. O debate com Sócrates foi um ponto de viragem e o afastamento de Catroga também ajudou. É natural que a confiança em Passos tenha crescido nos últimos tempos, em contraste com o que acontecia há uns meses.
O PS é um dos grandes derrotados da noite. Não há volta a dar. Não acredito que metade dos socialistas que estavam no Altis pensaram que iam ter um resultado tão mau. Culpado imediato? Sócrates. Mas o PS, como partido, também tem culpa. Basta ver as declarações de Almeida Santos que duas horas antes das oito já dizia que não há derrotas honrosas. Os portugueses perceberam que este PS é uma máfia. Não há volta a dar. E isto é o mais importante.
A CDU nunca perde. E não estou a ser irónica. O PCP tem um eleitorado fixo, pessoas que votam neles no matter what. Isto ajuda muito.
O BE foi o outro grande derrotado da noite e eu não tenho pena nenhuma. Louçã tem que se assumir. É um político do sistema. O BE é um partido que está no Parlamento e continua sem um eleitorado fixo, sem uma base. Ele que se resigne a isto. O BE não pode continuar a agir como se fosse muito “alternativo” mas que ao mesmo tempo não quer ser um partido de protesto. Louçã mereceu a derrota e finalmente os portugueses perceberam que ele é um demagogo. Aquela história da negociação da dívida já depois do acordo assinado, foi uma estratégia obviamente populista, com o objectivo de ganhar votos.

Comments

  1. Zé Povinho says:

    A história da renegociação da dívida já depois do acordo assinado é algo que está a assombrar os gregos. Não é demagogia, é a realidade. As medidas propostas no “acordo” promovem a renogociação, veja lá, porque são economicamente desastrosas. A CDU e o BE defenderam algo muitíssimo sério e extremamente necessário. E ao contrário do que pensa, este discurso da inevitável renegociação da dívida apenas reforçou a perda de votos -não o ganho.

  2. Nightwish says:

    Eu se conhecesse a Daniela apostava consigo 500€ (até 1000€ ou mais) que podemos não renegociar até 2013, mas não só vamos ter que pedir um empréstimo maior como vai haver muita gente a dizer que o melhor é renegociar.
    Mas o bom portuga quer é ir andando que isto não pode ser tão mal como se diz, é melhor fazer o que nos mandam que sabem o que é melhor para nós.

  3. Maria says:

    Quem quer renegociar deve ir às reuniões com a Troika e dá a sua opinião e faz ouvir a sua voz (e a de quem votou neles!), depois, se não concorda com o documento final (porque certamente não aceitariam grande parte das sugestões) não assina!… Mas pelo menos teria tido uma voz!!! Poderia ter mudado um só paragrafo no documento todo e ser muito pouco, mas tinham tentado fazer algo. O BE assim pos-se à margem, não trabalhou como deveria e silenciou todos os que votaram neles e que gostariam de ter tido naquelas reuniões da Troika uma voz dissonante… não se quis envolver… Eu fiz o mesmo, deixei de querer me envolver com eles, quero eleger uma voz que se oiça, até nas reuniões com a Troika!!!

  4. Marco Gomes says:

    Não deixa de ser interessante que uma das causas para que abandonassem o voto no Bloco fosse a não comparência na mesa de “negociações” (sim, com aspas) com a “troika”. Compreendo que “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”. A falta de comparência foi um acto de “marketing” político com alguma mossa para o Bloco. No entanto, isto não desvirtua o que defenderam na campanha eleitoral. Propostas essenciais em que se destaca a renegociação da dívida. E não, não era nas reuniões com a “troika” que se iria renegociar. Porque tudo o que a “troika” quer é impedir a renegociação. Não é por uma questão de “credibilidade” do país, é de dinheiro de que se trata. Eles , a “troika e afins”, sabem perfeitamente que aquilo que acordaram com os congéneres portugueses é matematicamente possível mas economicamente inviável.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.