Privatizar a RTP? deixa-me rir

Anda a direita lírica em pulgas para privatizar a RTP. Nem me dou ao trabalho de discutir os seus argumentos, limito-me a constatar a realidade: privatizada a RTP, teríamos três canais absolutamente comerciais a concorrer, em sinal aberto. Ora não há mercado publicitário para encher o bandulho a tanta gente, coisa bem sabida para os lados da TVI e do tio Balsemão. O que estes canais queriam era outra coisa: RTP1 sem anúncios, integralmente sustentada pelo estado.

Em vésperas de chegar ao mundo real o governo conta com a originalidade de ter um secretário de estado que já não o é e, mais complicado do que o costume,  nunca o foi: o administrador da TVI Bernardo Bairrão apresentou-se a defender a casa onde trabalhava, alguém se lembrou dos fretes que fizera ao socretinismo, despediu-se e ficou desempregado.

Para ter os canais privados do seu lado qualquer governo que pretenda sobreviver terá de se sujeitar às leis do mercado. Como é sabido leis do mercado em português quer dizer: aí do estado que se me atravesse no caminho. Resta a hipótese de muito simplesmente fechar a RTP, mas essas não são contas do meu rosário.

Bem vindos à realidade: se a RTP fosse privatizável há muito que o teria sido. Agora se o PSD decide ser mesmo coerente, a coisa promete: ter a imprensa à perna ainda o santo não saltou do altar para o andor, é obra. Linda procissão em perspectiva.

Comments

  1. Maria Ramos says:

    Sou da opinião de que a RTP deve ser privatizada. Canal comercial? Mas não o é???? Além de ser um canal que todos os portugueses têm de sustentar, mesmo que não usufruam dos seus serviços. Até os edifícios ocupados sazonalmente, além dos cemitérios, têm de dar a sua contribuição. Por uma questão de justiça, privatizem a RTP!!!

    • Pisca says:

      Sustentar alfo de que não utiluzo !!!

      Bom vejamos, eu pago o cemitério de Vila Nova do Assobio, mais a Junta de Freguesia e tudo o resto, e é um improbabilidade vir algum dia a usar tais serviços, portanto seguindo a sua logica, devem ser privatizados e a pagos por quem os utiliza.

      Sobre a RTP, não falo do que transmite aqui em Portugal, mas tem um importante papel com a RTP Internacional e com a RTP África, tá bem que SIC e a TVI também fazem isso, mas tente ver a programação, é abaixo de cão

      Em suma, mais uma vez a ideia dos pensadores/economistas, privatiza-se e depois o governo que dê subsidios para aguentar aquilo


      • Exactamente, prescindir da RTP África e da RTP Internacional é abdicar do melhor instrumento de afirmação externa e divulgação da língua que Portugal possui. Ora, Portugal nem política externa a sério tem, quanto mais políticas de afirmação da língua e
        de culturas.

        Prescindir destes canais é não perceber nada de geopolítica. Privatizem mas, depois e para serem coerentes, deixem de falar em PALOPs, Lusofonia e afins.

        Já que resumem tudo a questões económicas, era bom que pensassem que esses canais são instrumentos também económicos ao serviço de Portugal. Acabar com eles é que dá prejuízo, não o contrário.

  2. jorge fliscorno says:

    «Ora não há mercado publicitário para encher o bandulho a tanta gente, coisa bem sabida para os lados da TVI e do tio Balsemão.»

    O papel do Estado não é garantir que o mercado dos privados existe. Isso é problema de quem investe. Mas ao longo dos anos temos visto justificado o persistente fecho do mercado de TV à conta do argumento “o mercado não chega para todos”. Esta lógica até se aplica quando em causa nem sequer está o limitado espectro radio-eléctrico, como no caso do cabo. Prova suficiente que as TV querem é proteccionismo, uma espécie de mercado farmacêutico dos remédios audiovisuais.


  3. Faço minhas as palavras do jorge fliscorno e acrescento que, se o Estado precisa de uma cura de emagrecimento em termo de despesa, o mesmo também é estritamente necessário para as televisões privadas. Praticam-se salários estapafúrdios, quer na SIC, quer na TVI, que não se percebe a utilidade (até para as próprias organizações) e que foram “artificialmente” criados pelo sorvedouro financeiro que ocorreu durante estes 20 anos na RTP.
    Se não dá para ter 3 canais privados em sinal aberto, estes que se acomodem e vivam com o mercado publicitário existente. Adapt or die, my friends

  4. Manuel Morais says:

    A minha opinião é que não se devia privatizar e sim extinguir. A TV do Estado é um sujo aparelho do Estado para nos dar cabo da cachola, vulgo lavagem ao cérebro. Com o nosso rico dinheirinho. Ponham essa gandulagem na rua e fechem a porta, de preferência deixando lá resíduos de poluião nuclear para não mais se poder frequentar esse sítio nefasto. E atenção, que ainda lá devem andar no ar, como uma sujeira mais, as sombras do Sócrates, do boquinha torta, do careca malhador, do inútil das polícias, de outra tropa assim. Desinfecção precisa-se.

    • Pisca says:

      Manuel só deve ter um único canal em casa, ou então tem o comando e os botões da tv avariados

      Só pode

  5. Rodrigo Costa says:

    … Penso que o estado a que o Estado chegou se deve, exactamente, ao facto de o Estado, a pouco e pouco, abdicar da sua responsabilidade de moderação. É ao Estado, enquanto responsável —até que se demita, definitivamente—, que cabem a moderação das relações e o estabelecimento dos parâmetros; porque, como já todos perceberam, a privatização corresponde aos soltar das feras; que, com objectivos, permanentes, na subida dos lucros, acabam, como acontece, por aumentar os prejuizos, porque ninguém estica a corda, tanto e tanto, sem que ela rebente —se o tubarão comer os pequenos peixes que lhe limpam os dentes, acabará por ficar sem dentadura.

    Fundamental, antes de mais, seria acabar com esta dança de pessoas que ora estão no privado, ora no público. Os governos têm que encontrar gestores competentes e fidelizá-los. Deveria haver —do mesmo modo que há os seminários, para quem quer ser padre—, estabelecimentos específicos para a formação de gestores públicos, por ser um tipo de gestão específica, que não tem que visar, essencialmente, o lucro.

    Não se pode gerir a Educação e a Saúde, essencialmente, com base na exigência de lucro. A saúde e a educação são investimentos, cujo lucro se traduz no aumento do conhecimento, em si mesmo lucro que produzirá lucros, e que ajudará, também, a perceber como viver mais saudavelmente, reduzindo, já, despezas evitáveis no domínio da Saúde; sendo este o investimento na manutenção saudável das pessoas como agentes produtores, capazes de, pelo trabalho, gerar os tais lucros.

    Portanto, deixar a Saúde e a E#ducação nas mãos dos privados é, logo à partida, criar a instabilidade na cabeça das pessoas que devem tê-la limpa, despreocupada para o trabalho —veja-se o que acontece com lares de terceira idade e escolas privadas. Dir-me-ão que não são todas; eu digo que são suficientes para a formação de uma má resultante. E dir-se-á, também, que as instituições estatais funcionam, muitas vezes, pior. Pois!… Por isso é que refiro, no princípio, a importância dos bons gestores, bem como a padronização do que deve ser o comportamento dos funcionários públicos.

    Mário Soares diz que o PS tem que ser refundado. Não é o PS que tem que ser refundado, é o País, o seu modelo de sociedade. É necessário saber se se quer continuar a viver neste clima esgotante de liberdade de concorrência ou se, sensatamente, devem ser estabelecidos tectos, porque já todos viram que a liberdade de concorrência, por imaturidade, parece interessar a quem é jovem, e aqueles para quem, defendidos pelo conforto, a idade já não é obstáculo, porque já não necessitam de correr; alguém, por eles, arma as ratoeiras e as ciladas.

    O mundo não pode andar, apenas, à velocidade dos jovens, porque ninguém é jovem a vida inteira. Toda a gestão deve ter ao serviço vigor e inteligência, fazendo parte desta a experiência acumulada por muitos que envelheceram, porque é para isso que as pessoa envelhecem, para poderem ser úteis com a sua experiência. Por isso se diz que ” na Vida, nada se perde, nada se cria; tudo se transforma”, o que, de imediato, quer dizer que tudo tem aproveitamento; e é da falta de aproveitamento, a vários níveis, que as sociedades enfermam —e, já agora, por que muitos idosos se suicidam.

    Na verdade, o Comportamento da Comunicação Social quase não permite que se distinga a pública da privada, porque a Comunicação se tornou um negócio; uma máquina de prolongar ou mesmo criar casos. E uma Comiunicação entregue a privados, ou melhor, com conceito de privados, é um flagelo, por que o negício vive de manter as populações em sobressalto. O Estado nem pode ser isto nem pode dar cobertura a isto. Como em tudo na vida, pessoa ou instituição, tem que definir o seu caminho e suportar-lhe as consequências —ninguém pode ir para a guerra liberto de tensões, de medos e de armas.

    Do mesmo modo que a vida cara leva à vida barata, e a barata à cara, também as linberdades excessivas levam à tirania, sendo o contrário também verdade; exactamente porque falta, em todos os contextos, o ponto de equilíbrio, a moderação; a aceitação de não podemos ser mais do que condicionadamente livres, apesar de todas as regras poderem ser discutidas.

    A questão é: pode o conhecimento, a razão, submeter o Instinto? Eu digo, já, que não, por ser ele a trave-mestra da sobrevivência… de todas as espécies, sem excepção. Pode ser moderado?… Pode… pela educação. Um papel que cabe, fundamentalmente, ao Estado, como figura representativa dos fundadores das sociedades; como legislador e executor de sentença —já agora, por que não pensam na privatização da Justiça?… Simplesmente, porque ninguém acredita na isenção do indivíduo refém do interesse particular. Sendo assim, por que há-de, o mesmo indivíduo, justificar o crédito nas outras áreas de tão grande importância?…

    Eu diria que já é um risco deixar a Comunicação Social nas mãos de privados, quanto mais deixar que toda ela para lá passe!…

    Nota: a importâcia da Comunicação Social deixou de ser relativa, para passar a ser primordial. A CS tem, hoje e de há muito, influência que ultrapassou a Escola, na (de)formação das pessoas. O Estado tem que decidir: ou se assume ou se demite. Não pode é demitir-se e continuar a cobrar impostos, e gozar, no palanque, as aventuras na selva….

  6. Emanuel Soares says:

    Bem eu sou contra a privatização mas se for para privatizar prefiro que acabem de vés com a RTP NACIONAL e deixem a RTP MADEIRA E AÇORES para as ilhas mais a RTP INTERNACIONAL e ÁFRICA para os emigrantes e depois amanhem-se com A SIC do avô Balsemão e A TVI da avó Media Capital e não refilhem que em portugal é sempre a mesma coisa

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