Bem Vindos ao Cairo 003


Há duas coisas que os portugueses costumam fazer com frequência quando saem do país.

Não sei em quantas culturas é normal isto acontecer, mas tenho a noção que nós estamos perto do exagero.

Quantos de vocês é que já deram conta que estão a medir a qualidade do café  e a qualidade e quantidade de comida por preço praticado, quando saem de Portugal?

Eu acho que somos capazes de fazer isto dentro de portugal, quanto mais fora.

Sim, acredito que cada um de nós é especialista gastronómico,  segundo parametros pessoais estabelecidos desde muito cedo pelos nossos hábitos e influências das nossas mães e avós.

Desde que cheguei ao Cairo, comecei a  medir imediatamente a qualidade versus quantidade versus preço do que me era dado a experimentar.

Quanto ao café, é simples. Há o turkish coffee, que a meu ver é o café-acorda-mortos. Se estavas com sono e moido pelo calor,  toma um turkish coffee e em 5 minutos todo o teu corpo acorda e desperta.

Quase como diz o outro: firme e hirto como uma barra de ferro.

Sobre a gastronomia e os alimentos vendidos na rua e supermercados…

Nem sei bem por onde começar. Há tanta variedade e tantas coisas boas,  e tantos cheiros, e tantas cores, e tantos sabores e texturas.

O reverso, é que eu acho que esta gente não sabe aquilo que tem e as 500 maneiras diferentes que existem de cozinhar o que a natureza lhes dá.

Talvez seja só uma questão cultural e de trocas de experiência com outros povos.

Ora bem, se eu fizer uma descrição temporal do meu dia, em termos de refeições e respectivas comidas, talvez seja mais fácil de perceberem.

Às 8h da manhã, antes de ir para o trabalho, tomo o meu pequeno-almoço clássico portugues.

Quando vou para para o trabalho a pé, pouco antes das 9h, em vários pontos estratégicos do caminho, há uns carrinhos ambulantes de venda de comida tipicamente egipcia, que servem o pequeno-almoço.

A maior parte deles vende fool, que é uma espécie de feijoada, um ensopado consistente feito de grãos de fava temperados com pasta de sesamo e sumo de limão, que comem à mão, ajudado com pão árabe.

Quando chego ao escritorio,  reparo frequentemente que nenhum do meus colegas tomou o pequeno-almoço.

Às 10h, a maior parte deles come um pacote de batatas fritas com uma pepsi. Quase todos os dias isto acontece.

Ao meio-dia, quando eu ja estou esfomeada e a pensar no que vou encomendar para almoçar, esta gente come taamaya ou fool, ou alguma coisa pesada equivalente. Uma mistela entre as favas, grão de bico, beringela, feijões, tomate, e outros legumes.

A isto eles chamam pequeno almoço.

Depois às 3h, pedem algo para almoçar, como hamburgueres, pizza,  fateer (que é uma especie de pizza egipcia, mas fechada e com massa de pastel de tentugal), frango grelhado, etc.

Às 6h ou comem massa instantânea, tipo noodles, ou comem batata frita com pepsi.

Depois jantam uma boa e pesada refeição às 22h.

Eu, que tenho provado de tudo e adoro comer, estou deliciada com a quantidade e variedade de legumes, que têm um sabor excepcional, e com a carne. Ainda mais com os preços.

E tenho experimentado a gastronomia dos restaurantes, uma vez por semana.

Entre cozinha Tailandesa, Italiana, Americana, Grega, marroquinha, Indiana, francesa, Egípcia, tudo é delicioso.

E gosto muito dos preços. Para os parâmetros deles, é muito dinheiro.

Mas para um português, é quase oferecido.

Agora se me dão licença, vou almoçar, que esta conversa está a fazer-me fome.

Cláudia Rocha Gonçalves

Comments

  1. jorge fliscorno says:

    Muito bom. Uma palavrimagem.

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