Carta do Canadá: A grande mentira

A partir de 31 de Agosto do corrente ano,  os professores de Português colocados no Canadá e nos Estados Unidos em regime de “destacamento”,  perdem o vínculo ao sistema educativo de Portugal. Estes professores,  muitos deles com 30 anos de serviço à língua portuguesa,  fizeram os seus descontos para a segurança social e nunca receberam salários pagos pelo estado português.  Trabalharam em escolas privadas,  pelas quais pagaram os seus impostos no Canadá. Resta-lhes a opção de regressarem a Portugal para trabalharem numa escola ou de, simplesmente, resignarem-se a perder o que julgavam  direitos legítimos e adquiridos. São raros os que optam pela primeira solução por terem aqui a sua família e a sua vida organizada há  muitos anos e,também, pelo  receio de regressarem ao país  no momento em que estão a ser fechadas centenas de escolas,  com promessa formal de serem encerradas mais umas centenas no próximo ano lecttivo, o que garantidamente aumentará  o astronómico número de desempregados.

     Esta situação foi criada e acelerada pela teimosia ignara de um antigo secretário de estado das Comunidades,  António Braga,  que não descansou enquanto  não tirou o ensino básico  de Português no estrangeiro ao Ministério da Educação para o entregar ao Instituto Camões(IC),  portanto sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros,  organismo que,  sobre não ser vocacionado para este grau de ensino,  tem dado ao país a imagem de uma espécie de gare de Santa Apolónia:  um desassossego,  uma salganhada,  um sorvedouro de milhões.  O objectivo de Braga era claro e à sua altura:   ficar com as rédeas do ensino,  fazer gato sapato  dos dirigentes do IC,  de modo a colocar nas coordenações os seus amigos, assim apaziguando as recalcadas iras do seu tempo de mestre escola. Prova do que afirmo foi o saneamento selvagem da coordenadora  para  os Estados Unidos,  Graça Borges Castanho, requisitada  à Universidade dos Açores,  e o afastamento precipitado da coordenadora para o Canadá, Graça Assis Pacheco,  convidada pela presidente do IC a renovar o seu mandato por  mais três anos, tendo já cumprido 14, depois de prova de concurso, o que obviamente só  foi possível pela desautorização boçal  que o antigo governamente impôs à (pelos vistos) passiva responsável pelo departamento.

     Só por ingenuidade alguém acreditou que o novo governo iria pôr ordem nesta desordem.  O actual secretário de estado das Comunidades é José Cesário,  outro antigo mestre escola  e militante de fidelidade canina ao  PSD, repetente neste cargo  e com uma folha de serviços a todos os títulos lamentável.  A sua nomeação  é  um acto de burrice. Eu não  tenho apreço nem simpatia pelo actual Ministro dos Negócios Estrangeiros,  Paulo  Portas.  Considero mesmo que não é flor que se cheire.  Mas acho que é  inteligente e não daria uma mancada  destas.

Só que,  dizem as folhas da comunicação,  ele está  na prateleira da “diplomacia do croquete”  e quem,  de facto,  vai  mandar no  Largo do Rilvas  são  os  do costume.

     Assim sendo,  dando-se o caso da Associação  dos Professores de Português  nos Estados Unidos e Canadá  (APPEUC) não ter força nem credibilidade,  por não as terem os seus dirigentes, e sendo as  actuais coordenações de uma grande fragilidade,  os professores de Português não têm, como já tiveram,  qem os defenda. Quem dê um murro na mesa por eles.  A  hora dos coordenadores  e até  de alguns governantes, é de salve-se quem puder.

     Em Toronto,  e ao que se diz pago pelo IC,  a coordenadora luta para instalar um Instituto da  Língua  Portuguesa  num centro de dia para diminuídos físicos.  Diz-se que terá uma escola.  Quantas escolas locais fecharão?  Esta escola absorverá  todos  os profssores actuais?  Qual o critério de admissão desses professores?   Será  extensivo a todo  o Canadá ou ficará como um privilégio de  Toronto?   Já agora,  será  possível ser publicado nos jornais o documento em que o IC se compromete a pagar essa factura e a quem?  Compreende-se o empenhamento  da coordenadora a fazer pela vida,  mas  são  dinheiros públicos que estão em causa.  É  natural  que todos  os portugueses,  incluindo os do Canadá,  queiram tudo  transparente e bem explicado.  Só nas ditaduras é que,  por definição, há  arcas encoiradas,  esqueletos no armários e outra  tralha.

     Entretanto,  cada contribuinte portugês  pode avaliar a grande mentira que têm sido as  declarações de amor dos governantes pela Língua  Portuguesa.

     Fernanda Leitão

Comments

  1. Manuel Salazar says:

    Esta senhora caquetica continua a mandar as suas bocas do costume e ainda ha quem lhe deia tempo de antena…
    Por acaso, foi a APPEUC que, tanto no ano passado, como neste, conseguiu negociar a extensao das licenças para estes professores. Nao foram os sindicatos nem a antiga Coordenadora no Canada…

  2. simone maria vieeria pascoal says:

    Pergunto: “Mas a antiga Coordenada do Português não tinha que sair porque tinha já 70 anos’?”

  3. lara l a misko says:

    Sim, tinha, nasceu em 14-07-1943!
    Não podia estar na FP depois dos 65 … Tinha 70. Foi colocada no Canadá em 1997 pela sua colega de escola primária Ana Benavente: porque Fernada Leitão fala de colocações na Coordenaçõa através de cunhas de amigos?!! Não há certamente exemplo mais evidente do que este da Professora Primária Graça Assis Pacheco da Escola de Camarate, Lisboa!!! quem tem telhados de vidro …

  4. Simone Pascoal says:

    A grande mentira digo eu!
    Compreende-se que tenham feito a substituição, que deveria ter sido feita há muito quando as Escolas começaram a desaparecer, e a formação em Didactics tinha que vir do ME!.
    O que define no artigo como “tralha” escondida num tempo de ditadura foi, na realidade, a expedita estratégia de ‘cunha’, que fez viver durante 14 anos «à grande e à francesa» a Coordenadora do Ensino do Português no Canadá, a professora primária Graça Assis Pacheco, uma pessoa já reformada quando começou este trabalho em Toronto, e, por invalidez! pela CNP, como hospedeira de terra da TAP (pasme-se !!!). Ah, pois é !
    Ficou no lugar até à idade limite de permanecer na FP, e ainda queria ficar mais anos? Ou obter ainda as regalias dos agentes diplomáticos? Ah, pois queria!
    E tiraram-lhe uma das reformas porque estava a trabalhar no Canadá e a receber ao mesmo tempo em Lisboa a reforma da TAP? Como pedem a todos os portugueses, igualmente licenciados, e/ou aos professores que estão em Portugal nessa situação? É claro que Não!
    Era de Inglês e Alemão diz FL, como a actual Coordenadora, e refere-se a isso de forma nebulosa….Pois era. E?
    Sem qualquer prática docente, sem Mestrado, sem Doutoramento, sem qualquer Pós-graduação, incapaz de fazer formação específica em Didáctica da Língua, que coordenava, tentando a todo o custo manter-se no lugar e criando alianças e afastamentos de todas as que pudessem nublar a continuidade…
    É que hoje em dia, em tais lugares, só ‘os ares’ e o trajes não chegam…Quantos jovens com anos de docência e todas essas mais-valias não puderam concorrer ao lugar porque não eram amigas de infãncia de Ana Benavente? É que não houve concurso em 1997, mas nomeação de confiança política, senhores!
    «Com papas e bolos se enganam os tolos» dos que lêem este blog! Ora bolas para tanta mentira!
    Quando é que este blog servirá para dizer alguma verdade sobre o que efectivamente se passa no Canadá, e na comunidade,
    e não servir apenas os compradios estabelecidos?

  5. xavier says:

    E Maria da Graça Assis Pacheco (Dubery) ainda está a rir-se, a bom rir, dos contribuintes portugueses, que lhe pagaram a a casa em Toronto e uma vida, após a reforma em Lisboa, regalada, e e muitíssimo bem paga…

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