Remember, remember…

Se há coisa que aprecio nas manifestações, para além das pessoas que levam os filhos, são as máscaras do V for vendetta. É um excelente filme com uma excelente mensagem, sem ironias nem sarcasmos. “Government should be afraid of the people”. É verdade.

O que não deixa de ser fantástico é que para a maioria dos manifestantes – os que agora estão em Lisboa e todos os outros que se apropriam do símbolo, os “indignados” – a máscara é apenas sinónimo do V for Vendetta. Mas a ironia do Destino é que aquela máscara simboliza um homem que tinha pouco de revolucionário. Guy Fawkes e os seus conspiradores queriam o regresso a uma “antiga ordem” (para sermos dramáticos). Católicos que queriam rebentar com o Parlamento inglês e com o Rei porque este era protestante. Católicos que queriam que Inglaterra regressasse ao catolicismo. E uma conspiração que serviu, em termos muito práticos, para aumentar o ódio em relação aos “papistas”.

Tenho muitas dúvidas em relação à liberdade dos católicos ingleses. Não o eram. Mas também tenho a certeza que um homem que queria o regresso ao catolicismo não é propriamente a personificação que os indignados almejam. Guy Fawkes e os restantes conspiradores não eram uns revolucionários. Eram homens do século XVII inflamados pelas lutas religiosas, influenciados pelas intolerâncias da altura. Não se enganem e que não vos suba à cabeça. Embora, talvez seja apropriado. As máscaras estão como os protestos, claramente. Os “indignados”, os grevistas, as CGTP’s etc. não são revolucionários.

Comments

  1. Também sei que o Guy Fawkes era um Jesuíta com uma missão pouco recomendável mas há algo na utilização desta marca que me agrada.
    Primeiro a sua simbologia actual mais conotada com o grupo de crackers Anonymous e a sua tentativa de mobilizar as massas em torno dum objectivo comum. Por outro lado agrada-me a “des”individualização que a máscara confere e que é um claro apelo a uma maior assunção da consciência colectiva.
    Fomos educados ou formatados para assumir diversos brandings e tenho a certeza que a máscara da Vendetta será um dos ícones que ficará indelévelmente ligado às movimentações sociaos deste século.

  2. Guillaume Tell says:

    E direi mais: os “indignados”, as CGTP’s etc não são revolucionários são reaccionários, apoiantes do status quo permante e maximisadores de interesses pessoais (querem ter tudo se dar nada; ou seja não pagar impostos e ainda receber prestações sociais).
    Sempre foi assim com a “rua” ou os revolucionários: dizem representar os outros mas só se representam a eles. E quanto mais tenderem para o extremismo, mais lixaram o resto da sociedade.

  3. revolucionário says:

    mas então quem são para si os revolucionários, actualmente? ou já não existem nenhuns? é a impressão que deixa no ar…

    • Guillaume Tell says:

      Revolucionário para mim é alguém que luta para mudar de paradigma. O problema é que as mudanças de paradigma tanto podem ir para o bem como para o mal, mas se se quer ser um “revolucionário a serio” (= um bom revolucionário) temos de lutar pelo câmbio bom. E lutar para a mudança boa significa fazer para já uma reflexão interior para termos a certeza do que propomos instalar é viável e não irá ao encontro dos interesses dos outros. Houve muita gente que pensou mudar para melhorar os interesses dos outros, só que muitas vezes pensou-se mal e aplicou-se mal, sobretudo porque acabou por beneficiar os interesses de poucos.

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