Vai trabalhar malandro

Está-lhe no sangue, a nossa direita vende Portugal por 10 reis de mel coado. Este Gaspar vende por menos, vende pelos mercados, e demonstra aqui que a crise não passa de uma oportunidade para arrasar com direitos laborais, privatizar tudo, regressar ao pior do capitalismo português. Se o deixarmos, é claro.

Comments

  1. Dario Silva says:

    Nem de propósito: dobrado.
    É apenas uma metáfora do estado de espírito. E quanto mais se dobra mais se lhe…

  2. Maria de Fátima Bizarro says:

    Uma imagem degradante e chocantemente elucidativa do estado a que os nossos governantes estão a levar o nosso país: esquemas e conversas de “pé de orelha”, como diria o Zeca Diabo. Até a posição e o tom agradecido do Dr. Vítor Gaspar são demonstrativos da maior subserviência. Senhor Ministro, diz-se na minha terra que quem muito se abaixa, o cu se lhe vê.

  3. MAGRIÇO says:

    Foi, de facto, o que mais me chocou: o ar superioridade ariana do germânico e a evidente postura subserviente de slow motion Gaspar. Os déspotas sempre se evidenciaram por serem intransigentes com os fracos mas submissos com os superiores.

  4. marai celeste ramos says:

    quem descobriu este leque de predadores governamentais ? que alternativa ??

  5. Luís says:

    Que vergonha meu Deus!!!!


  6. Não percebo o choque. Isto é o que já sabíamos (mais coisa menos coisa)… até dentro do que sabíamos, é “boa notícia” (depende do que acharmos da política europeia e nacional em relação a finanças, mas dentro dessa perspectiva é boa).

    Aliás, duvido até que mediaticamente o governo e o ministro saem melindrados. Acho que até suporta alguma da desgovernação que vai ali.

    P.S.: Sou só eu a achar que o ar de totó que o ministro costuma impôr nas suas aparições está ausente neste vídeo. Parece que aqui está mais com uma posse de “eu sei jogar este jogo”.

  7. antonio oliveira says:

    A confirmação daquilo que todos já sabiam:que o “ajustamento” é inevitável

  8. mortalha says:

    aos 41 segundos dá para ver bem a expressão do alemão. os progressos feitos ou por fazer não vão mudar nada

  9. J.Pinto says:

    Não percebo a perplexidade. Depois de termos gasto o que não tínhamos, o que queriam? Que fôssemos para Bruxelas, ou outra qualquer parte da europa, obrigar quem tem dinheiro a emprestar-nos? Como é que faziam isso?

    Vocês não sabem que quem tem o dinheiro, em democracia, empresta a quem quer, aos juros que quiserem? O que é que sugerem? Que apontemos uma arma e obriguemos os que têm dinheiro a emprestar?

    Sugerem o caminho da Grécia? O caminho da constestação? Quando a Grécia deixar de ter empréstimos, sabem que vai ser obrigada a viver com o que tem? Apenas com o que tem? Isso é positivo? Então, é facil. Vamos obrigar o Estado a ter défice 0.


  10. Gasto o que não tínhamos… chegou a ficção.
    Ó homem, escreva um romance. 2008 nunca existiu, O monte da dívida, A insustentável leveza dos gastadores, O vermelho e a dívida, Os gastadores desencontrados ou Por quem os gastos dobram.
    Não pode é passar-se no ano de 2008, esse que nunca existiu.

  11. Carlos says:

    Não repararam que o interlocutor do Gaspar está sentado numa cadeira de rodas? E que, por isso, não se pode pôr de pé? O sectarismo põe as pessoas vesgas, sem elas darem conta.
    Então não gastámos, como povo, o que tínhamos e o que não tínhamos? A dívida do Estado português é uma ficção? Querem ver o nosso país a braços com os mesmos problemas da Grécia? Ou da Argentina? Por que falam do que não sabem? É apenas pelo gosto de provocar?
    Se é assim, por que não falam, antes, de futebol?


  12. Sim Carlos, gastámos, claro, somos uns malandros e o Merdina Carreira vai ser canonizado como vidente. 2008 nunca existiu, de 2007 para 2009 é só dívidas, e do estado.
    Haja paciência para os mentirosos da dívida porque é deles o reino da austeridade. Abençoada seja a repetição da mentira porque é nela que se resguardam as crises mundiais do capitalismo e se escondem os bancos.
    Goldman Sachs, o que seria de nós sem ti?

  13. Carlos says:

    Amigo Cardoso, não não lhe conhecia essa sua especialidade em economia ou “economês”, como quiser. Pelo que entendi, deveríamos, todos, fugir do capitalismo, onde se sucedem crises mundiais. Poderá o amigo indicar-nos para onde devemos fugir, ou para onde devemos aconselhar os nossos filhos a fugirem?


  14. Entendeu mal. Paciência.

  15. J.Pinto says:

    Caro João José,

    Eu já sabia que a culpa, de acordo com o João José, não é nossa. Nós, os cordeirinhos, portámo-nos tão bem que não se compreende como é que as pessoas não nos emprestam dinheiro. Temos de obrigá-las a empresta-nos o dinheiro de que precisamos e, claro está, ao juro que nós quisermos – eu sei que o acordo conseguido não foi o melhor acordo, aqueles juros são insuportáveis; no entanto, infelizmente, temos de esperar que se dignem a baixar os juros. É triste? É, mas nós pusemo-nos a jeito.

    Eu gostava de ver é qual é a fórmula que vocês advogam para obrigar os malandros do dinheiro a emprestar-nos dinheiro de que necessitamos.

    A nossa dívida pública duplicou em 6 ou 7 anos. Querem os números? Pelo contrário, a nossa economia estagnou, não conseguindo gerar receitas suficientes para pagar a dívida.

    Ainda segundo o João José, o problema foi o ano de 2008 e os seguintes, ano em que a crise financeira mundial despoletou. Até aí tudo estava bem. Então, o caro João José não sabe que Portugal nunca conseguiu ter contas equilibradas desde o 25 de abril? Nunca. Nem um único ano para amostra. Ter défice, na economia que eu estudei, significa gastar mais do que se tem. Pode haver outras definições. Claro que um país que, em 37 anos, não fez os trabalhos de casa estará mais sujeito a ser afetado em caso de crise global. Foi o que aconteceu. Os nossos défices são estruturais.

    Ainda o outro dia estive analisar, superficialmente, algumas contas dos países do sul da europa. Sabiam que são exatamente os que mais défices acumularam que estão em prior situação, exceção feita à Irlanda (a crise deles, essa sim, tem origem exclusiva na crise financeira)?


  16. Somos uns desequilibrados. Temos a crise que merecemos. A Alemanha, que nunca teve dívidas, é que sabe.

  17. J.Pinto says:

    É verdade, João. Nunca teve a percentagem da nossa dívida, tem conseguido superávites orçamentais, a economia cresce muito mais do que a nossa.

    O problema não é termos a crise me merecemos, o problema é continuarmos a pensar que fizemos tudo bem, a culpa não é nossa e por isso vamos continuar a fazer a mesma coisa.


  18. João Pinto: mentir é feio. Cuidado com o nariz.


  19. Olhai o gráfico. Dados da CIA. Estes americanos são uns comunas:

    http://www.indexmundi.com/g/g.aspx?v=143&c=gm&c=po&l=pt

  20. Carlos says:

    Olhe para o que lhe digo, Cardoso, actualize os dados da CIA, porque os há mais recentes e mais desfavoráveis, para Portugal, claro. E quando comparar Portugal com a Alemanha, compare valores de outros indicadores, como por exemplo o PIB, para ver as diferenças. Para lhe facilitar a vida, aqui vai o endereço desse item: http://www.indexmundi.com/g/g.aspx?v=65&c=gm&c=po&l=pt
    Como poderá ver, o ano de 2008 existiu mesmo.


  21. Carlos, vou ter de lhe chamar analfabeto, porque a ignorância a bem dizer nem é pecado. Podia chamar-lhe outra coisa.
    Responder a uma tabela (histórica, dados não actualizáveis) de “Dívida pública (% PIB)” com uma de “Produto Interno Bruto (PIB) (bilhões $)” é de analfabeto para baixo. Ainda se fosse PIB per capita, enfim, não tinha nada que ver com o assunto, mas sempre eram dados comparáveis. Agora que o PIB da Alemanha é superior ao nosso, grande descoberta: queria que fosse ao contrário?

  22. Zé Carioca says:

    Conversa informal em posição informal, o homem está meio agachado porque o outro senhor está numa cadeira de rodas e ele está de pé! Qual é o problema? Por acaso estava a fazer algum discurso em representação de Portugal? Além disso foi bastante incisivo ao afirmar que fizemos avanços, onde está a subserviência? Já agora vamos lá ver se nos entendemos: Não HÁ DINHEIRO!!!! Há alguns senhores que ainda NÃO entenderam isto.Enfim…


  23. E é verdade, temos avançado, velozmente, a caminho do abismo (vd aumento da dívida pública no último trimestre).
    A questão do dinheiro também se pode colocar de outra forma: onde está ele. O Dias Loureiro é capaz de ter umas ideias sobre o assunto.

  24. Carlos says:

    O Cardoso, escusava de ser tão bruto: concordo consigo, a comparação da dívida em % do PIB com o PIB per capita, era mais correcta. Mas, o que lhe queria dizer é que a capacidade da Alemanha, de resolver o problema da dívida, é muitíssimo superior à nossa. Logo a comparação que o amigo fez, entre a nossa dívida e a da Alemanha, mesmo em percentagem do PIB, também não traz nada de novo. A Alemanha teve deficits excessivos em 2003/2003, se não estou em erro, e teve que fazer os ajustamentos necessários, semelhantes aos muitos que foram, tardiamente, empreendidos pelo nossos governos, especialmente pelo governo do Sócrates. Os nossos governantes meteram a cabeça na areia e resolveram vender-nos “optimismos”: investimentos públicos de duvidosa rentabilidade, parcerias ruinosas, subsídios para tudo e mais alguma coisa, serviços públicos de borla, boys e mais boys, etc., etc. e agora estamos tramados e ainda temos que aturar uns bota-abaixo que andam por aí a chatear.
    Uma desgraça nunca vem só, diz o povo com razão.


    • Em 2007 o défice da Alemanha era superior ao nosso, ver gráfico, em % do PIB, forma decente de o comparar.
      Depois veio 2008.
      Claro que os especuladores dos mercados das dívidas soberanas não foram atacar a Alemanha, mas sim as economias mais fracas, no nosso caso como no da Grécia por terem uma moeda feita à imagem das economias mais fortes da Europa. Com os juros a subir por pura especulação, claro que estamos endividados.
      E com uma política de austeridade, claro que ficamos cada vez pior. Como também é claro que nunca pagaremos esta dívida, nem temos nada que o fazer. É disso que falam esses dois aí em cima. O resto é mentira e hipocrisia política.

  25. Carlos says:

    Permita-me, Cardoso, uma pergunta: faz alguma ideia de qual seria a percentagem em que a dívida externa portuguesa seria reduzida, se fossem confiscadas as 20 maiores fortunas de Portugal e utilizadas para isso? Ou, por outras palavras, acha que o valor daquelas fortunas (as vinte maiores) chega para pagar os juros da nossa dívida externa, num único ano?


  26. Claro que não chega. Precisamente por isso nunca pagaremos a tal dívida, que é neste momento pura especulação.

  27. Carlos says:

    “É claro que nunca pagaremos esta dívida, nem temos nada que o fazer”, diz o Cardoso. Quem tem, então, que pagar a dívida? Os nossos filhos? Ou os nossos netos? Os contribuintes de países estrangeiros? Portugal vai falir? Que ganhamos com semelhante discurso? Pretende que viremos uma Cuba da Europa?


  28. Essa conversa dos filhos é a costumeira confusão entre dívidas familiares e dívidas de países. Nós nem devemos exactamente a estados (tirando de certa forma o empréstimo da troika). Primeiro há que saber o que se deve e a quem, e qual a legitimidade dessa dívida. Não me pesa nada que não se pague aos bancos e especuladores internacionais, por exemplo
    De resto, a Grécia já tem uma parte da sua dívida perdoada, e a outra irá pelo mesmo caminho. E não me venham com moralidades: estes juros são um assalto e um país de bem não paga a ladrões.


  29. não lhe pesa nada que não paguem os vinte mil milhões de euros que os portugueses puseram em dívida pública…
    deve ser por isso que já fugiram 4 mil milhões e picos…


  30. 5 milhões de contos tinha um dos pais do regime em 1985
    Ora se até o Lima Duarte tem sessenta milhões em dívida e haveres
    Há pelo menos 20 mil a 20 milhões cada um…desde o casado com a rainha das conservas
    aos fundos naufragados do PRD e da Emaudio…

    20 mil x 20 milhões dá 400 mil milhões…são 2 dívidas pagas ou 80 BPN’s
    eu até fazia a lista dos 20 mil mas dá azar fazer listas

  31. J.Pinto says:

    Caro João José,

    Veja aqui os valores de Portugal e os restantes países da UE. Só tem valores depois de 1995. Identifique os países que nunca tiveram um único superávite orçamental. Pode ser que haja uma terrível coincidência. Não esquecer que faltam 20 anos naqueles dados (1975 a 1994)

    http://www.gpeari.min-financas.pt/analise-economica/estatisticas/estatisticas-das-financas-publicas/financas-publicas-comp-intern-nov2011-net-1


  32. O que é um superávite orçamental num país? dar lucro?


  33. Hummm… o Estado não tem como objectivo dar lucro, mas pode ter superávite e isso ser ao mesmo tempo bom (e aplica-se tudo no Estado, senão é quanto mais défice melhor). Aliás, as teorias keynesianas não dizem gaste-se à bruta em crise e gaste-se à bruta em prosperidade (porque para acontecer a primeira não é viável acontecer com a segunda).

    Isto só para dizer que quando se pega nestas teorias económicas bonitas convém ler as letras míudas.

    (reparem, por exemplo, que Krugman que é contra a austeridade europeia e mais pró-expansionista sugere redução de salários dos portugueses… e se PPC vai além da troika, ele vai além de PPC porque sugere um corte bem maior)


  34. Krugman sugere uma redução de salários comparativamente com os salários alemães. Convém notar que a Alemanha na última década reduziu brutalmente os seus salários (digamos que nivelou pela ex-RDA). E também sugere que essa redução se deve fazer pela inflação e não pela austeridade. Ora aí, pela inflação, outro galo canta, e lá voltamos ao problema do euro. Moeda única à moda de alguns tinha de dar nisto. E agora como se desembrulha?

  35. mortalha says:

    desembrulha-se com um new deal adaptado aos dias de hoje. mas teria de ser uma estratégia europeia coordenada por uma presidência capaz. e capacidade é coisa que não existe nesta UE, basta ver o video acima e lembrar que ainda não formaram UMA agência de rating europeia.

  36. J.Pinto says:

    Caro João José,

    A sua ironia deixa no ar o sentido de irreponsabilidade dos governantes que nos trouxarem até aqui,. Um superávite orçamental pode ser definido como um valor de receitas superior às despesas de um Estado, para colmatar os défices de anos anteriores. Percebe? Acha que é possível ter sempre défice, sem quaisquer consequências? Os resultados estão à vista. Os resultados são a consequência dos défices estruturais (37 anos) da economia portuguesa.
    ´
    Défices significam dívidas.

    Não se já conhece, mas deixo-lhe um aforismo popular muito pertinente: “O Natal é quando as crianças pedem e os pais pagam; o défice é quando os pais querem e as crianças pagam”.


  37. João José Cardoso,

    Este “como se desembrulha” mostra que não quer nenhuma troca de argumentos, quer apenas gritar vitória em debates porque sim.

    Sobre o que escreveu nem contraria propriamente o que disse. Aliás, nem sabe qual a minha opinião sobre a melhor política a tomar (já que não a disse… até porque, sinceramente, não tenho uma resposta)

    Repito, isto só para dizer que quando se pega nestas teorias económicas bonitas convém ler as letras míudas, mas se quer um debate do tipo “toma… e agora, como respondes?” não sou a melhor pessoa para dar luta que eu respostas tenho poucas.


  38. Tem graça, precisamente porque nem vi uma grande divergência só comentei a parte dos salários e o que Krugman disse. Mas leia como entender.
    Já agora, por formação, as teorias económicas passam-me um bocado ao lado, tanto nos títulos como nas notas de rodapé. Já com a História e o que com ela se pode aprender tenho outra atitude.


  39. Então, desculpe, que devo ter interpretado a pergunta mal (e, portanto, quase todo o post).

    Sobre História vs Economia, cada uma delas tem a sua função e até funcionam bem em conjunto… daí surgir História Económica. Cada uma delas tem a sua função, mas um bom economista deve ter umas luzes de História (pelo menos para Economia Política).


  40. Eu diria História Económica e Social. Sem pessoas a Economia tende a ser economia, o que não é bem uma ciência.

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