Concursos de Professores e o acordo em tons laranja


Foi assinado um acordo entre o MEC e alguns sindicatos.

Vamos começar por colocar as cartas todas na mesa. Há lugares comuns que atiram a CGTP e a FENPROF, de Mário Nogueira, para a esfera comunista. Todos o dizem e alguns o escrevem.

Até se diz que a FENPROF nunca assina qualquer tipo de acordo e que nunca tem propostas.

Na mesma linha de argumentação, parece-nos que faz todo o sentido colocar algumas organizações no lado partidário (sim, partidário!) a que pertencem. A que partido pertencem os dirigentes sindicais que assinaram com o MEC? Porque ninguém o diz, nem ninguém o escreve? É pecado ser comunista, mas não é pecado ser militante do PSD?

Tal como escrevemos no Aventar, há muito se sabiam duas coisas: a FENPROF não assinaria e a FNE assinaria sempre. Os outros não contam porque não representam, de facto, ninguém.

Para a FNE, as diferenças entre a proposta inicial do MEC e aquilo que foi assinado, justificam o sinal de vitória.

Para a FENPROF, as contas são feitas de outro modo – entre a legislação que existe e a que aí vem, que vantagens há para os professores?

Quem souber responder…

Comments

  1. Ora… aquelas “propostas” que li foram meras manobras de diverão para nos distrair da coisa que estava para aquela que ficou. Todos se vão esquecer da angústia deste intervalo que foi correr o risco de ficar sem a primeira prioridade. No entanto, parece-me que muitos mais irão ficar também e se já éramos mais que muitos e a lista de graduação que alongava-se bastante, mesmo ao nível da primeira prioridade… então agora…

  2. Queres uma lista (confesso que só li o que me diz respeito, o resto foi a correr)?

    Não vi nada que piorasse, muito pelo contrário. Podia ser melhor? podia, sobretudo no que toca à periodicidade dos concursos, que em nome da estabilidade do quadro das escolas vai continuar a cometer flagrantes injustiças, porque as vagas internas já sabemos que não vão abrir.

  3. João Paulo says:

    #3. Meu caro JJC, a um sindicato devemos exigir que, quando assina, o faça para algo que é melhor para os seus sócios, certo? Só há uma verdadeira coisa positiva neste documento – a clarificação dos horários zero. Tudo o resto, para os do quadro é irrelevante. Para os contratados é tudo pior.

  4. Não posso deixar de dizer quais eram as expectativas com a entrada em funções deste governo.

    – fim dos concursos nacionais
    – entrega total das colocações (quadros e contratados) às autarquias e/ou às escolas.

    Há quem se esqueça disso.

  5. Maria says:

    A seu tempo eles lá chegarão caso os professores se deixem adormecer neste embalo…é-lhes estrutural, eles não desistirão e terão sempre os amigos a garantir acordos!

  6. João Paulo says:

    #5. Obrigado pelo teu comentário. Então agora as análises são feitas em função das expectativas? E assinar o acordo significou afastar essas expectativas? Eu, se calhar, até era dos que tinha essas expectativas. Mas, continuo a pensar que isso um dia vai chegar. O problema é que não há dinheiro para “nos” passar para as autarquias, mas a influência dos partidos (em Gaia, o PSD, por exemplo) na escolha de alguns directores é meio caminho andado para o que virá a médio prazo. O meu ponto de análise é outro: a lei que temos e a lei que vamos ter. Nesse aspecto, em relação aos docentes dos quadros, melhora a questão dos horários zero e nada mais. Em relação aos contratados fica QUASE TUDO PIOR. Faz sentido um sindicato assinar algo que torna as coisas piores para os seus associados?
    E se não assinassem? Seria a primeira proposta? Não me parece… E, a cada hora que passa mais me convenço de que este cenário estava previsto há muito tempo. Aliás, escrevi antes do acordo o que ia acontecer e acertei. Era tão simples de ver.
    JP

Trackbacks

  1. […] esta primeira leitura, fica completamente clara a leitura do post anterior: foi um acordo partidário, não foi um acordo político. partilhar:Facebook Esta entrada foi […]

  2. […] entre a primeira proposta e o que foi acordado há claras melhorias. É verdade. Mas, como escrevi antes, a comparação tem que ser feita com a lei que temos e a que vamos ter: qual era melhor? Faz […]

  3. […] Mas, hoje há interferências dos partidos no movimento sindical docente? Claro que sim e já o escrevi. […]

  4. […] goste-se ou não, está, em relação ao poder, do outro lado da folha. Já aqui escrevemos sobre o papel destinado aos sindicatos que assinaram o acordo com o MEC – com comportamentos destes é absolutamente […]

  5. […] FNE, federação sindical de professores próxima do PSD, tem assinado tudo quanto é acordo com o sr. Ministro e depois, quando percebe que a onda está lançada, […]

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