Despacho de organização do ano lectivo 2012/2013: primeira análise

Parece a história do rei vai como Deus o trouxe ao mundo, mas é mesmo assim: despedir é a intenção de Nuno Crato, nada mais que isso: DESPEDIR!

A intenção é clara – não gastar em educação o que é preciso para os Bancos, para as parcerias e para todos os tachos dos boys laranja.

Há outro caminho. Tenho dificuldade, reconheço, em dizer qual. Mas, por aqui é que não pode ser porque o Comentador Nuno Crato do alto da sua sapiência televisiva está a mexer no que até agora estava mais ou menos intacto – o trabalho com os alunos.

E, ao longo de todos os pontos do Despacho, não há uma única proposta que, ainda que simbolicamente, possa significar investimento na situação x ou y. Nada. Apenas um conjunto de medidas com um denominador comum: ter menos professores na escola.

Vamos lá então à fundamentação desta reflexão através do texto do dito cujo:

Artigo 2º: b) «Hora», o período de tempo de 60 minutos, no caso da educação pré -escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, e o período de 50 minutos, nos restantes níveis e ciclos de ensino.

Ou seja, do 5º ao 12º os tempos eram de 45 minutos e agora passam a ser de 50, ou seja, o horário completo (22 tempos) de trabalho letivo passa de  990 minutos para 1100. Aumentam o horário de trabalho em  11,1%.

Contas para despedir: em cada horário completo, são “quase” dois tempos, logo, em cada 10 docentes, um será despedido.

Nos artigos 5º e 6º referem-se às horas disponíveis para as equipas diretivas. A redução é também brutal. Numa escola hoje o Diretor não dá aulas, algo que se pode manter. Os sub-diretores, na generalidade, também não dão. Os adjuntos têm algumas horas letivas – uma turma ou pouco mais. Ou seja, além do Diretor, numa equipa de 4 pessoas há cerca de 70 horas para o trabalho de gestão da escola.

Com o novo Despacho esse número vai de 58 a  64 horas no máximo. Num contexto de mega-agrupamentos, esta medida vai também significar menos horários.

Contas para despedir: em cada 4 escolas, um horário a menos.

No ponto 4 do artigo 7º apresenta-se o crédito disponível para os Diretores de Turma (DT). Também aqui se corta, e muito. Até agora, cada DT tinha dois tempos do seu horário para fazer o trabalho de DT – agora serão apenas 1,5 tempos por cada turma, o que me leva a pensar que alguns DT terão um tempo e outros dois, desde que a média da escola não ultrapasse a média de 1,5 por turma.

Contas para despedir: em cada turma perde-se meio tempo, logo, em 44 turmas, um Professor será despedido.

O artigo 8º refere-se à componente letiva dos professores:

A componente letiva, a constar no horário semanal de cada docente,
encontra -se fixada no artigo 77.º do ECD, considerando -se que
está completa quando totalizar 25 horas semanais, no caso do pessoal
docente da educação pré -escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, ou
22 horas semanais (1100 minutos), no caso do pessoal dos restantes
ciclos e níveis de ensino, incluindo a educação especial.

Tal como referi no inicío desta análise o horário de trabalho é aumentado. Além disso, cruzando esta carga horária – 110 minutos com a proposta de organização do currículo, temos um horário completo com 24 tempos de 45 minutos. Isso mesmo: eram 22 e passam a 24 tempos e 20 minutos.

Alguns dirão que se trata de colocar na componente letiva os tempos destinados a outras atividades – é verdade. Mas os supervenientes ou TOA’s eram usados para um fim bem particular – agora podem ser letivos, apesar do que se diz no ponto seguinte.

3 — Sem prejuízo do disposto no número anterior, podem ser utilizadas até 2 horas (100 minutos) da componente letiva para: a) Prestação de apoio aos alunos; b) Dinamização de grupo/turma de modalidades de desporto escolar.

Em síntese, diria que os Professores com apoios vão ter dois tempos de apoios como aqui e os docentes das disciplinas sem apoios vão trabalhar mais horas.

Está por clarificar o  que vai acontecer aos docentes com redução de horário, mas o Advogado do Diabo fez as contas:

  • 20 horas = 22 tempos
  • 18 horas = 20 tempos
  • 16 horas =  17 tempos
  • 14 horas = 15 tempos

Contas para despedir – em cada 11 professores, um será despedido.

Ainda no ponto 3 do mesmo artigo oitavo (acima citado) é feita mais uma referência ao desporto escolar, que perde um tempo.

Contas para despedir: em cada 22 equipas de desporto escolar, um professor será despedido. Há, em média 4 ou 5 grupos equipa por escola, estaremos a falar de um professor na rua por cada 6 escolas.

Em relação às contas (complicadas!) sobre os créditos de escola, penso que será matéria muito particular de cada escola e de “geometria variável”, mas atendendo ao que escrevi antes, não me parece que se fique a ganhar grande coisa.

Até porque o Despacho é todo ele um conjunto de monstruosidades, se o nosso olhar for pedagógico. Duas notas para justificar esta apreciação:

– Artigo 13º: ” Ouvido o conselho pedagógico, o diretor decide a organização dos tempos escolares atribuídos à «Oferta Complementar» ao longo do ano letivo, podendo ser anual, semestral, trimestral, semanal ou pontual;”

Sublinho duas ideias: Ouvido o CP, o Diretor decide.

– Para calcular o crédito de escola é usado uma dimensão, o indicador da eficácia educativa (EFI) que resulta da avaliação sumativa interna e externa. Traduzindo para português, significa que as escolas com melhores resultados terão mais tempo. Creio que não é necessário sublinhar nada!

O patrão (MEC) procura ainda encontrar todos os mecanismos e mais alguns para reduzir a zero os horários zero:

– Artigo 4º, ponto 3 — Os docentes podem, independentemente do grupo pelo qual foram recrutados, lecionar qualquer área disciplinar, disciplina ou unidade de formação do mesmo ou de diferente ciclo ou nível, desde que sejam titulares da adequada formação científica e ou certificação de idoneidade nos casos em que esta é requerida.

Dito de outro modo, vale quase tudo, desde que o Diretor recorra à certificação da idoneidade que sabemos todos é algum bem raro nas suas (Diretores) esfera de influência.

No mesmo artigo, mas desta vez no ponto oitavo o MEC continua:

8 — Com vista a melhorar a qualidade da aprendizagem, e desde que a escola disponha das horas necessárias para o efeito, o diretor pode promover:
a) A coadjuvação na área curricular de Expressões, do 1.º ciclo, por parte de professores de outros ciclos e níveis de ensino pertencentes ao agrupamento;

(porta aberta aos docentes de EVT para trabalhar no 1ºciclo)

b) A coadjuvação em qualquer disciplina dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário de entre os docentes a exercer funções na escola;

(assessorias?)

c) A permuta da lecionação das áreas curriculares de Matemática e ou Língua Portuguesa, do 1.º ciclo, entre pares de professores do mesmo estabelecimento de ensino, nas situações em que tal se adeque ao perfil dos respetivos docentes.

(aqui pretende-se que docentes do primeiro ciclo, formados também para o segundo, possam dar aulas, por exemplo, de matemática em duas turmas, enquanto o colega com preferência pelas línguas, vem à sua turma “dar” português. É um perigoso caminho de tornar disciplinar o primeiro ciclo que importa equacionar).

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Comments


  1. Estas medidas estão claramente previstas no programa do governo (PDF).

    Na secção “Política orçamental em 2012”, pode-se ler no ponto 1.8:

    1.8. Reduzir custos na área de educação, tendo em vista a poupança de 195 milhões de euros, através da racionalização da rede escolar criando agrupamentos escolares, diminuindo a necessidade de contratação de recursos humanos, centralizando os aprovisionamentos, e reduzindo e racionalizando as transferências para escolas privadas com contratos de associação.

    E não se vão ficar por aqui. Se continuarem a cumprir o programa plurianual (e se o país não se desagregar), está previsto para 2013 o seguinte:

    1.29. Aprofundamento adicional das medidas introduzidas na Lei do OE para 2012, com o objectivo de reduzir as despesas nas áreas de:
    […]
    ii. racionalização do sector da educação e da rede de escolas: 175 milhões de euros;

  2. josé castro says:

    Parece-me que as escolas deveriam solicitar à EDP alguma ajuda para a leitura e intrepretação deste despacho. Com efeito, a EDP tem, seguramente, técnicos especialistas em língua chinesa que poderão decifrar o que o Ministro Crato (onde descobriram tal personagem?) quer. Isto não é um despacho, é um exercício de chinês. Valha-nos deus!
    Zé de Coimbra

  3. Fábio says:

    Quero voltar para a ilha!

  4. Miguel Dias says:

    A minha dúvida é: aumenta ou não a carga horária? Eles falam em 1100, isto é, 22 aulas de 50m. Aulas de 50 minutos significa que as turmas passam a ter apenas 3 tempos em vez de 4! Clara redução de componente lectiva. Por outro lado, 1100 são 24 tempos … os dois tempos de apoio continuam ou não?

  5. João Paulo says:

    Meu caro MD, obrigado pelo comentário. “A minha dúvida é: aumenta ou não a carga horária? Eles falam em 1100, isto é, 22 aulas de 50m. Aulas de 50 minutos significa que as turmas passam a ter apenas 3 tempos em vez de 4! Clara redução de componente lectiva. Por outro lado, 1100 são 24 tempos … os dois tempos de apoio continuam ou não?”

    Acho que está claro – o MEC mistura dois conceitos em dois documentos diferentes. Uma coisa é o horário dos profs. 1100 minutos por semana. Outra coisa é o horário dos miúdos, organizados em aulas de 45. Ou seja, em 1100 minutos de professores cabem 24,4 aulas. Ou seja, a componente letiva, aumenta, mesmo!
    JP


  6. Há aqui um erro básico de memória, meu caro.

    Até às invenções dos tempos de 45, que deram mais 3 tempos por causa da redução em relação aos tempos de 50… o horário completo de um professor eram 22 tempos de 50 minutos, ou seja 1100 minutos.

    Portanto, isto é apenas um retorno à forma anterior, pelo que esta parte não faz sentido:

    “Ou seja, do 5º ao 12º os tempos eram de 45 minutos e agora passam a ser de 50, ou seja, o horário completo (22 tempos) de trabalho letivo passa de 990 minutos para 1100. Aumentam o horário de trabalho em 11,1%.”

    Está errado.

    • João Paulo says:

      Olá PG, obrigado por comentares. Eu tenho essa ideia e aceito o erro. Tranquilo. Parece-me é que, no contexto atual, para os docentes que não são de MAT ou LP, isto vai realmente significar um aumento da carga letiva. Os 2 tempos dos TOA ou remanescente ou superve… ou sei lá que nome tinham mais, não eram de facto curriculares, sendo que, concordo contigo, eram letivos. Parece-me é que, com esta proposta, um docente de EVT pode passar a ter 24 tempos… e 20 minutos ainda para… sei lá o q. Certo?
      Digamos que se calhar escolhi as palavras menos certas, mas acho que estou a dizer o mesmo que tu, ou pelo menos a tentar heehh

      Abraços,
      JP

    • patriotaeliberal says:

      “Numa coisa Nuno Crato falou verdade alguns dias atrás… acredito piamente que ele não faz a mínima ideia dos efeitos da aplicação destas medidas nas escolas e no número de professores a não contratar ou a terem de andar a completar horário pelos quatro cantos dos mega-agrupamentos.”

      Então, professor Paulo G., se o ministro da educação e ciência não faz a mínima ideia dos efeitos destas “medidas (….)”, eu pergunto:

      O que é que o ministro está está no MEC a fazer?

      Hum?

      • Esmeralda Maria Viegas Calado Fonseca Loureiro says:

        Eles pensam”Ora vamos lá dar meia duzia de nós na cabeça destes profes e enquanto os tentam desfazer vamos rindo e inventando mais alguma coisa pois temos que mostrar TRABALHO”
        Ando mortificada por ter de dizer a dois colegas que têm horário zero

  7. patriotaeliberal says:

    Paulo Guinote,

    Há aqui um erro básico de análise, meu caro.

    Este seu discurso do talvez, quem sabe, provavelmente e etc em defesa do MEC/Nuno Crato e das suas políticas, faz-me lembrar o discurso do Pedro PCoelho a elogiar a “paciência do povo português” e a “compaixão” que sente não sei por quem…

    Pois, vá acreditando, continue com essa beata atitude de paciência e do acreditar piamente (?!) e, quiçá, de alguma compaixão pelo senhor do plano inclinado.Faz muito bem e é bonito manter a coerência. Com estes zigue-zagues coerentes ainda o vou ver a descer a Avenida da Liberdade (embora do lado do passeio) a acompanhar o Nuno Crato, o Passos Coelho e o Álvaro Santos Pereira.


    • A confusão criada não é inocente e tem dois objectivos: evitar que se possa saber exatamente quantos saem e passar a bola aos diretores para com ela dentro de um clima mais esotérico possam em nome da autonomia colocar os amigos e vizinhos. Para tal há sempre uns projetos e uns truques e eu sei do que falo.
      O MEC está entregue à bicharada que sabe tratar da vida e nem se pode chamar corrupção mas favores em cadeia.


      • Na minha escola começamos a criticar a matriz e a questão 45′/50′ (lá isso foi diretamente decidido pela direção sem ouvir o pedagógico, nem os departamentos) e recebemos logo um mail do diretor a explicar quem manda e que estava “atento a desvios”… Tive que tirar a identificação para não acabar sem horário ou sabe-se lá o quê, mas leiam o palavreado:
        “Em conformidade com os pressupostos que norteiam os atos de gestão da Direção Executiva, alerto para o facto de todas as intervenções e decisões tomadas por este órgão, consistirem num resultado do que sabemos ser o dever de serviço Público de Educação.
        Trabalhamos conjuntamente, planeando as nossas as acções em equipa, discutindo e refletindo sobre tudo o que constitui a vida do nosso Agrupamento de Escolas, produzindo e dinamizando interações percussoras de estímulos emocionais e afetivos que contribuam para a melhoria das condições do trabalho colaborativo de todos.
        Estamos num tempo de alterações curriculares e por isso mesmo, atentos a todos os inconvenientes provenientes desta Revisão Curricular e, por inerência, muito atentos a qualquer “desvio” ou “paralelismo” de interesses que desvirtuem o nosso sentido de responsabilidade.
        Assim, reforço esta mensagem com elevado sentido de responsabilidade, inerente a todas as decisões provenientes de um sentido de verticalidade que deve assistir a quem toma decisões e delas tenha de prestar contas, pois trata-se de um desiderato exigente e difícil de concretizar.
        O Diretor…”

  8. paulo costa says:

    PG, a história dos TOA é a actual. Estes tempos não são usados para actividades lectivas. Certo? Voltando aos 50, passam a ser lectivos. Certo? Então, há aumento da carga horária LECTIVA. Certo?

  9. Anónimo says:

    Quando na escola onde trabalham alguém se lembrar de organizar um baile de finalistas, um torneio de futebol, uma visita de estudo, uma exposição ou outra atividade similar, observem com atenção o cuidado com que os organizadores preparam todos os pormenores, desde a simetria das cartolinas às cores dos arranjos florais, passando pela distribuição das turmas nos autocarros e pela seleção do dia em que menos se perturbam as aulas das disciplinas sujeitas a exame nacional. Atentem bem na diligência, competência e solicitude dos professores, que obstinadamente ignoram os múltiplos [pequenos] e enormes agravos que lhes foram feitos pela democracia deste país e continuam a ser professores/ pais/ irmãos/ psicólogos/ enfermeiros/ amigos/ juízes/(…). Gravem na vossa memória TODAS as tarefas que executam BEM e TODAS as decisões que tomam, graças a incontáveis horas de cuidado e reflexão – e sintam a vossa autoestima (como odeio este acordo ortográfico!) inflamar-se, preencher cada bocadinho do vosso espírito! Especialmente se analisarem a seguinte cronologia:
    – após jornadas publicitárias que rivalizam com os discursos do Hugo Chavez em repetição, tédio e demagogia, chega à comunicação social a proposta do ME para a nova organização curricular, injetando tanta adrenalina no corpo docente luso que este, durante alguns dias, esqueceu o corte de subsídios e batizou o ministro e os políticos em geral com criativas combinações de vocábulos que encheriam de orgulho Eça, Bocage, Florbela e afins;
    – no rescaldo dos tumultos , o Conselho de Ministros aprova um novo documento, só para provocar riso e desanuviar o ambiente, mas fracassa: professores de educação física e associações de saúde ameaçam o governo e o público com toneladas de banha a arrastarem-se para os hospitais e urnas de voto; adeptos dos 45’ enfrentam com facas de sushi os cutelos dos adeptos dos 50’; grupos de educação tecnológica ameaçam e/ou subornam direções executivas, que por sua vez começam a olhar para o alcoolismo e toxicodependência como opções de vida tão legítimas como qualquer outra; no purgatório, o grupo de educação especial pratica rituais ancestrais de purificação e boa fortuna; ocorrem cenas de canibalismo social entre História e Geografia; Português e Matemática esgrimem os exames nacionais com mestria olímpica…
    – profundamente ofendido, o ME tenta explicar que nada está decidido, que pode contentar toda a gente, que não tem propostas fechadas, que tudo é possível, provocando um tsunami de chacota e desdém entre o corpo docente, sindicatos e associações do setor;
    – ressentido, o ME prova que, efetivamente, TUDO, mas absolutamente TUDO é possível, publicando um novo documento e acrescentando a pérola do despacho de organização do ano letivo, num trabalho interessantíssimo que deve ser apreciado com a consciência de que nos 2.º/3.º ciclos uma hora corresponde a 50’ e o horário completo de um professor são 22 horas semanais (1100 minutos);
    – a tranquilidade é temporariamente alcançada, na medida em que professores(?) e direções executivas terão que reler o Código Da Vinci para entenderem o que poderá acontecer e a quem, se esta ou aquela decisão for tomada, numa roleta russa que faz a troika parecer um urso de peluche fofinho;
    – triunfante, o ME comunica ao resto do governo que a solução para governar este jardim à beira mar plantado é gerar o caos público e transformar em arte aquela máxima política do Não confirmo, nem desminto, bem como a máxima religiosa Lavo daqui as minhas mãos.
    E agora, professor/professora, diga lá se a sua pessoa não é um assombro de retidão, competência, empenho e dignidade em tudo o que faz ao longo de cada dia de trabalho?

  10. Anónimo says:

    Na minha escola começamos a criticar a matriz e a questão 45’/50′ (lá isso foi diretamente decidido pela direção sem ouvir o pedagógico, nem os departamentos) e recebemos logo um mail do diretor a explicar quem manda e que estava “atento a desvios”… Tive que tirar a identificação para não acabar sem horário ou sabe-se lá o quê, mas leiam o palavreado:
    “Em conformidade com os pressupostos que norteiam os atos de gestão da Direção Executiva, alerto para o facto de todas as intervenções e decisões tomadas por este órgão, consistirem num resultado do que sabemos ser o dever de serviço Público de Educação.
    Trabalhamos conjuntamente, planeando as nossas as acções em equipa, discutindo e refletindo sobre tudo o que constitui a vida do nosso Agrupamento de Escolas, produzindo e dinamizando interações percussoras de estímulos emocionais e afetivos que contribuam para a melhoria das condições do trabalho colaborativo de todos.
    Estamos num tempo de alterações curriculares e por isso mesmo, atentos a todos os inconvenientes provenientes desta Revisão Curricular e, por inerência, muito atentos a qualquer “desvio” ou “paralelismo” de interesses que desvirtuem o nosso sentido de responsabilidade.
    Assim, reforço esta mensagem com elevado sentido de responsabilidade, inerente a todas as decisões provenientes de um sentido de verticalidade que deve assistir a quem toma decisões e delas tenha de prestar contas, pois trata-se de um desiderato exigente e difícil de concretizar.
    O Diretor…”

  11. O ZERO À ESQUERDA! says:

    NESTE CONTEXTO APENAS POSSO DIZER QUE ME SINTO ROUBADO, ULTRAJADO,
    HUMILHADO E, ACIMA DE TUDO, REPUGNA-ME IMENSAMENTE O FACTO DE QUE QUEM ROUBA E AUFERE DE ALTÍSSIMOS SALÁRIOS INDEVIDAMENTE (+ subsídio de férias e de Natal), POIS ESTAMOS EM CRISE (OU NAÕ?), SEJAM AQUELES QUE DITAM AS LEIS E AINDA SE VANGLORIAM DE ESPEZINHAR TODOS OS QUE CONTRIBUEM PARA MANTER O SEU ÓTIMO NÍVEL DE VIDA. ABRAMOS TODOS OS OLHOS POIS TEMOS VINDO A SER ROUBADOS À DESCARADA!!!

  12. CJRA says:

    Não sou professor, não sou entendido na matéria, sou apenas um pai que tem um filho na Escola Alemã de Lisboa que entra todos os dias às 8 EM PONTO (3 atrasos resulta numa comunicação aos pais), anda no 8º ano, tem 14 disciplinas – mat, fís, bio, geo, qui, port, ing, alem, fra, inf, educ fís, ética, artes (no primeiro semestre) e música (no segundo), são tempos de 45″, tem 2 dias aulas o dia todo, 3 DIAS SEM AULAS À TARDE, o tempo para almoçar nesses 2 dias são 55″ e as aulas acabam às 15:40, nos outros 3 dias as aulas acabam às 13:20, o ano lectivo começa IMPERATIVAMENTE no 1º dia útil de Setembro e acabava IMPERATIVAMENTE no último dia de Junho. Eu disse acabava porque com a “tão badalada” falta de engenheiros na Alemanha, o ME alemão restruturou tudo num ano. Retirou tempos a letras e reforçou os tempos a ciências. Introduziu química no 7º ano ( era no 8º. Este ano os alunos do 7º estão a dar a matéria dos do 8º). Ao retirar tempos a letras, uma das disciplinas que sofreu foi o alemão (que para o caso dos portugueses a turma, que é de 24, separa-se em duas para um maior aproveitamento). A escola resolveu compensar a redução de 6 tempos para 4 com uma aula extra às sextas-feiras por “conta” da escola. As aulas este ano não acabam no último dia útil de Junho mas sim no dia 7 ou 8 de Julho. Para o ano vai ser a mesma coisa. Têm 15 dias de férias no Natal e Páscoa, 5 dias no Carnaval e 5 dias de Outono.
    Aqui a escola é privada mas isto é o que passa nas escolas públicas da Alemanha. Se eles conseguem gerir isto porque é que nós não conseguimos? Em Portugal a partir de meados de Junho é para esquecer, as aulas começam, na melhor das hipóteses em meados de Setembro, não começam (penso) às 8 horas, as pausas para almoço são superiores a um tempo de aulas (penso), somos um país com défice de formação atendendo à média europeia mas líder em número de professores por aluno/habitante ou lá o que é. O Director do sector português dá aulas. Já tenho as regras todas para o próximo ano lectivo, com férias, feriados, pontes e tudo o mais.
    Volto a perguntar: se eles conseguem, se aquilo funciona, se restruturam tudo de um ano lectivo para o outro porque é que nós não conseguimos? COPIEM, NÃO INVENTEM, NÃO DISCUTAM O SEXO DOS ANJOS, TRABALHEM, PASSEM MAIS TEMPO NA ESCOLA. Fala-se tanto do modelo da Finlândia mas lá os professores passam em média 10 horas na escola.
    Não percam tanto tempo com mesquinhices, dediquem tempo ao ensino, à escola e aos alunos. SIRVAM A EDUCAÇÃO EM VEZ DE SE SERVIREM DA EDUCAÇÃO!

    • profg says:

      Falta reflectir e clarificar. Na minha escola os alunos iniciam as aulas às 8.15h, e terminam dependendo dos dias as 15.45h, 16.35h ou 17.30h. Tem normalmente uma tarde livre por semana. A hora de almoço e de 1h pois as regras do MEC em relação a EF implica isso mesmo. Existem alunos que tem mais tempo de almoço se não tiverem apoios, clubes ou outro tipo de actividades equivalentes. No entanto estão disponíveis salas de estudo com professores para apoio nesse mesmo horário (logo os alunos podem fazer os trabalhos de casa, tirar duvidas, estudar, etc). As aulas este ano tiveram inicio na 2ª semana de setembro e terminaram na 2ª/3ª de junho, por ordem do MEC sendo que está inerente um calendário apertado de exames. Número de aluno/professor é superior em Portugal?! depende da escola/local a que se esteja a referir. Tenho 20 anos de ensino e em média nunca tive menos de 25 alunos por turma (tenho neste momento 28 alunos por turma). Se vamos comparar eu também quero enquanto professora as condições físicas e os recursos que existem nos outros países, nomeadamente cadeiras e mesas adequadas (e não estragadas) salas com janelas em condições e em que não chove. Depois quero as condições de trabalho de muitos professores ao nível de horário e de espaço de trabalho (uso o meu computador porque não há, bem como outros materiais…) já para não falar de outros aspectos. Nunca tive mais dias do que os estabelecidos de férias e nos restantes, as reuniões e a preparação de materiais e outros aspectos levam a que muitos fins de semana sejam passados a preparar aulas. Não me importo de ser comparada com outros países mas então comparem o nível dos alunos e o empenho dos pais e encarregados de educação. Quero ainda a estabilidade ao nível das políticas que em 20 anos raramente vi em Portugal.

  13. João Paulo says:

    Meu caro CJRA, claro que é possível. E tocou no ponto central – a organização. Para ter uma ideia do nível do MEC repare que o Documento publicado com a matriz curricular teve três versões em 8 dias. Ou seja, o documento estruturante, o verdadeiro pilar, em 8 dias, 3 versões. Imagine o que acontece no resto. Diria que 10 anos sem leis novas na educação e tudo irá ficar certamente melhor – volte a legislação ao Ano 2000 e ficamos com ela até 2020. Sem qualquer alteração. Seria o paraíso! Seria fantástico.
    JP

  14. João do Calvário says:

    Este é só um dos primeiros passos! O calvário do senhor dos passos ainda vai no sopé do Gólgota. Mesmo malta com 20 e mais anos de serviço há-de ir para a porta do IEFP… E os próximos anos serão de grande inovação: os grandes grupos económicos perfilam-se para, a custo zero, ficarem com o filé mignhon do ensino: as escolas das grandes cidades e dos subúbios, populosas atrativas. As do interior: Barrancos, Vimioso …. ficam para a camarazinho! Isto é que é gerir!
    Aí as chagas crecerão: se hoje uma escola tem 100 profs, na era capitalíssima não terá mais do que 60 ou 70…. Cá estaremos!

  15. Paula Ribeiro says:

    Como professora sinto-me revoltada com tudo o que está a acontecer e ao mesmo tempo impotente. Como professora de EVT sinto-me triste porque destruiram uma disciplina tão importante para os alunos e tb tantos lugares de professores que vão ao ar e que adoram aquilo que fazem.

  16. Maria says:

    Resposta a CJRA.
    O Senhor não percebe nada do ensino público. Neste momento, as escolas publicas ainda estão à espera das regras para o próximo ano letivo. Não são os professores que falham, é o Ministério. A Escola Alemã, tem menos aulas e mais férias do que a pública, conheço-a muito bem e os professores lá não se queixam. É bem organizada e os professores sentem-se motivados, por isso não são os professores que não querem trabalhar. Os alunos estão em franca vantagem, pois com essas disciplinas todas escolhem as melhores classificações, deixando as piores de fora para fazer as suas médias de curso, concorrendo em pé de igualdade com os do ensino público. Algumas faculdades guardam mesmo algumas vagas para os alunos da Esc. Al. Pode ter a certeza, não faz nem ideia do que é o ensino público e dos bons professores que possui, aliás os professores portugueses da Escola alemã também dão aulas no público. Nas escolas públicas há cursos com aulas até meados de Julho e alguns professores nem conseguem ter tempo para gozar as férias. Procure informar-se para não dizer tolices.

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