Se o Ministério da Educação fosse uma pessoa, seria viciado em drogas duras

O João Paulo, recentemente, chamou a atenção para o facto de que não é aceitável ou compreensível uma empresa da dimensão do Ministério da Educação não ter, ainda, o próximo ano lectivo completamente organizado.

O Paulo Prudêncio, nas centenas de textos que já escreveu sobre gestão escolar, ainda não se cansou de repetir que um ano lectivo tem de estar preparado com vários meses de antecedência, continuando, ainda, a insistir na importância de um valor como a estabilidade, nomeadamente no que se refere à produção legislativa.

Há pouco tempo, fiz referência a um dos muitos disparates que chegam às escolas no final do ano e que tem dado que falar na blogosfera docente: a obrigatoriedade de as direcções indicarem, até dia 6, quantos professores do quadro ficarão com horário-zero. Para isso, as escolas têm de saber, evidentemente, quantos alunos, turmas e disciplinas terão no próximo ano lectivo. Ora, não é possível reunir essa informação até sexta-feira, porque, entre outras questões, há legislação por publicar, há matrículas a decorrer, há resultados de exames que ainda não são conhecidos.

Seja como for, os professores com horário-zero serão obrigados a apresentar-se a concurso, a fim de poderem ir para outra escola em que sejam necessários.

Entretanto, e enquanto concorrem, os vários estabelecimentos de ensino continuam a reunir a informação necessária para saber, finalmente, de quantos professores precisam. Pode, então, vir a acontecer esta coisa extraordinária: alguns dos professores que concorreram, afinal, são necessários.

Qualquer pessoa no seu juízo perfeito concluiria que deveria continuar a fazer-se o que acontecia em anos anteriores: depois de feitas as contas, as escolas indicariam as necessidades e, só então, os professores com horário-zero teriam de concorrer.

O Ministério da Educação propõe, em vez disso, insistir na realização de um concurso prematuro. No entanto, se as escolas descobrirem, posteriormente, que precisam de professores que concorreram, podem repescá-los, obrigando instituições e pessoas a trabalho estupidamente redobrado porque inútil e antecipando preocupações.

Não nos é lícito duvidar de que o Ministério da Educação seja uma pessoa de bem, mas decisões como esta só podem resultar do consumo de drogas duras, como a burocracia e a legislação marada. Antevejo, com pesar, um fim triste para esta respeitável instituição e já a imagino a arrumar carros para sustentar o vício.

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    Será que este govrno tem sabido fazer algo de novo ou renovado a não ser destruir o que estava bem e menos bem e ainda VENDER o que pode e tanto emprego (desemprego) custa – quem se fartou do cavaquismo ?? E agora o que há ??? Meninos assessores de 23 anos que ganam mais do que os licenciados de 5 anos e teses de um ano ?? (terão a 4ª classe ou Relvas chama-os de “doutores”??) e o curso de “economia” do primeiro ?’ que nem gere o que está certo (não saberá talvez o que está certo) nem gere coisa nenhuma nem a “venda” do património de que nem sabe o “valor” ?? Vou ver o TOUR na TV – é muito mais interessante – O ano lectivo não está ainda completamente organizado ?? Tanto mal se disse da ministra Lurdes (de quem nem opinião concreta tenho) mas o que há de bom nestes vendilhões do templo ?? è pior do que o cavaquismo . eu caho mesmo – ao menos aprendeu-se muito e ainda havia “alguma poupança” de muita gente – agora nem nos bancos ?? delapidar é verbo a aplicar ?’ E porque está agora tão calda Ferreira Leite que tinho tanto ódio ao PS que revirava os olhos ??? anda muito calada (e mais bem vestida não parecendo mais uma empregada doméstica que se levanta às 4 da manhã e nem penteada também andava – parecia desgrenhada) – pois estes senhores vestem bem e de negro, bonito nó de bonita gravata, cabelo vem cortado e alguns bem “pintados” – ai que a fachada é importante mas as peredes ruiram

  2. Pedro Marques says:

    Tudo fazem para destruir o ensino público, e fazerem com que só os meninos de bem possam ter acesso à escola.

  3. luisa Sousa says:

    É o processo para humilhar quem trabalha e gosta de trabalhar.


  4. dá no cavalo….looll

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