Acordo Ortográfico: sabor a pacto

Encontrei, no repositório do costume, mais uma prova de que o chamado acordo ortográfico (AO90) é uma fonte de problemas, o que não é de admirar, se tivermos em conta que o alegado acordo está carregado de incoerências. Ora, num país em que o ensino da língua materna tem sido bombardeado por quintalórios universitários aliados a gabinetes cheios de reformistas instintivos, o acrescento do AO90 constituiu a gota de água que fez transbordar o balde.

O jovem militante partidário João Lemos Esteves tem uma crónica no Expresso, esse jornal de referência no campo do nacional-acordismo. No dia 2 de Junho do ano passado, o jovem cronista militante referia-se a um “pato de silêncio”. O que poderá levar um jovem escriba a retirar de “pacto” um “c” que nada tem de silencioso?

Poderá sempre aventar-se a hipótese de que o moço não consiga pronunciar a gutural surda, o que o levará, num futuro próximo, a escrever “atorze” (ou “arago”, se for um tripeiro). Julgo, no entanto, que estamos na presença de um dos muitos fenómenos de oscilação ortográfica introduzidos pela coisa a que chamam acordo ortográfico.

Assim, diante de consoantes amorosamente encostadas, e graças a novas analogias criadas pelo AO90 (como “ato” em vez de “acto”), o escrevente inseguro cria mutações como “contato”, “fato” e “pato”. O pacto transforma-se, assim, numa ave em perigo de extinção. Graças ao AO9o, descobre-se, então, uma nova ciência: a zoortografia.

 

Comments

  1. Miguel Costa says:

    Houve um Pato (este com maiúscula). Um OCtavio. Mas este já faleceu. E nem pertencia ao partido de militância do jovem cronista. Apesar do seu silêncio forçado nunca foi conhecido pela falta de emissão de opinião, pelo que a ausência de palavra nunca foi o seu forte.
    A outra vertente seria a da dita ave que fica muito bem a acompanhar o arroz (de preferência com umas rodelas de chouriço e queijo gratinado). Neste caso acredito que o bicho tenha ficado mudo depois de saber a sorte que o esperava.
    De fa(C)to o fato que o senho usou apenas o tornou mais “papista que o papa”.

  2. J.V. says:

    Mesmo após o acordo ortográfico, “pacto” escreve-se “pacto”.
    http://www.flip.pt/Acordo-Ortografico/Texto/Base-IV-Das-sequencias-consonanticas.aspx
    Acredito que o AFN o saiba, mas não fica muito claro por entre toda a ironia do texto.


  3. Pois é. Mas há o contrato, que antes do acordo tanta gente escrevia contracto. Não era ainda mais absurdo que as pessoas inventassem c’s onde eles não existiam?

    • Illusive Man says:

      Acho que mais absurdo é retirar consoantes diacriticas e “fazer de conta” que existe acentos imaginários naquelas vogais como espetadores e receção e outras alarvidades do género.


      • Pois é, Man; como será que vc agora vai prenunciar corretamente “actual” ou “tactear” sem aquele ‘c’ mudo “diacrítico”?
        Mas mais difícil ainda é saber como é que vc consegue pronunciar “especular”, “ilação”, “relator” ou “caveira” e inúmeras outras com aquelas pré átonas abertas e… sem um diacrítico que indique a pronúncia correta.
        Pode tomar nota. as consoantes mudas supostamente diacríticas só fazem falta aos bolsos dos maus tratudores e dos editores papões.

        • António Fernando Nabais says:

          Um bocadinho de seriedade não lhe ficava mal, ó Silva: é evidente que em “actual” o c não tem valor diacrítico e é evidente que há vogais que se pronunciam abertas sem sinais diacríticos, mas, se quisesse mesmo saber, ia estudar e descobrir que está a falar de excepções. Vá ler Rebelo Gonçalves, Houaiss e muitos outros.


          • Nabais.
            Uma “regra” em que as “exceções” são mais que muitas e funcionam sem que ninguém dê por nada não é uma regra, é uma invenção. A regra é: “a pronúncia é uma herança fonética que antecede e sobrevive à aquisição da ortografia, exceto por decisão consciente do falante.” Isto, sim é uma regra, que funciona sempre, a ponto de lhe deixar claro porque uns dizem “aldâia” e outros “aldêa” apesar de escrevermos todos “aldeia”, ou porque dizemos todos muito com /ui/ nasal apesar de nunca o escrevermos. Nunca leu nenhum especialista a dizer isto? Então, problema dos “especialistas” e não da regra..

            Pense pela sua cabeça, raciocine, e verá que o que escrevi no comentário acima e neste são factos, não são opiniões de “especialistas”.

            As maiores trapalhadas ortográficas foram cometidas por “especialistas”.
            Eram “especialistas” aqueles que no século 19 começaram a escrever lyrio e lagryma com y, contrariando a etimologia.
            Eram “especialistas” aqueles que 1911 fixaram um sistema de identificação de tónicas que nos obriga hoje a assinalar a exceção e não a regra no caso das palavras terminadas em -ia/-io, para além de outros disparates inadmissíveis que, basicamente, ainda hoje usamos.

            É a propensão dos portugueses em seguir “especialistas” em vez de pensar pela própria cabeça que nos faz aceitar que os “especialistas” que fizeram as PPPs ainda não tenham desistido de fazer um aeroporto em Alcochete, ainda que fora de Portugal os aeroportos tenham uma taxa de ocupação por slot muito maior que a de Lisboa e ninguém pense em fazer aeroportos novos.

            Não tenha medo de dizer “o rei vai nu”.

            Tema central resolvido, e atendendo ao tom pessoalmente ofensivo que voltou a usar, tenho de lhe voltar a repetir que mostrou que perdeu a razão, pelo que recorre à falta dela.

          • António Fernando Nabais says:

            O rei vai nu, sem dúvida, Silva. O AO90, tal como as PPPs, é defendido por especialistas úteis e desonestos, mais preocupados com lucros pessoais do que com a verdade científica. Quanto ao resto, já lhe disse que penso sempre pela minha cabeça, o que não me impede de ler o mais possível, procurando pensar a partir daquilo que escrevem autoridades científicas, concordando ou discordando. Como de costume, não está para perder tempo a demonstrar quais são as regras e quais são as excepções e debita umas vulgaridades sobre o modo como se aprende a pronunciar, como se não houvesse relações complexas entre a ortografia e a fonética. Na minha vida académica e profissional, aprendi que, para contrariar autoridades, tenho de as ler e argumentar. Ainda não li nada em que o faça. Isso é não ser sério.

        • Illusive Man says:

          Eu abro o A em actual e é comum ouvir os por exemplos os jornalistas a abrirem o A em Actual, eu pronuncio o C em Tactear, tal como pronuncio o P de Egipto entre muitas outras (e não venha com cenas de pronúncias “corrêtas”, senão qual é efectivamente a pronúncia certa, a de Lisboa, do Norte, dos Açores, a alentejana?)

          ” as consoantes mudas supostamente diacríticas só fazem falta aos bolsos dos maus tratudores e dos editores papões.”

          Como as editoras inglesas, americanas e francesas, né? coitadinhos dos seus autores, ninguém compra os seus livros porque continuam a escrever em ortografias “arcaica” como escrever com o ph, consoantes duplas, o “português grande” do seu site é que é a resposta a todos os males, não é? Com o “portuguez grande” como está escrito no link do seu site (tem a sua piada) vêm agora hordas de estrangeiros para Portugal e Brasil aprenderem português, em todos os países do mundo vão mandar o inglês para o raio que a parta porque apareceu essa lingua tão iluminada chamada português grande.

          E acho engraçado chamar racistas e depois no seu site não permitir comentários em ortografia “desatualizada”, quem é que está a ser o racista aqui?

          “Uma “regra” em que as “exceções” são mais que muitas e funcionam sem que ninguém dê por nada não é uma regra, é uma invenção.”

          Engraçado, isso encaixa na perfeição a descrição da Base IV do acordês.

    • António Fernando Nabais says:

      O AO90 acrescentou erros que não existiam e não acabo com os que existiam, pelo que a referência a erros anteriores não fazem sentido como argumento a favor do chamado acordo ortográfico.

      • António Fernando Nabais says:

        “não acabou” em vez de “não acabo”. A culpa não foi do AO90.

      • António Fernando Nabais says:

        E mais: a referência…não faz sentido. A culpa também não foi do AO90.

      • Tiago Santos says:

        Da mesma forma então, o facto de alguém ter passado a dar erros por pura falta de conhecimento não é culpa do acordo ortográfico. Porque é que acto tinha c e contrato não? O sentido é as consoantes mudas deixarem de existir, não fazem qualquer falta. E quanto ao fato de serem ou não diacríticas, não é demasiado importante. Muitas palavras já tem sílabas acentuadas sem precisarem de acentos nem consoantes…

        • António Fernando Nabais says:

          Tiago, decida-se: facto ou fato? Tente lembrar-se se, antes do AO90, tinha essa hesitação.
          É evidente que o erro nasce sempre da ignorância (ou da distracção, se for ocasional). No entanto, o AO90 veio provocar erros que não existiam, facto para o qual vários especialistas já chamaram a atenção.
          Quanto ao valor diacrítico das consoantes, convém ler os linguistas. O próprio Houaiss, defensor do acordo ortográfico, sabia que essas consoantes tinham valor diacrítico. Muitas palavras já têm sílabas acentuadas sem precisarem de acentos nem de consoantes? E sabe se isso é regra ou excepção? Sabia que, de acordo com a reforma ortográfica de 1945, em cerca de 3000 palavras terminadas em -ação só 9 (nove) é que se pronunciam com a vogal pretónica aberta? Sabia que, com o AO90, esse grupo passaria a ter 54 excepções?
          As consoantes mudas não fazem falta? Está a propor a supressão do H inicial?

          • Tiago Santos says:

            Para quem ainda há pouco teve de fazer duas erratas a um comentário de três linhas, está agora muito exigente. Não é uma questão de exitação. É uma questão de hábito. Aliás, normalmente, nem escrevo de acordo com o AO90, simplesmente porque a ortografia parece-me algo simplesmente acessório.

            Quanto ao Houaiss, se aceitava o valor diacrítico das consoantes e mesmo assim era a favor do acordo, devemos pensar se ele realmente achava que essas consoantes eram assim tão importantes.

          • António Fernando Nabais says:

            Sou muito exigente, sobretudo comigo. É por isso que não gosto de escrever à pressa. É por ser exigente que me corrijo. Não relativizo os erros, sobretudo quando sou eu a cometê-los.
            O Tiago quis relativizar os seus erros e faz mal, sobretudo, quando, logo a seguir, escreve “exitação” em vez de “hesitação”. Esteja descansado: não vou culpar o AO90.
            O Antônio Houaiss não ACEITAVA; o Antônio Houaiss SABIA que essas consoantes tinham valor diacrítico. A partir do momento em que se sabe isso, não se pode defender a sua supressão, sobretudo quando o resultado de um chamado acordo ortográfico é, para cúmulo, não criar acordo ortográfico nenhum: por um lado, passamos todos a escrever “ação”; por outro, os brasileiros continuam a escrever “recepção” e nós passamos a escrever “receção”. Acordo? Qual acordo?

          • Tiago Santos says:

            Também não gosto de escrever à pressa, mas escrevi. Saiu-me exitação…Realmente não foi por causa do AO, Pato talvez tenha sido, contracto foi, certamente por falta dele…

            Quanto ao resto. Não concordo consigo. Mas pronto, sou obrigado a aceitar que tem alguma razão. Não me conseguiu foi ainda provar que termos deixado de escrever fructo ou pharmácia foi uma evolução que faz o AO90 pior do que o anterior.

        • Illusive Man says:

          “O sentido é as consoantes mudas deixarem de existir, não fazem qualquer falta.”
          É isso bora escrever á SMS, ortografia mais fonética que essa não existe.

          ” E quanto ao fato de serem ou não diacríticas, não é demasiado importante. ”
          Claro que não, acabe-se com os acentos também, que confusão ter elementos que fazem distinguir a forma de dizer as palavras, aumente-se as palavras homógrafas, assim é muito fácil, isso ter que carregar no shift + ~ para escrever um ^ dá muito trabalho…

          “Não me conseguiu foi ainda provar que termos deixado de escrever fructo ou pharmácia foi uma evolução que faz o AO90 pior do que o anterior.”

          Leia o Acordo ortográfico de 45 e encontrará as suas respostas.

          http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog45_73.pdf

          • Illusive Man says:

            Já agora: eu não teria problemas absolutamente nenhuns em escrever pharmácia com Ph, tal como não me faz confusão escrever pharmacy ou pharmacie, aliás nem a mim nem a maior parte das pessoas, basta ver as médias dos exames, excepto aos acordistas pelos vistos. provocam-lhes urticária ou algo do género

            E outra questão acerca das consoantes diacriticas, basta olhar para o caso italiano em que foram pela via fonética (que para os acordistas é o caminho para a Terra Prometida chamada lusofonia) ainda mais extrema que a portuguesa e a castelhana ao ponto de retirarem os H (isso já vem há mais de 500 anos) no entanto, eles tiveram a preocupação de manter a importância das consoantes diacriticas, substituindo (não eliminando como querem fazer com o acordês) as consoantes ditas mudas por consoantes duplas como o caso de capello (cabelo) onde se abre o E mas o A lê-se fechado e em cappello (Chapéu) tanto o A e o E já se abre.

            Eu não sei sobre vocês, mas considero a existência desses elementos muito mais uteis na aprendizagem de uma lingua do que sem eles, mas pelos vistos ter múltiplas formas de escrever a mesma palavra, ou a multiplicação de palavra homógrafas é que é o caminho para a luz.


    • Toda a gente escrevia “contracto”?
      Essa é nova p’ra mim!

  4. asdaf says:

    Este “acordo” está a revelar analfabetos onde menos esperávamos. Mas agora se calhar também já não se chama analfabetismo, devem ter deficientes ortográficos.
    Este acordo sabe a “pato” sabe…


  5. Já o é há muitos anos, quando tiraram os acentos de sede, séde e sêde, as coisas nunca mais foram as mesmas, só nos tem confundido. bfds

  6. A. Jesus says:

    infelizmente ate a “lingua” nao e nossa,agora escrevemos como falamos,(tipo indios)…Os outros e que teem de se adaptar aos nossos ajustes e nao o contrario,ou entao passem a dizer que a nossa “lingua” e a brasileira…


  7. É só para confirmar que os meus comentários estão bloqueados, pelo menos para os posts deste blogueiro .


    • Confirmo. Este comentário estava na nossa caixa de SPAM (classificado automaticamente como tal). Lamento a situação, nestes casos a única opção é esperar que alguém verifique a caixa de SPAM e o remova de lá… Vou estar atento.

      Edição: Se quiser, quando isto acontecer, pode escrever-me directamente para helder em tretas ponto org.


  8. Isto do AO90 é um problema; antes ninguém dizia “alorroidas”, nem “controlava” rotundas, nem dizia “hadem”. Também não se escrevia “vemde-se” nem “labar”, nem apareciam erros de ortografia nas tvs, além do que os jornalistas não diziam “vâlho” em vez de “velho” nem “Tâjo” em vez de “Tejo”.

    Agora, com o AO passámos a falar “brasileiro” e ficou tudo uma desgraça tão grande que se a Pátria não acaba hoje é porque acaba amanhã, para já não falar nos livros que entretanto foi (e vai continuar a ser) preciso queimar por causa da mudança da ortografia. Aliás, o cheiro a queimado que por aí anda é o pessoal a deitar fogo a livros escritos até mais ou menos 2011, não tem nada a ver com fogos de verão.

    Pronto, Nabais, agora escreva isto em “pt-br” e depois outra vez para “pt-pt” e veja se dá pra ganhar umas coroas com a “tradução”. Olhe que há quem viva disso.

    • António Fernando Nabais says:

      Fraquinho, Silva, muito fraquinho:
      a) ninguém disse que não se dava erros antes do AO;
      b) num país com tanta iliteracia, em que um livro é, na realidade, um luxo, defender que se proceda à incineração de livros que ainda poderiam ser úteis, mesmo que se seja a favor do AO, é inqualificável;
      c) ainda não demonstrou que é possível, graças ao AO90, escrever da mesma maneira no Brasil e em Portugal. Cobardia ou ignorância?


      • Pois, Nabais, a iliteracia é terrível; vai daí vc leu o que eu não escrevi sobre a queima de livros; limitei-me a reproduzir, com ironia, a opinião dos VdesGMs que ameaçaram que era isso que iria acontecer “se” o AO fosse aprovado.

        Ninguém escreverá como ninguém, e desde logo espero que o resto de país resista a escrever (e falar) em lisboês, assim como espero que o Vitor Hugo Mãe continue a não escrever como mais ninguém escreve. Isto não deve ser confundido com quererem-me impingir “traduções” que me impedem de aceder a livros (não me refiro a literatura) que originalmente foram escritos na versão brasileira da minha língua. Isso é inadmissível porque é e um ato de censura, de tacanhez e de racismo culturais, com o objetivo fundamental de dinheiro a ganhar a livreiros e tradutores papões e incompetentes.

        • António Fernando Nabais says:

          Pois, Silva, não sei se será a iliteracia de quem lê ou a de quem escreve.
          Entretanto, continua a iludir, cobardemente, o desafio: prove que um brasileiro e um português vão passar a escrever com a mesma ortografia, depois do AO90. Prove que o AO90 contribuiu para uniformizar. Não o faz, porque não consegue, mas não tem a hombridade de o admitir.
          Quanto ao resto, nunca fui a favor de ler edições de autores brasileiros modificadas para português europeu.
          Cuidado: é certo que o Hugo Mãe já não usa minúsculas iniciais, mas o acento em Vítor é para manter.


          • Nabais.
            Vc está aborrecido e isso é bom, porque é sempre bom ver quem não tem razão aborrecido;
            vc usa termos a caminho da ofensa pessoal e isso também é bom porque mostra que vc perdeu a razão, pelo que recorre à falta dela.

            O AO contribui para uniformizar enormemente a ortografia; se duvida, veja quem em Portugal se opõe ao AO com o argumento de ele “abrasileira” o português. Por “abrasileirar” eles querem dizer que ficámos mais perto da ortografia brasileira do que antes. O mesmo se passa com as alterações ortográficas no Brasil que também os deixam mais perto de nós (vôo>voo; perda do trema; idéia>ideia).

            “Quanto ao resto, nunca fui a favor de ler edições de autores brasileiros modificadas para português europeu.” Ora, isto faz de si um espécime raro, penso que único, entre quem se opõe ao AO em Portugal. Com um bocadinho de azar, batem-lhe.

          • António Fernando Nabais says:

            Pois, Silva, estar aborrecido é o mesmo que não ter razão. Mais um momento de simplismo. Se o meu aborrecimento lhe agrada, que lhe faça bom proveito.
            O que é certo é que, finalmente, lá se aproximou do desafio que lhe lancei, acabando por, finalmente, reconhecer que não há uniformização, porque não é possível “uniformizar enormemente”: ou há uniformização ou não há. Não há. Ergo, o AO90 é inútil.


          • Nabais, vc tem de ler o que pergunta pra depois não responder com o que não perguntou.
            Perguntou “Prove que o AO90 contribuiu para uniformizar.” Mostrei-lhe que contribui eivdenciando os casos em que as grafias passam a convergir, o que muda em muito a situação anterior.. Vc responde que não uniformiza, esquecendo que não foi isso que perguntou, e esquecendo que, mesmo num pequeno país como Portugal, não há uniforimdade.

            Depois diz “o AO90” é inútil. Não se iluda; se fosse inútil os maus tradutores, os racistas e os livreiros papões não andavam em polvorosa.

          • António Fernando Nabais says:

            Você chega a ser engraçado, Silva. Mostrou-me casos em que a grafia passa a convergir? E os casos em que a grafia passou a divergir? Não há uniformidade ortográfica num pequeno país como Portugal? Só se for depois do AO90.
            Uniformizar, Silva, é tornar igual. O AO90 não uniformiza. Não se pode dizer “É relativamente igual”, está errado. o AO90 criou novas semelhanças e novas diferenças. Depois do AO90, um texto escrito, por exemplo, em francês continuará a ter traduções diferentes em Portugal e no Brasil, porque continua a haver diferenças ortográficas, sintácticas e lexicais. O AO90 é inútil e pernicioso.


  9. Numa palavra: não há benefício com este acordo. Há mera politiquice cusqueira, sem interesse.
    Nem vejo eu os espanhóis e sul-americanos preocupados com uniformizações, nem os canadianos, os ingleses, os australianos, os franceses e os do Congo belga.

  10. Tito Lívio Santos Mota says:

    Pronto, agora já percebi.
    Se o Passos Coelho é Primeiro-Ministro é tudo culpa do Otávio Pacto 🙂


  11. É o abafar/desculpar dos que não sabem escrever!

Trackbacks


  1. […] caso do pacto transformado em pato segue-se, portanto, a fissão da ficção. Já se sabe que o AO90 não preconiza o desaparecimento […]


  2. […] tive ocasião de notar alguns fenómenos semelhantes: Acordo Ortográfico: sabor a pacto, Acordo ortográfico: a fissão da ficção e Acordo Ortográfico: consoante antes de consoante […]


  3. […] Depois da imposição do AO90, surgiram vários erros que raramente ocorriam, sobretudo no âmbito da grafia das chamadas consoantes mudas. Assim, é cada vez mais vulgar ver textos portugueses em que “facto” é erradamente substituído por “fato”, para além de já ter sido possível ler “pato” no lugar de “pacto”. […]


  4. […] É importante notar que, em ambos os casos, a transcrição fonética presente no Dicionário da Academia refere que o C medial é pronunciado. Sabe-se, no entanto, que muitos falantes não o pronunciam. Uma vez que, por vezes, o AO90 defende o “primado da fonética”, está aberta a porta para que cada um possa escrever de acordo com o modo como pronuncia , ao mesmo tempo que se abre a porta a outras confusões que têm originado, entre gente letrada, a supressão de consoantes pronunciadas (sigamos, por exemplo, o pato). […]


  5. […] uma receita: o “pato com o diabo”. Não me espantaria que tivesse origem na criação de patos de silêncio, esses simpáticos palmípedes anunciados ao mundo graças aos bons ofícios do chamado acordo […]


  6. […] e descobrir frequentes questões “de fato” no Diário da República, para não falar em “patos de silêncio” ou em “patos com o diabo”, vade […]

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