48 homens-sonae* para abate

redução da estrutura de custos em cerca de 3,5 milhões de euros por ano, com a diminuição de custos de funcionamento e previsível saída de 48 colaboradores.

de um comunicado da Sonaecom

Helder Robalo no Facebook:

Ao longo dos anos, sucessivas administrações de empresas tomaram decisões baseadas em estudos de qualidade duvidosa ou mesmo em estudos nenhuns. As empresas de Comunicação Social quiseram, cada vez mais, os seus jornais parecidos uns com os outros. Primeiro era o DN a bíblia, depois o JN, o Público, o Expresso, o Correio da Manhã… Cada um inveja(va) as páginas do vizinho e queria as suas cada vez mais parecidas. Sem perceberem, ou quererem perceber, sucessivas administrações e direcções foram descaracterizando jornais, rádios, televisões, etc., etc.. Deteriorando aquilo que era a identidade de cada título, afastando cada vez mais leitores, ouvintes, telespectadores.
Ao contrário do que muitos tendem a afirmar, para mim, o problema não é haver cada vez menos gente a ler jornais ou ouvir rádio. O problema é haver cada vez menos jornais diferentes, com histórias, notícias novas e não requentadas dos onlines da véspera. Porque muitos nem sequer têm gente suficiente para procurar essas histórias.
Infelizmente parece que ninguém quer olhar para isso. E assim, no Público, mais 48 trabalhadores vão ser descartados, como foram 120 na Controlinveste em 2009, várias dezenas n’O Primeiro de Janeiro e O Comércio do Porto, e várias dezenas no Sol, Expresso, Record, Correio da Manhã, etc., etc., etc. Centenas de jornalistas e outros trabalhadores ligados ao sector apenas nos últimos três anos e meio.
A corda, para não variar, parte sempre pelo lado mais fraco e nenhuma administração parece verdadeiramente interessada em perceber por que se chegou onde se chegou hoje.
Total solidariedade para com os camaradas que – hoje – têm a corda na garganta.

Desenho Pedro Vieira
* homem sonae, o conceito

Comments


  1. Existe nesta atitude do Público alguma ironia. Grande parte dos jornalistas foram cumplices da “maquina vampírica” que se instalou em Portugal e no Mundo. Nunca se interrogaram eles, jornalistas, se poderiam eles mesmos sofrer na pele aquilo que era evidente que os seus compatriotas iriam passar.
    Um certo tipo de “justiça retorcida”. Poderia-se dizer que “é bem feito”!


    • Os jornalistas são cúmplices? mas tem noção do que acaba de dizer? sabe como funciona um jornal? tem ideia do que está a escrever?


      • Grande parte são Cúmplices por OMISSÃO, no mínimo! Se esquecem o Código Deontológico da sua actividade, por cobardia ou outra razão qualquer, nem jornalistas se deviam considerar. Repetidores de Propaganda, talvez! A minoria, os “superiores”, são cúmplices activos da propaganda. O Público não é excepção!

        “O jornalista deve recusar funções, tarefas e benefícios susceptíveis de comprometer o seu estatuto de independência e a sua integridade profissional. “


        • Por omissão? você sabe o que é um editor? tem ideia do que é uma agenda de redacção? pensa que os jornalistas investigam o que querem, tipo profissão liberal?
          Tem ideia de que o último que faz investigação no Público, tramando dois primeiro-ministros de seguida foi o primeiro convidado a sair?


          • Gostei particularmente da ” Agenda de Redacção”. No entanto, confesso, que não conheço nenhum Primeiro-Ministro, deste País, que se tenha tramado…A não ser que tenha acontecido dentro do velho paradigma político que dá a ilusão ao povo que existe oposição/contraditório.


          • Estamos a falar de jornalismo ou do funcionamento da justiça em Portugal? não é bem a mesma coisa.


          • Não sei! Responda-me o senhor, por favor.


          • Se não faz a mínima ideia de como funciona um jornal, talvez fosse mais avisado não acusar que lá trabalha pelo pelo que sai nos jornais.
            Mas esteja à vontade, e continue: não se esqueça de acrescentar que os operários da indústria automóvel são cúmplices dos acidentes de viação.


          • Com todo o respeito, após (mais) este comentário absolutamente ridículo, encerro aqui a minha participação.
            Bem hajam!

          • Marília Costa says:

            é uma tristeza realmente que todas as medida (ditas) de recuperação passem sempre por mandar psessoal para o desemprego…… :((((((

  2. Miguel says:

    A internet. Essa marota, deu cabo de muitos jornais em todo o mundo. Afinal quem vai pagar por algo que arranja grátis? E com a mesma qualidade?

    • L. Rodrigues says:

      Só é a mesma qualidade porque os jornais deixaram de investir nela. Foram deixando cair os veteranos, os jornalistas que tinham ligações às fontes, os correspondentes em países distantes, etc. Agora parece tudo copy/paste da agência noticiosa ou, em vez de notícia, opinião e comentário ao serviço de uma qualquer agenda.

  3. Konigvs says:

    Eu não tenho dinheiro para comprar jornais, por mim podem falir todos. Fazendo uma regra de 3 simples, comprar um jornal todos os dias a 1€ representa mais de 6% de um salário mínimo. Também a verdade é que pouco perco, principalmente depois da 24horização das notícias. Depois não se faz investigação e se faz e se determinada notícia aparece é porque interessa denegrir a imagem de alguém. Depois referiram aí a internet, mas que eu saiba já há jornais com conteúdos pagos na internet.


  4. Ai — afinal não há liberdade de informação – há libertinagem

  5. António M. C. Carvalho says:

    Na minha modesta opinião todos têm uma ponta de razão. No entanto ainda ninguém recordou a causa principal das dificuldades por que estão a passar todos os jornais: a quebra das receitas da publicidade. Haveria talvez um campo a explorar uma vez que os governos não parecem muito interessados em dar “cultura” na Escola. Mas como motivar para a Cultura quem está alienado pelo futebol e compra, muito mais do que quaisquer outros, um jornal com as características do Correio da Manhã ?


    • Caro António, os mercados não são burros e sabem diferenciar vendas e qualidade. A educação de uma sociedade não se faz de um dia para o outro e não foi de ontem para hoje que o CM passou a jornal mais vendido em Portugal. Aposte-se num jornalismo de qualidade, de referência, com verdadeiras histórias, e não apenas as notícias de faz-de-conta, que os leitores vão aparecer, as receitas de publicidade aumentar e o negócio tornar-se-á de novo atractivo. É preciso é ter estômago empresarial para aguentar uns anos de prejuízo… E aqui é que a porca torce o rabo…

      José João Cardoso, grato pela citação que aqui me faz (e me honra). Um abraço


      • Obrigado eu, por ter o prazer de o citar…

      • J.V. says:

        Os mercados procuram optimizar o lucro. E a curto prazo. Ponto. A qualidade do jornalismo, da educação, da saúde, da cultura, não é para lá chamada.
        Aliás, o conceito de qualidade instituido nas empresas é “aquilo que o cliente quer”. Trabalhem numa e confirmem junto do departamento de qualidade.
        Se querem uma sociedade avançada, não a entreguem à lógica de mercado, não é para isso que ele aqui anda.


  6. No meu modesto entender, a cumplicidade está forçosa e incontornavelmente presente neste campo como em qualquer outro. Entra coesivamente nos mecanismos de sistematização do funcionar capitalista. Chegada a inconveniência – e de não haver outra força que o impeça – liquida-se.

  7. Armindo de Vasconcelos says:

    Pois eu fico-me com o que, há dias, dizia Mário de Carvalho sobre o ensino: “O que se pretende é a formação de consumidores e não de cidadãos… No ensino de hoje, não é preciso decifrar metáforas ou conhecer um vocabulário alargado. Basta saber ler um anúncio… É isso que pretendem as pessoas ligadas às negociatas do capitalismo. Querem massas amorfas de consumidores e contribuintes para venderem os seus produtos”.
    Perante este panorama, a que certa comunicação não é alheia, não estando, por isso, sem culpa, o que se espera dos jornais, da televisão? Se o nivelamento é por baixo, se até os valores confundimos, se ao capital nos convertemos, do que estamos à espera?
    Ah! Pois, quantas vezes alguns vendem a sua opinião e a sua ética ao seu sustento?! Sinais dos tempos. Mas será que saberemos construir um tempo melhor?

  8. Bota Abaixo says:

    Pessoalmente não sei porque raio a Sonae aguenta à tanto tempo um jornal que sempre deu prejuízo. Outro já o teria encerrado definitivamente há muito tempo. Só se for por razões fiscais…

  9. Sérgio André says:

    Existem jornalistas em Portugal? Porque nenhum pergunta ao mario Soares porque é que esteve preso em Toulouse, França?
    Porque nao perguntam ao mario Soares porque é que andou dezenas de anos fugitivo da justiça francesa?
    Porque nao perguntam ao mario soares se era o dono da Emaudio?
    Porque nao perguntam ao Pinto balsemao o que sabe de “Camarate”?
    Porque nao perguntam de quém eram os donos do B.P.N., para que servia além de lavar o dinheiro sujo da Camorra e dos amigos da Guiné-Bissau, porque é que o Governo Socialista o nacionalizou?
    Porque nao perguntam ao otelo Saraiva de Carvalho aonde esteve entre os dias 23/04/74 ao 26/04/74?
    Porque nao perguntam ao Almeida Santos quantos quilates de diamantes falsos recebeu do Samora Marchal?
    Porque nao perguntam ao Manel Alegre que “informaçoes”transmitia na Radio Alger?
    Porque nao perguntam ao ramalho Eanes(como PR) porque abandonou os militares portugueses em Timor?
    Porque nao perguntam ao Mario Soares se ainda “guarda” na sua Fundaçao a fortuna do François Miterrand?
    Porque nao perguntam ao Barroso porque é que a U.E. ainda nao aplicou as sançoes economicas a Cabo Verde e Guiné-Bissau pelo trafico de droga?
    Porque nao perguntam ao mario soares, ramalho eanes, otelo saraiva de carvalho, etc. o que é os Amigos da Guiné-Bissau?
    Porque nao perguntam ao mario soares se ele ainda é o homem mais rico de Andorra?
    Agora, pergunto eu: Existem jornalistas em Portugal?
    Porque é que a imprensa escondeu dos portugueses o que a imprensa estrangeira dizia da bancarrota portuguesa(desde 2008)?


    • Há jornalistas em Portugal, como há boatos, teorias da conspiração, gente que delira, calúnias etc. É o seu caso (com duas ou três excepções pelo meio, que mereciam investigação se os donos dos jornais deixassem).

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