RTP

A comunicação social em crise aproveita tudo o que mexe para se safar – no jornal I  fala-se da RTP Porto e de como esta é um problema, segundo eles, o maior dos problemas.

Há coisas que não são para explicar – a RTP tem que existir a Norte e não apenas no formato delegação. E tem que existir porque sim. A dimensão noticiosa de um país civilizado exige a presença do serviço público de informação (televisão e rádio, neste caso) de proximidade.

O jornalismo está longe de ser uma ciência exacta e por isso as vivências dos jornalistas, a sua existência enquanto pessoas junto da população é fundamental para perceber o pulsar do país e, com base nisso, construir informação de valor acrescentado. Reduzir a RTP a Lisboa ou, pior, reduzir a RTP à SIC e à TVI é um mau caminho que prejudica o país.

Quero que parte dos meus impostos continue a ser utilizado na RTP, no serviço público de informação e, claro, na sua produção no Porto e nas restantes delegações a norte.

A solução para o país não passa por fechar a paisagem e levar tudo para Lisboa.

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Actualização via face: Encontrei este texto da Jornalista Magda Rocha que não resisto a publicar:

Não mudo uma vírgula neste texto da Magda Rocha, reflecte o que me vai no coração. Aliás reflecte o que vai na alma de muitos.
“Eu, Magda Rocha, jornalista da RTP, estive toda a manhã a tentar não escrever isto. A RTP tem direção, administração e uma estrutura capaz e competente para elucidar quem quer que seja, incluindo qualquer jornalista ou jornal. O número de telefone geral é: 217947000
Eu, Magda Rocha, vou escrever isto:
Cara colega do jornal i e todos os colegas que já escreveram coisas identicas à notícia de última página, edição de hoje, do referido jornal. Não a conheço, pessoalmente, não estou sequer a vêr quem é. Isto para desde já explicar que não somos amigas, nunca fomos, logo não somos inimigas, não temos qualquer questão mal resolvida sequer.
Feito o preâmbulo:

Onde está aquela primeira aula de jornalismo? Do sério. Cruzou dados?
A quem serve?
Quantos somos, afinal? Na RTP, na RTP Porto, etc, etc. Quanto custamos?
O Porto produz o quê? Quando? Porquê?
Sem querer ajuda-la a escrever, só mesmo para “abrir horizontes”.
Somos RTP, aquela RTP que sempre produziu, a partir do Porto, um jornal que ninguém consegue ultrapassar. Um jornal feito todos os dias, há décadas, com pessoas. Pessoas do Porto, de Lisboa, da Madeira, dos Açores, de Bragança, de Faro, de Viana, de onde estiver a notícia. Somos aqueles que fazem um jornal que é sério. Como toda a informação da RTP. Apesar dos eternos e constantes ataques, do escrutínio permanente.
Um jornal que, há alguns anos, foi referido num documentário sobre a SIC, como imbatível. Ouvia-se Emídio Rangel (no documentário dos sabonetes) dizer (cito de cabeça) que não percebia, não havia nada a fazer, o “Jornal da Tarde” era sempre ganhador. A TVI também tentou. Fez, uns tempos, no início, o jornal a partir do Porto. Não adiantou.
Se não acredita, assim sem mais, em tudo o que digo, quer, colega do “i” os contactos, destas pessoas todas?
Ou hoje está ocupada a fazer as greves da Lusa e do Público?

Comments


  1. Não passa por fechar o interior e as freguesias e as escolas de interior e centros de saúde e de Justiça – FECHAR o país e encurralá-lo é matá-lo e ao menos que a Imprensa noticie local e centralmente – onde está a imprensa local ?’

  2. Miguel says:

    Visto que vivemos em democracia proponho o seguinte: votar a favor ou não da RTP. O povo decide se a RTP continua com os fundos e dinheiro dos contribuintes.

    De resto o que dizem os jornalistas ou outros, que dependem directa ou indirectamente da RTP, não interessa a ninguém.

    • António Fernando Nabais says:

      O Miguel é um defensor da democracia directa. Por uma questão de coerência, o povo deveria, ainda, votar, a favor ou não de tudo o que seja público, incluindo a TAP, a ANA, as águas, os hospitais e as escolas, entre outras instituições.
      O Miguel é, ainda, simplista, que é uma boa maneira de pensar que os assuntos têm soluções simples. Assim, no que se refere a meios de comunicação social, as opiniões que menos interessam são as dos especialistas na matéria, os jornalistas. Ou seja, no caso da Medicina, não devemos ouvir os médicos e seremos obrigados a ignorar os polícias, sempre que houver reformas das esquadras. Brilhante!
      Finalmente, o Miguel não está interessado na verdade. Por isso, fica-se pela leitura do i.


  3. Miguel, do ponto de vista pessoal, posso ou não ter opinião sobre os jornalistas A ou B, como sobre o pedreiro C ou D ou o Padeiro. Essa não é a questão – o ponto é o país que temos e que outros querem ter. Há um ponto divergente. Eu quero um, há quem queira outro. Será também relevante destacar ou apontar mentiras, mesmo que elas sejam do nosso agrado. O que diz o I é mentira. Ponto.

  4. António Fernando Nabais says:

    Também no facebook, um texto do João Fernandes Ramos (http://www.facebook.com/joao.f.ramos.3):

    Partilhei este comentário no portar do FB da minha “amiga” Márcia Oliveira , autora desta bela “obra” no I. Ela apagou. Espero que tenha lido…pelo menos – Aqui está mais um exemplo do jornalismo do “ouvi dizer” sem se confirmar ou investigar um bocadinho. Não é verdade que a RTP tenha no Porto 400 trabalhadores. Tem pouco mais de metade… Não é verdade que se produza apenas a Praça da Alegria e o Jornal da Tarde. Aqui são feitas 9 horas diárias da informação da RTP, e cerca de 25% das médias e grandes reportagens da estação. São produzidos vários programas para a RTP internacional e está a ser feita uma grande aposta na ficção nacional e na formação de jovens na Academia RTP. Não é verdade que aqui esteja um problema, aqui está um bom modelo para a solução. Basta querer ver, investigar e não embarcar nesta coisa tenebrosa, do “ ouvi dizer”…

  5. Miguel says:

    Eu não levo o I a sério. Além das noticias online estarem cheias de erros tanto ortográficos como de semântica, são vagas, não investigadas e muitas vezes copy & paste de outro sitio qualquer.

    O meu ponto é que, sim, se o povo paga o povo decide. Se isso é bom ou não, cabe à democracia decidir. Mas na minha opinião, que é uma opinião jovem, a informação actual e futura é global, grátis e interactiva. O aventar é um exemplo disso. Jornais da televisão? Já sei das notícias que transmitem antes deles. Só para debates, obrigado.

    Além disso, todos sabemos que as audiências da RTP são uma miséria. De que vale existir algo que ninguém vê?

    • António Fernando Nabais says:

      Pois é, Miguel, tem razão: vamos só transmitir o que as pessoas querem ver. Séries de qualidade ou documentários? Nada: “Casa dos Segredos” e telenovelas de manhã à noite (não quero com isto dizer que a programação da RTP tem a qualidade que deveria ter). Proponho, até, que os alunos passem a votar nas matérias que preferem, sempre se poupava em professores. Podemos, também, fechar os teatros nacionais: só uma minoria é que lá vai.

      • Miguel says:

        Acho que nem vale a pena discutir a qualidade da programação da RTP. Sem ser o jornal, a RTP 1 (a 2 é outro assunto) não transmite nada que seja essencial ou único.

        Existe neste momento uma grande variedade de fontes de informação. A RTP é moribunda, fez o seu papel. Tal como os polícias sinaleiro o fizeram. Temos de andar para a frente, e isso significa que ou a RTP se reforma e transforma-se em algo que por si só consiga sobreviver ou estamos a usar justificações parecidas à MAC: “As coisas onde nascemos não devem morrer.”…

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  1. […] Já escrevi sobre a RTP e não me parece que neste momento seja necessário acrescentar seja o que for. […]

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