Quem tem fome dá o cão II

Não, isto não é uma resposta ao post do JJC.

Sou defensora dos animais, mas não quero que ele me morda. Para mais, como um cão raivoso. Que medo!

Este post é um acrescento. Parece que andámos em consonância de pensamentos, só que eu adormeci mais cedo e deixei o post para o dia seguinte, ou seja, hoje.

O post e o mail que me encarreguei de enviar, por volta das seis da manhã, para saber de que é que esta família necessita. Com 70 euros (!) mensais e duas crianças, presumo que necessita de tudo.

Não imagino sequer o que seja viver com 70 euros por mês. Continuo a ser uma «menina mimada», uma privilegiada. Não tive que entregar os cães ou gatos, que as minhas filhas adoram e com os quais estão a crescer, em troca de comida. Atitude condenável? Não o creio. Atitude de desespero, acredito. Atrevo-me, até, a considerar que se trata de uma atitude louvável. Seria muito mais fácil abandonar o cão ou entregá-lo no canil. Penso que, mais do que dar o cão, estas pessoas estão a pedir ajuda. Aliás, dizem isso mesmo no anúncio.

Um cão de 28 kgs come muito. Come aquilo que 70 euros para quatro pessoas e um cão não podem pagar. E a adopção responsável deste cão por parte de alguém é já uma grande ajuda para quem gosta do seu e não tem como tratar dele.

Disse já, e mantenho, que sou defensora dos animais. De TODOS os animais, independentemente do número de patas. Sim, podem gozar comigo. Sou a freak que salva mosquitos de morrer afogados e que anda pelos carreiros de terra batida a olhar fixamente para o chão, evitando matar mais formigas do que as que inevitavelmente mata.

E, nessa qualidade (de defensora de todos os animais e freak), também eu não admito que alguém critique esta atitude ditada pelo desespero. É que defendo também o animal Homem. Criticará quem não tiver nunca passado dificuldades, quem não souber o que é passar fome, quem nunca tenha sentido a dor de não poder alimentar os seus, sejam pessoas ou animais. E aqui já me podem criticar. Podem dizer-me que eu nunca passei por situações destas. É verdade. Mas convivo muito de perto com esta triste realidade. Trabalhei e trabalho com pessoas que passam grandes e graves dificuldades. Sei, embora nunca tenha sentido, o que é necessitar desesperadamente de ajuda. E ter, muitas vezes, vergonha de a pedir.

E sei que, quando gostamos mesmo dos nossos animais, trocá-los assim por comida é muito mais do que uma troca por comida.

E também sei que é nosso dever, enquanto sociedade, ajudar aqueles que mais ninguém ajuda. Por isso, tomei já a minha atitude. Caso as pessoas em causa me autorizem, divulgarei aqui aquilo de que necessitam. Cada um ajude como puder.

Trata-se de uma família da Maia. Quatro pessoas e um cão, vítimas recentes da trituradora Coelho/Gaspar/Relvas/Moedas/Sócrates/e-todos-os-outros que tudo destrói. Infelizmente, uma família entre muitas. Esta ousou pedir ajuda de uma forma sui generis. Por isso, se torna conhecida.

P.S.: Obviamente que dia 2 de Março lá estarei. Parece que na Avenida dos Aliados – Porto.

Comments


  1. Esta ousou pedir ajuda

    E como custa!


  2. como esta mulher escreve pelos cotovelos!
    o que será quando fala!
    … e vai lá estar no dia 2! mas não tem a certeza pois que ainda diz, que parece…
    assim fica muito cansada mas olhe que a ajuda não pode falhar, pois que esta é de escaparate!

    • Carla Romualdo says:

      Se o defeito que quer apontar é o de ser palavroso, o seu telhado é todo de vidro. A diferença é que a autora tinha de facto alguma coisa a dizer e disse-o.


    • Era suposto, às 10h30, hora a que comentou este post, estar a trabalhar na Lisboagas, que é para isso que lhe pagam, mesmo sendo Director (equiparado, seja lá o que for esta designação).
      Mas, como os equiparados parece terem tempo de sobra para se meterem com coisas sérias, de forma mais ou menos leviana, talvez seja por isso que os colégios particulares são a nata da educação em Portugal (o subscritor Pessoa Amorim andou pelo Colégio Tomás Ribeiro, em Tondela), desta educação à medida lusitana.
      E no ISCTE não lhe ensinaram a ser polido com o que interessa, nem que seja diferente do que pensa?
      Se não lhe ensinaram, ainda vai a tempo, aconselho-lhe um bom concerto de taças tibetanas (ou de Peter Hess).

Responder a Armindo de Vasconcelos Cancelar resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.