Serviço de Finanças de Braga 2 – e a Lei?

servico-financas-braga2 Hoje fui ao Serviço de Finanças de Braga 2!
A meu lado, e a tratar de assuntos próprios, a minha mulher, acompanhada ela pelo nosso segundo filho. Eu chegara uns minutos mais cedo, tirei a minha senha, aguardei a minha vez. A minha mulher chegou de seguida, tirou a senha dela. Alto, não tirou senha nenhuma!
Ao contrário do previsto, esta repartição pública não dispõe de senhas para cidadãos prioritários, os mesmos que se enquadram no artigo 3 da Carta do Utente, e que define que os (…) “acompanhados de crianças de colo têm direito a ser atendidos com prioridade sobre os demais“.
Ora, como adiante confirmaria a minha suspeita, não existindo senhas, o teor do artigo 3 mantem-se válido. Ou seja, o serviço DEVE atender quem se identificar como prioritário. Mas não, não!Por três vezes, a improvável funcionária em frente negou atender a minha mulher afirmando que não havia senhas. Não há senhas. Não há senhas.
Eu, incréu, dirigi-me ao funcionário que entretanto me atendera e informei-o da situação, pedindo-lhe o favor de comunicar o facto ao director. Assim fez. O director, ou alguém nesse papel, veio mesmo ao salão observar o movimento, trocou com o meu prévio interlocutor algumas palavras e recolheu aos seus termos. Nada mais.

Aguardámos mais uns minutos. Ao todo, terão sido 15 minutos, um recém-nascido por entre uma multidão. Coisa saudável num edifício já de si arejado e amplo. Pedi para falar com o director. Fui levado à sala do director. Que tinha já lido a minha reclamação, em português suave, vertida num livro de cor alegre. Coloquei-lhe duas ou três questões a que gostava de ter visto dada uma resposta. Tem dias em que acredito na santinha.

Pá, falhar todos falhamos. Mas ser advertido a meio do processo e deixar o erro continuar é parvo e já não se usa.
E, senhor director, não me ter deixado terminar uma única frase sem, baixinho, me interromper como que a querer desculpar o indesculpável é… má educação.

A Bem da Nação, estou certo de que na próxima semana já lá estarão as senhas para prioritários e estou certo de que todos os funcionários serão claramente instruídos de que, esgotadas as senhas, os prioritários são prioritários.
Obrigado.

Comments


  1. Tens paciência, ousadia, tempo e vontade de arreliar essa gente de pouca honestidade e respeito pelos cidadãos. E é assim que deve ser. reclamar é um direito nosso, e devemos protestar até que as coisas funcionem da forma correcta. Parabéns.

  2. Maleficus says:

    Com o devido respeito, eu não teria a sua calma… Muito provavelmente iria perturbar o “normal” funcionamento da repartição (Protestar alto e bom som, talvez grosseiramente…) até o director ou outra besta qualquer chamar as forças de segurança. Talvez as forças de segurança “sugerissem” ao director o atendimento prioritário que se impunha, mesmo sem senhas… Quanto a mim, logo se veria.
    A idade tem-me retirado paciência para coisas e pessoas idiotas.

  3. Bufarinheiro says:

    Protestar numa Serviço de Finanças…
    És maluco.
    Aquelas divindades nunca ouvem as queixas dos comuns mortais.

  4. Tugalandia no seu melhor says:

    Por isso é que quando todos se revoltam contra os cortes na administração publica devem pensar primeiro antes de o fazer.
    Passámos décadas em que um simples funcionário das finanças se achava dono e senhor dos direitos dos outros.
    Passei muitas horas em finanças, conservatórias, registos civis, etc….e sempre o tratamento era igual (hoje já alterou em alguns casos)….ou seja…”Eu trabalho nas finanças sou de um estatuto diferente de ti”.

  5. João says:

    Dessas bestas tenho uma ainda melhor.
    Detectei em Novembro do ano passado que tinha mais um bem para pagar IMI. era um terreno numa rua que não existia na localidade. Por mais incrível, não constava essa rua nos roteiros dos CTT. Por conseguinte não existe em Portugal ou qualquer outra parte do mundo. Terreno inventado, rua inventada mas imposto para pagar na certa. Desloquei-me a repetição de finanças da minha zona. Evidentemente faltei ao trabalho ½ dia. Ao reclamar da situação uma funcionária expedita e burocrata disse para fazer um requerimento a dizer que aquele terreno não me pertencia. Mas como não fiquei satisfeito tirei outra senha e esperei para ser atendido por outro funcionário e lá fui eu passado mais de uma hora atendido por outra funcionaria com mais vontade para tratar dos assuntos que a anterior. E ai chegamos a conclusão que tinha havido um erro na rua e já tinha a caminho procedimento fiscal por incumprimento. Tinha uma divida desde 1994 de IMI sobre esse terreno. Ainda concluímos que esse terreno é onde esta construída a minha habitação. Por isso já sujeito a contribuição.
    Fui informado que tinha que apresentar, a licença de habitação da residência, projecto, licença de construção, declaração da Câmara municipal, inscrição no registo predial.
    O meu argumento que estava tudo isso no processo que tinha dado origem a contribuição autárcica não resultou.
    Lá fui aos serviços todos tratar dos papéis perdi mais 2 dias com assunto e lá entreguei tudo certinho e sai da repartição com duplicados de todos os documentos carimbados e rubricados.
    Com a garantia que dentro em breve me contactariam sobre o assunto. Uns dias depois recebi um telefonema que o assunto estava resolvido e que podia estar descansado.
    Qual não é minha surpresa quando vem o IMI, lá estava o imposto sobre o terreno para pagar. Nome da rua número, tudo certo, apenas e só que nessa morada existia uma habitação e lá estava também o IMI para pagar. Lá fui de novo a respectiva repartição de novo – mais uma tarde perdida – resposta da besta que me atende.
    – Faça um requerimento e aguarde resposta.
    Ao meu argumentar que não era assim que se resolvia o assunto a besta responde-me que tinha mais 20 pessoas para atender. Não digo sobre o que se passou dai para a frente. Só que de um momento para o outro fez-se silêncio na sala e acabei a falar com a chefe da repartição e assunto parcialmente resolvido.

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  1. […] de uma incursão no Serviço de Finanças de Braga e de uma reclamação, eis que chega hoje a obrigatória resposta à mesma. Mas valera que não […]

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