O negócio tradicional do entretenimento 3/4: o canal de distribuição

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No texto anterior três  organizações que envidam esforços para fazerem aprovar legislação que lhes fará chegar mais dinheiro dos contribuintes estiveram em foque.  Mas de que conteúdos estamos a falar e como é que eles chegam até nós? É sobre isto que se divagará a seguir.

O canal de distribuição

O negócio do entretimento mudou radicalmente nas duas passadas décadas. A Internet foi o veículo dessa mudança e os que dantes controlavam os conteúdos através do canal de distribuição têm visto a sua fonte de receitas esfumarem-se com esta transformação. A par com os tradicionais canais de venda e aluguer, um novo jogador entrou no mercado. Os artistas, quem sempre precisaram do intermediário para chegar ao público, passaram a poder chegar directamente aos consumidores. E não o querendo ou não o sabendo fazer, a existência de pequenos distribuidores passou a ser possível graças à Internet. Simultaneamente, dois novos grandes distribuidores de conteúdos, Apple e Google, entraram em cena, mudando ainda mais as regras do jogo.

A par com as mudanças no canal de distribuição, também o tipo de conteúdos mudou consideravelmente. De uma oferta de rádio, televisão, imprensa e filmes, a actualidade passou a incluir também os jogos de computador (consolas, computadores, online e offline) e conteúdos produzidos pelos próprios consumidores (youtube, blogs, música, fotografias). As redes sociais, por outro lado, agindo em três frentes, na distribuição, na agregação e na produção de conteúdos, esta através da produção dos seus membros, constituem mais uma alternativa ao tempo que o trono da TV e seus aliados dantes tinham.

É esta a realidade que está a colocar em risco o negócio tradicional do entretenimento. A Internet como novo canal de distribuição, livre do habitual controlo dos grandes estúdios, dos grupos de media e das grandes distribuidoras, mudou radicalmente a forma de produzir, distribuir e consumir conteúdos. Os donos do mercado, directamente ou por intermédio dos seus grupos de pressão, procuram justificar o mau momento que vivem com a pirataria. Sim, esta existe e se queremos continuar a ter filmes e música como até agora, algo precisa de mudar. A questão está mesmo neste aspecto do querer, já que filmes e música são apenas dois dos conteúdos que fazem parte do quotidiano.

Até a forma de  financiamento de projectos, culturais inclusivamente, está a mudar, com os próprios consumidores a patrocinarem a produção. É o caso do financiamento obtido por crowd founding de projectos como o kickstarter. Depois dos artistas não precisarem dos gigantes do entretenimento para chegar ao público, também o garrote do financiamento se começa a libertar, algo apenas possível devido à difusão generalizada da Internet. Não deixa de ser irónico que os tradicionais players deste mercado gritem por leis que controlem a Internet, devido aos estragos que a pirataria está a fazer no seu modelo de negócio, quando outros conseguem sucesso, precisamente, porque a Internet existe.

Como manter então um negócio quando a respectiva base de sustentação se encontra prestes a desaparecer? Simples, aprovam-se novos impostos, tema para abordar a seguir.

Artigo completo:

Parte 1: Declínio e queda
Parte 2: Os suspeitos do costume
Parte 3: O canal de distribuição
Parte 4: A árvore das patacas

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  1. […] de algumas considerações no texto anterior sobre conteúdos sobre como é que eles chegam até nós, é tempo de olhar para a estratégia que […]


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