Olha a uniformização ortográfica fresquinha! (2)

abiogênese (Bras.)/abiogénese (Port.)

Comments

  1. Tchhhh… e agora? Que fazer perante este grave problema, agudo para uns, circunflexo para outros?!

    • António Fernando Nabais says:

      Há pouco a fazer, efectivamente. Em primeiro lugar, reconhecer que o AO90, afinal, não trouxe uniformização ortográfica; em segundo lugar, suspender o AO90. De resto, alguma vez houve algum problema entre portugueses e brasileiros por haver diferenças ortográficas?

      • sinaizdefumo says:

        A opção por dupla grafia, neste como noutros casos, parece-me apropriada. Cá pronuncia-se assim, lá pronuncia-se assado. Aliás por cá nem sempre se pronunci(a)(ou) assado, mas fomos obrigados na escola a, por exemplo, dizer António em vez de Antônio, à força de reguada.

        • António Fernando Nabais says:

          Num sistema ortográfico decente, as duplas grafias devem estar reduzidas ao mínimo possível. Não me faz – como nunca me fez – confusão nenhuma que portugueses e brasileiros tenham ortografias diferentes (o que é diferente de “duplas grafias”). Faz-me confusão que haja gente a vender a ideia de que, graças ao AO90, temos a mesma ortografia (como se a única diferença residisse aí) e que vai ser possível haver edições únicas do mesmo livro, independentemente de o autor ou o tradutor ser português ou brasileiro. De resto, partir do princípio de que a escrita constitui uma mera representação dos sons é um erro primário: para isso, existem os alfabetos fonéticos. Ainda por cima, ao usar como critério a “pronúncia” e sabendo que há diferenças enormes, nesse aspecto, entre Brasil e Portugal, não faz sentido querer criar uma ortografia única com base naquilo que é diferente.
          Voltando, portanto, ao seu primeiro comentário: não há problema nenhum em que portugueses e brasileiros tenham ortografias diferentes (nem melhores nem piores), desde que não se ande a fingir que a ortografia é una. De resto, aconselho-o a ler, mais logo, a continuação desta série, porque hoje contém um brinde: uma diferença ortográfica que resulta do acordo (?) ortográfico (?).
          O sistema da reguada já está fora de moda, felizmente. Como professor de Português, corrijo erros e não sotaques: incentivo os meus alunos portuenses a dizer “baca”, mas não os deixo dizer “voi”.

          • sinaizdefumo says:

            Não tenho conhecimentos nem formação académica para grandes debates. Sei que o AO tem muitos defeitos e algumas soluções ridículas e só posso esperar que possa ser melhorado no futuro. Eu conformo-me e sou mais antigo, você não, ainda tem muito sangue na guelra. 🙂

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