Silly Season mas não tanto


Gostaria que alguém me explicasse o que raio passou pela cabeça da VISÃO e do jornalista Luís Almeida Martins, para escrever um artigo laudatório sobre o Marquês de Pombal a comparar o que não é comparável (a situação do Portugal no século XVIII com a situação portuguesa hoje em dia) e repleto de todo o tipo de banalidades. Esperava-se mais da VISÃO, especialmente num artigo que faz a capa da revista (Nº1066, 8 a 14 de Agosto).

As banalidades sucedem-se e lamentavelmente verifica-se que o senhor jornalista não deve ter lido um único livro (para além do Memorial do Convento que é tão válido como a Hilary Mantel a escrever sobre o Thomas More) sobre o que está a escrever: O Convento de Mafra foi uma inutilidade, D. João V foi o pior rei que Portugal teve, o Marquês de Pombal salvou o país. O Marquês de Pombal salva o país porque há um para salvar  porque é D. João V que consolida a posição de Portugal na Europa depois do país ter passado 60 anos integrado numa Monarquia compósita porque se não fosse a política diplomática das embaixadas ao Papa, da construção do Convento de Mafra, num século onde a diplomacia se mistura com o poder absoluto dos monarcas, com o despotismo iluminado, com Luís XV e Versalhes, em que a política vivia das aparências e do poder não só que se tinha, mas que se devia parecer ter, era necessário o Convento de Mafra, tal como era necessário o Patriarcado (isto porque o Papado só reconheceu Portugal como reino independente da monarquia Hispânica vários anos depois de 1640). Tratar isto como um capricho de um rei para que a rainha ficasse grávida é de uma simplicidade estupidificante que fica francamente mal à VISÃO.

Depois vem a historieta de ai-ai a Inquisição do D. João V como se o Marquês de Pombal tivesse sido um revolucionário, um modelo de virtudes democráticas e defensor do Estado Social. E não há neste artigo uma única referência a um livro ou a um historiador. Não me admira. Eu sei que isto é Verão e não se aprecia ter muito trabalho no Verão mas isto faz capa. Já estou como dizia o David Starkey aqui há umas semanas a respeito do livro da Hilary Mantel: “ela escreve muito bem, eu é que não a consigo ler porque sou um historiador Tudor.”

Comments

  1. Agora já não há silly season. Foi substituída pela swap season.

  2. António Duarte says:

    O LAM até costumava ser um bom divulgador de temas de História.
    Desta vez, não sei se por causa de extensão desmesurada do texto, nitidamente para “encher”, se da vontade de captar leitores com tiradas sensacionalistas ou bombásticas, perde-se em vulgaridades e generalizações sem rigor nem sentido. Por exemplo, do que li, por alto, recordo uma passagem em que afirma que no tempo de D. João V a maioria da população eram pedintes.
    Enfim, a Visão tem vindo a perder qualidade, e já não é de agora…

  3. Não sei o que diga sobre o seu comentário , que talvez esteja correcto e ou bem analisado , Não posso falar muito porque
    ainda não li a Visão , por não ter dinheiro para a comprar , por
    causa dos actuais magnânimos e isso é que me revolta , pois
    que se escreve tanta coisa e se denuncia igualmente muita coisa e nada acontece aos responsáveis que cometem as
    maiores atrocidades .
    Quase me convenço que tudo , por muito cultural que seja , não passa de conversa da treta , porque na prática., nada resolve
    socialmente .
    Andam todos à procura do tacho , de una forma ou de outra ..
    Todavia parabéns pelo seu comentário , .

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