A prova da humilhação


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Duas questões são da prova dos profs e outras duas são do exame do 4º ano. Quais são quais? Clicar na imagem para ampliar.

Em passagem pel’A Educação do Meu Umbigo dei com a famigerada prova que o ministro Crato decidiu impor a alguns professores.  É fácil, muito fácil, mesmo. Com questões ao nível do exame do quarto ano. Já fez o teste supra? As respostas vêm a seguir.

As questões 1 e 3 são do exame do quarto ano; as questões 2 e 4 são do exame dos profs. Podia perfeitamente ser ao contrário. Analisando a prova, torna-se óbvio que esta não serve para aferir a posse conhecimento requerido para a docência. Nem tal faria sentido, já que é irrealista pretender com um exame validar o que se aprendeu até à conclusão de uma licenciatura e que, de resto, já foi validado pela obtenção do grau académico.

Para que serve então esta prova? Segundo o ministério, «a realização da PACC  [Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades] visa assegurar mecanismos de regulação da qualidade do exercício de funções docentes, garantindo a comprovação de requisitos mínimos nos conhecimentos e capacidades transversais à leccionação de qualquer disciplina, área disciplinar ou nível de ensino, bem como o domínio dos conhecimentos e capacidades específicos essenciais para a docência em cada grupo de recrutamento.» Isto tudo com um exame ao nível do quarto ano, mais coisa menos coisa. Naturalmente que aspectos fundamentais na docência como a capacidade de comunicação e de motivação dos alunos, controlo da sala de aula, espírito de equipa e trabalho pedagógico não são avaliáveis num exame – e muito menos neste exame. Depreende-se, portanto, que não são requisitos para se ser professor. Bastará, aparentemente, ter a quarta classe e conseguir fazer horários de turma.

O que nos leva ao objectivo não declarado desta prova, que é  enfraquecer a classe docente, numa continuidade das técnicas do Valter de Lemos e respectiva tralha. Esta prova serviu para dividir os sindicatos e os professores. Uns cancelaram os protestos, outros continuaram-nos; uns realizaram a prova, outros vigiaram o exame. Serviu ainda para continuar a denegrir a imagem dos professores junto da opinião pública, pintando-os como um grupo que tem acesso à docência sem o merecer (daí ser preciso um exame para meter as coisas em ordem) e, simultaneamente, como sendo uma corporação que reage negativamente a qualquer tentativa de controlo.

Crato atingiu este objectivo não assumido, saindo vencedor. Perdeu o ensino público, como perde de cada vez que os professores vêm a credibilidade diminuída sem razão objectiva para tal.

Se dúvidas ainda restassem, fica claro que este ministro se resume a um embrulho de vaidade, com barba por fazer.

Links:

PS: Para não tornar a resposta imediata, mudei o “tu” por “você” nas questões do exame do quarto ano. 

Comments

  1. vendo o historial de “dialogos” entre sindicatos e ministerios(este e passados) em todos os pontos que se tente avaliar seja o que for acabamos por ter sempre o mesmo resultado = descida da qualidade e os alunos lixados; as narrativas é que são diversas.

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