Então e os outros?

 

O que eu acho verdadeiramente estranho é andarmos todos aqui a falar das causas para a derrota de Portugal e de quem é a culpa, e do Paulo Bento que podia ter posto o William Carvalho logo desde início e convocado beltrano e cicrano e não falamos daquilo que para mim é flagrante e que também merece ver-lhe atribuída a sua quota-parte de responsabilidade . Falo evidentemente, do papel da Comunicação Social.

A comunicação social, ou seja, a miríade de comentadores e jornalistas que nos informavam a cada momento das movimentações da Selecção, conseguiram convencer-se, a si próprios e ao país, de que Portugal era de uma forma ou medida, candidato a alguma coisa. Em primeiro lugar, gerou-se a ideia de que o grupo era fácil, com excepção da Alemanha, e que Portugal facilmente passaria. Não percebo como é que se chega a esta conclusão quando em 2010, o Gana chegou aos quartos e os Estados Unidos possuíam um treinador experiente que tinha levado a cabo uma enorme revolução na equipa. Não percebo igualmente como é que conseguiram convencer as pessoas que Portugal, que não tinha ganho ao Luxemburgo, ia ganhar à Alemanha; a Alemanha cuja maioria dos jogadores fazem parte daquela que é a melhor equipa europeia. Mas mesmo assim havia muito boa gente convencida que no “mínimo era um empate”.

A outra estratégia foi a já conhecida endeusificação de Ronaldo para a qual contribuiu até o facto de Messi ter “ignorado” uma criança não sei onde (apesar de convenientemente, se ter omitido o facto de Messi ter posteriormente convidado o miúdo para ir ao centro de estágios da Argentina). A Selecção não era a Selecção, era “Ronaldo e companhia”. Não era a Selecção Portuguesa, era “a Selecção do melhor do mundo”, como se mesmo o melhor Ronaldo conseguisse ganhar contra 11. Parece que hoje, finalmente, Ronaldo veio dizer com bastante bom-senso que “Portugal nunca foi favorito”.

Isto são os dois exemplos mais flagrantes mas há outros. A comunicação social sempre empolou Ronaldo, sempre tratou a Selecção como se fosse a última bolacha no pacote e “este ano é que é”, os “Conquistadores” vão conquistar alguma coisa (aproveito para acrescentar que é preciso alguma vergonha na cara para reforçar estas ideias próprias do “luso-tropicalismo”, como aquele anúncio da Galp em que só falta dizer que Portugal vai do “Minho a Timor”). Uma Selecção que mal chegou ao Mundial. Depois da derrota com a Alemanha, o país acordou chocado. Pois só um país que foi completamente manipulado por comentadores e jornalistas desportivos é que podia ficar surpreendido por Portugal perder – e bem – contra uma das melhores Selecções do mundo.

Alegra-me portanto a derrota desta Comunicação Social, diverte-me ver esta gente, alguns inclusive na televisão pública, a gaguejarem em directo. Mais uma vez, em bom português, “fica para a próxima.”

 

Comments

  1. luis says:

    Excelente post!
    Só gostava de acrescentar uma coisinha.
    Recordo-me que há quatro anos, após o Mundial da África do Sul, essa mesma comunicação social destruiu peça a peça o Carlos Queiroz, criando, com a colaboração do Madaíl e companhia, uma série de casos que afectaram gravemente a imagem desse treinador.
    A verdade é que ele sabia muito bem os jogadores que tinha e até onde podia ir.
    Adoptou a táctica correcta, (defesa sólida e contra ataque), e só foi eliminado pela campeã da Europa e futura campeã mundial, após uma expulsão à medida, numa altura em que alterava a táctica da equipa para tentar ganhar o jogo.
    Não houve jogadores a lesionarem-se sozinhos, não houve a desgraçada da propaganda Ronaldo e mais dez, não houve empresários a meterem o nariz na equipa e defendeu as suas ideias contra tudo e contra todos.
    A verdade é que a maioria dos jogadores da selecção são jogadores medianos e os 5 que saem dessa mediania estão completamente “estourados” pela dura época que tiveram.
    Saímos do mundial apenas por uma razão: os outros são melhores, porque estão melhor preparados fisicamente e jogam todos para a equipa.

  2. Ferpin says:

    Perdemos com a Espanha 2010 com um golo do vila em fora de jogo, vila esse que nem devia ter jogado contra nos devido a uma agressão à cotovelada num jogo anterior, que não fosse ele espanhol dava N jogos de suspensão.

    Isto sem escamotear que a Espanha, em 2010, no deu um massacre na primeira parte, ao contrário de 2012, em que jogamos tanto como eles em todos os aspectos do jogo.

    Quanto ao Queirós, eu achei o balanço de 2010 razoavelmente positivo, ao contrário dos média em geral, mas acho que o Queirós não tinha mais condições de continuar. O caso com o merdas do horta do doping, porrada com um jornalista idiota, um discurso de homem cercado…

    Outra coisa que se escamoteia é que o nosso hábito de falhar nos apuramentos contra adversário fraquíssimos, indo lá pelos playoff, nos leva a não poder ser cabeça de série apesar de quartos do mundo, e depois calhamos em grupos difíceis e no geral lixamo-nos.

    Urge renovar a selecção, e instalar uma cultura de combate contra os pequenos nos apuramentos, para ver se na próxima somos cabeça de série, o que permite evitar grupos da morte.

    É que, após passar o grupo e entrar no bota fora, temos tradição de nos safarmos muito para lá do que é o valor do nosso futebol, que é muito inferior ao valor da seleção.

    No entanto, estou convencido que neste mundial, no bota fora vai imperar o poder físico mais do que a ratice/manhã/experiência, pelo que acho que mesmo que tivéssemos passado ia ser difícil repetir o brilho das campanhas anteriores.

  3. Manuel Sota says:

    Já chega de futebol e mundial… Olhem mas é para País e os seus Alibábás mais os quarenta ladrões que cada um tem… Qualquer dia até vamos pagar um imposto se quisermos sair!!!

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