Aventar

Polícia, mentiras e bordeis televisivos



Os inimigos das redes sociais, basicamente analfabetos envergonhados e malta que não gosta de convívio, proclamam entre os males das mesmas que o virtual é uma treta, um perigo e uma ilusão, ao vivo e olhos nos olhos é que é bom.
Ora parece que o pessoal adolescente decidiu dar-lhes ouvidos, e vai daí organizam-se em encontros de conhecidos virtuais, a que chamam meets (que saudades do velho meeting revolucionário, um anglicismo cuja origem nunca entendi).
Num desses encontros, e entre 600 presentes, dois micro-grupos envolveram-se à porrada, e duas garinas cometeram um assalto, perfeita rotina num centro comercial de grande dimensão, logo é chamada a autoridade, esta, a precisar de treinos, veio em força e desata à bordoada, pelo menos uma grávida e tudo.
Que diabo, sempre eram pretos, e preto que é preto tem de provar o sabor do pingalim. Além disso estamos em Agosto, e faltam notícias, que alguns jornalistas fizeram, com destaque para para o administrador do local que desmente a versão da PSP. Outros, que a comunicação social é cada vez mais bordel e nela idiotas e/ou malta com missões políticas a cumprir, trataram de comparar com os rolezinhos brasileiros (que são uma forma organizada de entrar onde pobre está proibido, nada tendo que ver com isto), reeditando o arrastão com que se entretiveram uns verões atrás. Há que apelar à ordem na ponta da arma, lançar o pânico social entre a populaça (enquanto temes os pretos não te preocupas com o Espírito Santo), ameaçar com a insegurança para que o poder anti-democrático se instale, devagarinho.
Todo isto aconteceu no Centro Comercial que leva o nome de Vasco da Gama. Mais simbólico não poderíamos ter: um país que invoca como herói um dos mais cruéis genocidas da História da Humanidade (e que feito algum de particular relevo, fora isso, cometeu), tem a polícia que merece e as putas afoitas nos jornais propriedade dos donos disto tudo a condizer.