Dois minutos para o jogo do tanso*

Leio no Público que a Igreja Católica quer que ver o Aborto a ser debatido na Campanha Eleitoral. Leio que: “Movimento de cidadãos defende que as mulheres que estão a pensar abortar devem ver antes as ecografias e pretende que os pais participem na decisão. “

Três comentários:

1- Eu acho muito bem porque assim como assim nunca ninguém vê um boi nas ecografias portanto esta medida parece-me tão estúpida quanto útil.

2- Eu acho óptimo que os pais participem na decisão até porque tenho a certeza que o puto de 17 anos que engravidou a namorada está cheio de vontade de ser pai e de explicar á familia dele e dela o que aconteceu. Aliás, não se fiquem por aqui. Se os paizinhos depois não demonstrarem qualquer interesse na criança devem ser multados e/ou presos. Ah, o quê, isto já não é chantagem emocional barata? Perdoem-me.

3- Eu percebo que a Igreja tenha que fazer este papel e eu nem lhes estou a pedir para serem a favor do aborto, ou da homosexualidade ou da ideia de que as pessoas têm direito de fazerem o que querem com o próprio corpo e que há algo chamado direitos individuais que têm que ser respeitados e que não cabe aos homens decidirem pelas mulheres ou heterossexuais pelos homossexuais ou brancos por pretos. Mas não deixo de me perguntar se a Igreja portuguesa não deveria dar ouvidos ao Papa e pensar que em vez de se dedicarem aos temas fracturantes, deviam começar a dar importância a outras coisas que se calhar não aparecem nos jornais mas que são mais úteis para a sociedade em geral.

*Título roubado a Cátia Rodrigues do Canal Q.

Comments

  1. Rui SIlva says:

    Proposta de correcção:

    … as pessoas têm direito de fazerem o que querem com o próprio do corpo filho…

    cumps

    Rui Silva

    • Rui SIlva says:

      Proposta de correcção á correcção:

      … as pessoas têm direito de fazerem o que querem com o corpo do próprio filho…

      cumps

      Rui Silva

  2. Artur says:

    E quanto à questão: e se o pai quer o filho e a mãe não quer, qual é a decisão que deve prevalecer?

    • Nightwish says:

      Hmmm, não sei, deixa-me pensar, qual dos dois é que tem grandes alterações corporais, problemas hormonais e grandes constrangimentos durante nove meses e num país liberal está sujeito a ficar sem emprego?

      • Artur says:

        Mas se a mãe o quiser e o pai não, a mãe fica mesmo com ele e o pai vai se chegar à frente com apoio financeiro até maioridade…isto será um sexismo incapotado e desvalorização descarada da opinião paterna, ou estarei enganado?

        • Daniela Major says:

          A resposta é a mesma Artur, daí a ideia da IC ser absurda. Os pais não têm que participar na decisão porque o corpo não é deles. E se não se sabe quem é o pai? E se o pai tiver desaparecido? E quem é que garante que mesmo que o pai queira a criança não vai mudar de ideias a meio e a mãe é que fica com o encargo de ir para a gravidez para a frente e eventualmente criar um filho? Vamos obrigar as pessoas a serem bons pais? E como é que se propõem a fazer isso? Com uma pensão de alimentos de 100 euros por mês que não dá para comprar dois pares de ténis? Depois, o quê? Dá-se a criança para adopção?

          Só em última instância é que reverte para as mulheres? Ou se aceita o aborto como prática legítima porque a vida humana não começa com a concepção e dá-se a decisão ás mulheres (que a igreja não aceita) ou não se aceita.

          • Rui SIlva says:

            Conclusão: a natureza não respeita a “igualdade” da esquerda progressista. Tanto pior para a natureza.

            cumps

            Rui SIlva

      • Rui SIlva says:

        Conclusão: a natureza não respeita a “igualdade” da esquerda progressista. Tanto pior para a natureza.

        cumps

        Rui SIlva

  3. Rúben de Jesus says:

    Creio que o debate em causa se relaciona essencialmente com a protecção da vida…A igreja tende a prosseguir uma doutrina de salvaguarda da vida e, desta forma, não admira que queira que se debata a questão do aborto. Considero que é uma discussão mais que útil e, como tal, não deve ser reprimida nem pela Direita nem pela Esquerda…
    Aliás, creio ainda que tendo em conta a importância do tema não deveria este ser retratado com ironias e a leveza de discurso com que a autora se muniu. Não estou com isto a criticar a autora, mas apenas a salientar que no que toca ao debate de assuntos grande interesse social (e até filosófico e jusfilosófico) deve haver alguma elevação do discurso.
    Grato pela atenção.


  4. Escusava de estragar o texto falando do papa chiCCo.

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