Acabem com a infâmia


Já que aqui estou, o Rui Rocha chamou-me a atenção para este artigo em que um membro da Igreja Católica – Padre Gonçalo de Almada – acha que deve aproveitar a violação de uma criança de 12 anos para dizer que o Hospital estava errado, que o aborto é a privação de uma vida e as merdas do costume, um artigo que me dá, sinceramente, voltas ao estômago, um artigo que faz o possível para evitar usar a palavra “criança” para descrever a vítima (A real vítima) mas que aplica a mesma palavra para descrever o feto de cinco meses. Um artigo que usa toda uma série de argumentos para diminuir o drama e o horror ao qual esta criança foi sujeita com o simples objectivo de fomentar a agenda da Igreja em relação ao aborto, de continuar a fomentar estas ideias absurdas. Nem há a decência de se mantarem calados em relação a este caso. Só há – só pode haver – uma palavra para descrever este oportunismo sem vergonha: Nojo. Este artigo é nojento.

É nestes momentos que eu penso (e peço desculpa pelo anacronismo de estabelecer paralelos directos): Voltaire tinha razão. Écrasez l’infâme. Todos eles.

Comments

  1. Paula Azevedo says:

    Sem palavras!!! Não se terá o padre perguntado onde estavam a mãe e o pai (sobretudo a mãe que seria com quem a criança coabitava) durante os abusos? Que a criança é apenas uma criança, a entrar na adolescencia, mas criança… Que o hospital adoptou postura paternal e maternal, na falta de quem a deveria ter tido e não teve…Nojo, fiquei mal disposta!

  2. Oh Daniela! Conheço algumas pessoas na Opus Dei capazes de invocar a ira de Deus e rezar pela salvação da alma dos pecadores que decidiram realizar o aborto. Excepto se a menor violada fosse filha de um dos seus membros, porque aí no maior dos secretismos retiravam a menina de circulação durante algum tempo, condenada ao voto de silêncio, assim um pouco à semelhança da “omertá” na “camorra”, até que não restasse o menor sinal do aborto que nunca existiu, claro. Hipócritas…

  3. Rui Moringa says:

    A prosa do Sr. Padre é apenas um ponto de vista… Tosco.
    O pior é que o Sr. Padre acha…Sustenta a sua argumentação em quê…Nada.
    Os cristãos exigem saber!? Mas quem lhe passou “papel de representação”? Eu não…
    Bem, uma lástima.
    Todos sentimos que a uma VIDA é BOM para NÓS HUMANIDADE e, por isso, deve criada e preservada.
    Não sei discutir se a vida começa na meiose ou mais tarde, no parto-nascimento.
    Sabemos que uma vida precisa de vinculações, referências sociais próximas.
    Sei que ser mãe e pai não é uma função baseada no “instinto” – lei natural ou lei religiosa. Ser mãe é também uma aprendizagem social.
    Como seria possível assegurar, mesmo com uma boa dose de risco inerente à vida familiar e social que um ser (!??) pudesse SER uma PESSOA, com um carga negativa quanto esta, ou seja, ser “fruto” de uma brutalidade destas – resultado de uma violação de uma criança por um padrasto que tinha a função de proteger?
    O Sr. Padre não terá, com o seu artigo, estado no papel do diabo? Não sei…Mas que o diabo anda por aí, parece andar sim.

  4. Baudolino says:

    Voltaire e Benjamin Péret!🙂

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