SIC e TVI ao serviço do embuste

Depois do sucesso da varinha de condão repleta de poderes mágicos que cura “assim assim” as mais variadas maleitas, por telefone e em directo na SIC, eis que me deparei com esta sequência de embustes astrológicos compilados pelo humorista Hugo Sousa. Urinei-me com particular descontrole quando a taróloga Bárbara Corte Real anteviu uma relação amorosa na vida da filha de 4 anos de um telespectador (estava tentado a chamar-lhe otário mas quero acreditar que o homem estava numa de gozo). A fraude é tal que as próprias vigaristas ficam por vezes sem resposta perante as reacções às suas vigarices. No Canal Q, Joana Marques e Daniel Leitão reduziram a outra interveniente neste vídeo, Michelle Fannon, ao absoluto ridículo. Gozar estas vendedoras de banha de cobra devia ser desporto nacional.

Incrivelmente – será que estas actividades verdadeiramente repugnantes rendem assim tanto que justifiquem alinhar numa falcatrua destas? -, SIC e TVI continuam a apostar nestes conteúdos, contribuindo de forma decisiva para este exercício de aldrabice descarada. Uma aberração fraudulenta que nem nos classificados dos jornais devia ter espaço. Como pode uma estação televisiva que se diz séria participar numa mentira deste calibre?

Comments

  1. Carvalho N.A. Folha says:

    Já dizia o meu avô:
    “Aos burros dá-se palha, que é o que apreciam; se lhes desse boa comida, não a saberiam apreciar”
    Quem vê esses programas, com essas tretas não é burro, claro (porque os burros ainda têm alguma inteligência).

  2. orquidea says:

    Pois é! Se fosse só isso! Há dias dei comigo a ver televisão numa sexta feira à tarde, depois das 6h. Estava na TVI. Fiquei atónita quando ouvi aquelas dezenas de apelos consecutivos à ligação telefónica de um número para, em troca, receber mil euros. E “a máquina da verdade”?. Deplorável, mil vezes deplorável. Como é possível canais de televisão aproveitarem-se de pessoas incautas ( reformados, desempregados, donas de casa, jovens ). Uma televisão que era suposto informar e cultivar. Não digo que passassem música clássica mas há tantos programas informativos, passatempos, lúdicos etc que poderiam mudar mentalidades.
    E as desgraças de apresentação? E a sequência de telenovelas? Que fazem os canais privados se não a guerra de audiências? Vale tudo… até tirar a capacidade critica.


  3. Concordo com a denuncia mas chamo a atenção para que os cidadãos têm que interiorizar que a muita liberdade lhes exige permanentemente que assumam a responsabilidade das escolhas que fazem. Não adianta esperarem por um dao.sebastiao salazar ou costa que os proteja e decida por eles. Como os acontecimentos relevam ninguem lhes acode quando fazem as opções erradas (BPN,BPP,GES), escolha das más escolas e maus cursos, comprar ou investir em negocios ruinosos, acreditarem em demagogos para os diversos lugare s da administração do estado. Tenham a noção sem duvida que a escolha é só vossa responsabilidade e não a transfiram para ninguem, nunca!!


    • Concordo consigo. Mas saberá o senhor que esta indústria dispõe de eficientes ferramentas de manipulação e de condicionamento de comportamentos. E nem todos têm a mesma capacidade de lhes resistir.

  4. orquidea says:

    Mas aquilo a que se chamam boas escolhas, para além de relativo tem também a ver com a quantidade e qualidade da informação que se tem previamente. Isso dos bancos tem a ver com outra coisa que é a ganância. Daqui não tenho pena. O que lamento é o engodo a que uma minoria da população está sujeita. Já viram os milhões que entram nas televisões com esta coisa dos telefonemas?Já pensaram em quem responde a esses a essas solicitações? Provavelmente quem já não pode trabalhar, quem está desempregado ( por querer ou não) e jovens que têm tempo livre.
    Claro que a escolha é livre. Esqueceu-se que também é responsável e ela será tão responsável quanto a informação de que dispomos.

  5. orquidea says:

    Claro que o país que temos é isto mesmo. Folclore!

  6. orquidea says:

    João Mendes, pelos vistos parece ser um bom “cristão”!Isto de dizer ámen pode tornar-se um hábito.

Trackbacks


  1. […] da civilização, neste caso a Turquia, onde prega alucinações numa estação de televisão, um pouco à semelhança de certas pessoas que temos por cá, só que muito […]

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