Taxa de emprego 1988-2015

taxa emprego 1988-2015

Fonte (com adaptação minha). In Portugal, employed persons are individuals with a minimum required age who work during a certain time for a business. This page provides – Portugal Employed Persons – actual values, historical data, forecast, chart, statistics, economic calendar and news. Content for – Portugal Employed Persons – was last refreshed on Sunday, July 19, 2015.

Quando se fala de emprego em Portugal logo vem à baila a taxa de desemprego, o que é um contra-senso. Eu prefiro olhar para a taxa de emprego, que até está menos sujeita a redefinições cosméticas (todos os governos as têm feito como forma de camuflar o desemprego).

Este gráfico mostra a evolução do número de pessoas empregadas entre 1988 e 215, em Portugal e na Alemanha. Sem grande sistematização, adicionei alguns marcos neste período. Observa-se, sem surpresa, alguma correlação entre estes marcos e a evolução do emprego, fruto do corresponde estado de saúde da economia.

A evolução do emprego na Alemanha foi, essencialmente, sempre em crescendo, inclusivamente durante a crise que actualmente vivemos (aliás, com particular aumento durante a crise). Torna-se claro que a crise a favoreceu, contrariamente a algumas linhas de pensamento que procuram justificar a necessidade de austeridade como forma de justiça.

Quanto a Portugal, podemos observar a ascensão e queda do cavaquismo, com o período das vacas engordadas pelos fundos comunitários. Seguiu-se um novo fôlego que coincidiu com o entusiasmo à volta das .com e com o dinheiro barato trazido pelo euro. O marco seguinte foi o do colapso quando o dinheiro deixou de ser barato por causa da falência do Lehmans Brothers, fazendo com que os juros da dívida se tornassem incomportáveis.

O gráfico ilustra bem como o período de governação PSD/CDS foi de destruição do emprego. A partir de 2013 existe alguma recuperação mas não nos podemos esquecer que o TC meteu um travão nos cortes que o governo colocara no OE2013, o que teve um impacto positivo na economia, e que há diversos programas para criar emprego fictício (p.ex. estágios na FP e subsídios à contratação no privado).

Podia ter sido diferente? Claro que sim, mas teria sido preciso que os diversos governos tivessem tido uma acção governativa diferente. Os governos de Cavaco não deviam ter estoirado os fundos comunitários em pseudo-formação (só para citar um, lembram-se de Torres Couto? pois). Guterres não devia ter feito das PPP o seu mealheiro para as obras público-eleitorais. Barroso e Ferreira Leite não deviam ter hipotecado o país com a titularização de créditos fiscais ao Citigroup. Sócrates não devia ter nacionalizado o BPN, nem devia ter estoirado dinheiro em coisas como a Parque Escolar só para ganhar o segundo mandato. Passos Coelho não devia ter pago a crise unicamente à custa da classe média, destruindo a fraca teia económica baseada no consumo. E todos eles não deviam ter transformado o país num gigante estaleiro, como se as obras públicas fossem o maná do crescimento económico.

A propaganda da coligação agarra-se à tese de que estamos melhor, caso contrário não teria forma de justificar a sangria que causou. Os factos falam por si. O emprego continua pelas ruas da amargura e a recuperação é uma promessa incerta. Mas ao contrário do futuro, estes quatro anos são bem conhecidos e só nos trouxeram mais pobreza e uma vida mais dura, sem que haja sinais de melhoria. Se esta existisse de facto, não andaria Passos Coelho a enrolar a língua quando lhe perguntam quando é que os cortes salariais terminam, nem andaria a ameaçar com mais cortes nas pensões. Nem andaria a dizer que “nós temos limitações óbvias do ponto de vista constitucional para lidar com o problema dos salários.” Os salários são um problema num país em recuperação?!

Todos queremos acreditar num futuro melhor mas esse não se vislumbra nas intenções de Passos Coelho.

Comments

  1. J.Pinto says:

    Eu gosto muito de gráficos porque eles represnetam a realidade. O j.manuel cordeiro num parágrafo disse tudo: o emprego na Alemnha tem vindo sempre a crescer, sempre….

    Portugal, pode ver-se no gráfico, beneficiou imenso com a adesão ao euro e depois de 2008 sofreu com a falta de dinheiro. Se o problema é a falta de dinheiro, qual será a solução? Há quem diga que devemos gastar mais e poupar menos.

    Deixo-lhe mais um artigo, que pode ser-lhe útil (também contém gráficos e dados concretos).

    https://economiaegestao.wordpress.com/2015/07/04/o-consumo-e-o-endividamento/

    Atenção: muitos acham que Portugal deve aumentar a procura…. eles só defendem medidas que aumentem o consumo.

    Não bate a bota com a perdigota, pois não?

    • Nightwish says:

      De que a austeridade permite a recuperação económica? Não, não bate.
      O resto é economia básica, ide estudar.

      • J.Pinto says:

        Chame-lhe o que quiser. Eu chamao-lhe equilíbrio.

        Se o problema é o défice, a aritmética diz que se aumentam as receitas ou se cortam as despesas. Não há uma terceira via. Isto no plano financeiro.

        O problema económico é diferente. Aliás, todos os dados (o j. manuel cordeiro mostrou-o com o gráfico que publicou) mostram que os países beneficiaram muito com a adesão ao euro. A economia cresceu em alguns deles (ex: Grécia) apenas por causa do baixo preço do dinheiro (endividamento).

        • Nightwish says:

          A aritmética é uma ferramenta que a economia usa para dizer que isso são contas de merceeiro que nada têm a ver com a economia de um país.

          • J.Pinto says:

            Quando o objetivo é defender o status quo que se lixe a aritmética, não é?

          • Nightwish says:

            Você é que está a defender o status quo. Eu estou a dizer que não funciona.

    • j. manuel cordeiro says:

      Uma pessoa com frio também beneficia do calor se pegar fogo à casa.


  2. O consumo privado aumentou muito e a venda de carros foi 4 vezes superior; isto tudo consequência como é óbvio da malvada Merkl e a vergonhosa austeridade do governo. Como eu tenho saudades do governo tipo socrates que “criou” milhares de empregos que ainda hoje andamos a pagar. Governos, sindicatos, analistas, partidos politicos a criar empregos? e os empresários não dizem nada? A demagogia se tivesse asas talvez estivesses melhores!! e votássemos em melhor governos…

    • Nightwish says:

      O aumento da venda de carros deve ser dos novos empregos que o governo andou a distribuir aos jotas…

  3. j. manuel cordeiro says:

    “O consumo privado aumentou muito e a venda de carros foi 4 vezes superior”

    E diz isto como se fosse uma coisa positiva num país com uma balança comercial sistematicamente deficitária.

    http://i.snag.gy/4vkse.jpg

    De qualquer das formas, depois do fosso de 2013, qualquer recuperação aparenta ser um sinal positivo.

    http://i.snag.gy/z2QRK.jpg

    Só para recordar novamente, 2013 foi o ano em que o TC chumbou quatro medidas do OE2013. O TC salvou o governo de si mesmo.

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  1. […] de 134 mil emigrantes. 482 mil trabalhadores que não contaram para o desemprego. Atendendo a uma população empregada em Junho de 2015 de 4450 milhares (4,45 milhões), estes emigrantes correspondem a 11%, pelo que se estas pessoas […]


  2. […] fundo, no fundo, é um mistério o desemprego a baixar sem o emprego aumentar. Ou se calhar […]

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