Os “portugueses não comem TGV” mas comem escolas privadas

escolas privadas

Estado vai gastar mais 53 milhões de euros com escolas privadas, lê-se no JN. Não come TGV? Então tome lá este pitéu e não se esqueça da maionese para escorregar melhor.

Não chega?

Queremos implementar oque se pode chamar uma parceria público-social que proceda à transferência de equipamentos sociais que estão sob gestão directa do Estado Central para as entidades do sector solidário que integrem a rede social local, desempenhando o Estado um efectivo papel financiador e regulador. [Intervenção do Mota Soares, na apresentação do Programa de Emergência Social (sic), já em 2011]

Traduzindo este fantástico parágrafo: Já em 2011, o tipo do beija-mão deixou preto no branco que o estado iria financiar as IPSS, que é o termo correcto para o eufemismo entidades do sector solidário que integrem a rede social local.

Parece, portanto, que os portugueses não comem TGV mas já comem IPSS. E vão comer mais, pois esta ideia que foi transversal à legislatura já se anuncia que terá continuidade na próxima, se os tipos da estalada ganharem:

O plano de combate à pobreza será concretizado através de uma parceria público-social com Instituições Particulares de Segurança Social (IPSS) e Misericórdias, disseram à Lusa fontes do CDS-PP. [CM]

Aqui está em todo o esplendor a contradição no discurso e no acto entre destes liberais de pacotilha. Dizem que é preciso diminuir o peso do estado na economia mas criam rendas a favor de entidades privadas. Afirmam que o estado não cria emprego mas fomentam a criação de trabalho graças a dinheiro público. Proclamam que o estado é gordo mas criam um segundo estado paralelo no privado, mas, claro, a viver à conta do dinheiro público. Enchem a boca com o dinheiro dos contribuintes mas não hesitam em o entregar às IPSS e Misericórdias. Clamam contra um tal socialismo que acaba quando se acaba o dinheiro dos contribuintes mas é desse mesmo dinheiro que nascem negócios no privado. Grandes empresários estes, a fazerem negócios à conta do OE.

Isto tudo já os portugueses comem. Mas não engolem, pelo menos alguns, a trampa que Passos Coelho debita, como se ele e o seu partido nada tivessem a ver com com esses tais TGV e c.ia que os portugueses não comem.

Agora quero ver o que têm a dizer os habitués que habitualmente se passeiam por aí fora de garganta cheia de verborreia.

Nota: leu até aqui? Então aproveite para ver esta foto.

Comments


  1. É pena que quem ler este post não leia a desmontagem da mentira que está na noticia do jornal, que envergonha os jornalistas sérios. E se os jornalistas sérios são dos mais importantes para os cidadãos; isto no que diz respeito a informação, claro. Que fantasias e demagogias precisam doutros criativos, e há muitos e de todas as cores.

    • j. manuel cordeiro says:

      E qual é essa desmontagem? Não se iniba, partilhe.

      E s transferência de dinheiro para as ipss também é demagogia?

      • Nascimento says:

        Este merdoso não partilha rien, porque, ele mesmo,faz parte de uma IPSS!! Tópas, ó Cordeiro?No fundo ,o merdoso ,é um mão estendida sempre á pala do estado…e ainda têm de rezar!!!

        • Dezperado says:

          Augusto Santos

          Obrigado pelo esclarecimento. A contra-informação esta em força.

        • Nightwish says:

          E fontes que não sirvam para vomitar comunicados de imprensa do governo, há?

        • j. manuel cordeiro says:

          Lê-se nesse link partilhado:
          “Vou ser o mais sincero possível: não compreendo como é que uma “notícia” destas é publicada. Estamos em período pré-eleitoral, a única fonte dos dados (tanto o número de contratos de associação como a despesa) é o secretário-geral FENPROF (um sindicato de professores ligado ao PCP) e a informação não foi verificada – ou foi mal verificada, porque seria facílimo constatar que a notícia se apoia em informação errada através de dados do Ministério, informação publicada no relatório do Orçamento de Estado 2015 ou simplesmente cruzando notícias.”

          Eu próprio me surpreendo como é que algumas “notícias” plantadas pelo governo são publicadas, pelo que o argumento dá para os dois lados. Mas adiante. O post não indica a fonte para os nºs apresentados. Se quiserem ter a gentiliza de os partilhar, gostaria de os ver.

    • j. manuel cordeiro says:

      Claro que mandar bocas ao TGV, com o qual discordo, já agora, depois do historial do PSD no assunto e dos estudos pagos aos habituais, já não é demagogia e fantasia de doutos criativos. Tire as palas partidárias, s.f.f.

    • Dezperado says:

      cristof9

      Isto tem tudo haver com ideologica, visao. Uns acham que o Estado é que nos tem de dizer em que escola andamos, que transportes devemos usar, que hospitais podemo usar…etc. Outros como eu, gostam de liberdade de escolha, sendo publico ou privado.

      Todas estas noticias que vão saindo, por parte de jornalistas que se movem pela sua ideologia e nao pelo jornalismo em si, servem apenas para isto, para lançar a confusao….e com a confusao nao se debate nada.

  2. J.V. says:

    E isto ainda é a forma mais ingénua de financiar as IPSS. Não deve demorar mais de uma ou duas legislaturas para termos as PPPs da solidariedade social em pleno (procurar por “Social Impact Bonds” e artigo do LMD “Quando os cidadãos substituem o Estado de bem-estar”).

  3. António says:

    Qualquer dia é o saneamento básico. Se pagas tens sanita se não tens dinheiro não cagas… Bom, também se não tens dinheiro não comes, por isso … faz sentido.


  4. E tudo acontece num país das Tretas perto de si…

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