Pontos sobre os refugiados

1- A verdadeira ameaça à Europa não são os refugiados. Não foram refugiados que há 70 anos mataram seis milhões de pessoas. A verdadeira ameaça são pessoas como o Viktor Orbán que debitam disparates sobre os valores Europeus sem saber nada de história ou de valores Europeus. Como dizia o editor judeu – húngaro – de Thomas Mann, a propósito de alguém que ambos conheciam:

Kein Europäer, sagte er kopfschüttelnd
Kein Europäer, Herr Fischer, wieso denn nichts?
Von grossen humanen Ideen versteht er nichts.

Ele não é um Europeu, disse ele abanando a cabeça.

Não é um Europeu, Herr Fischer? O que quer dizer?

Ele não percebe nada sobre os grandes ideais humanistas.

2- Do ponto de vista das infra-estrutras é evidente que a Europa não tem condições, especialmente se as coisas continuarem assim, para acolher tantos refugiados. A Alemanha diz que vai receber 800 mil pessoas, mas estará mesmo preparada para receber um influxo de quase um milhão de pessoas, especialmente num espaço de tempo tão curto? Mas a questão que se põe agora é como resolver a crise. A resolução passa por atacar a fonte ou seja, a instabilidade que começou nos países de origem. Para isso a Europa tem de admitir, juntamente com os Estados Unidos, a sua responsibilidade na criação desses mesmos problemas. O que teria acontecido se o Iraque não tivesse sido invadido, ou até, indo mais para trás, se a Europa e os Estados Unidos não tivessem interferido sistematicamente na região do médio oriente como andam a fazer desde há 40 anos?

3- Admitindo que haja radicais islâmicos nos milhares de pessoas que chegam à Europa, a experiência diz-nos que os terroristas vêm de avião e têm dinheiro ou nascem na periferia de Paris. Custa-me a acreditar que a malta que arrisca a vida em barcos de borracha porque a alternativa – ficarem em casa – é tão má, venham para matar gente na Europa.

4  – Historicamente, na Europa, o racismo, a xenofobia, as perseguições e os preconceitos religiosos protagonizados por cristãos mataram mais gente que o radicalismo islâmico. Lembrem-se disso quando falarem de História.

Comments

  1. joão lopes says:

    a europa não aprendeu nada com a segunda grande guerra? os judeus alemães foram expulsos e gaseados por quem? pelos responsaveis politicos alemães da altura.A mim dá-me impressão que o senhor PM hungaro professa as ideias politicas de heinrich himmler,que como toda a gente sabe era um doente mental:(nada neste comentario é anti-alemão ou anti-povo alemão,ou anti-merkl)


  2. Como dizem os chineses , carroça vazia só faz barulho, tudo devia ser feito com descrição , estudar os problemas e por amor na resolução , o ódio, a vingança a prepotência só criam maior distanciamento e mais guerras

  3. Mário Reis says:

    A presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR) acredita que os dirigentes europeus vão ser “julgados pela História, por não terem actuado mais rapidamente” na resolução do drama de milhares de refugiados e migrantes.
    Eu defendo que devem ser julgados, não pela falta de rapidez na resolução do drama, mas pela rapidez com que decidiram fomentar a desestabilização de sociedade que tinham problemas e as abandonaram à sorte dos senhores da guerra, do petróleo e da traficância humana.
    Ainda hoje, no editorial do Público, fala-se, fala-se mas não se concluiu nada. Pela socapa meteu-se por lá as crianças gaseadas… talvez porque na nossa cabeça continue e velha ideia que os responsáveis foram as hostes de Assad que queria esmagar os guerrilheiros da liberdade. Gosto muito de editoriais, posts e comentários que a gente lê e pensa, e depois?
    A indiferença do “ocidente” é um sinal de decadência e doença grave. Pelo caminho, não faltará muito tempo para que passemos a viver este terrível espectáculo (sim, espetáculo em que isto se tornou) da vida destes desgraçados, na realidade da nossa própria vida?
    O Victor e as sua ideias são um nojo! E o Obama, Holland, Cameron e outros que apoiaram a intervenção e desestabilização da Libia, do Iraque, da Síria e de outros países daquela região, são o quê?
    E as politicas que centrifugam a riqueza para os países ricos esmagando toda a humanidade, porque não são combatidas pela consciência europeia?
    E que dizer da indiferença dos europeus, portugueses à cabeças da mediocridade dos agentes e do massacre trágico das suas ideias?

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