Pior a emenda que o soneto

As declarações de Michael Seufert sobre a inaptidão da JSD são infelizmente outro tiro no pé. No meio de uma série de considerações, o Sr. Seufert afirma:

“E se é um facto que Hitler foi derrotado no momento em que esse exército chegou a Berlim, vindo de Leste, é um reescrever da história chamar-lhe libertação ou celebrar esse dia. É que trocar um ditador – por muito horrível que fosse, como foi o caso de Hitler – por outro – e Estaline jogava com Hitler na liga dos crimes contra a humanidade – não é propriamente ficar livre ou ficar melhor. É trocar uma bota com uma suástica por outra com uma foice e martelo. As duas pisam a liberdade e a vida. Para o povo é igual.”

Vamos lá ver, que a vitória comunista não significou uma libertação é totalmente verdade porque depois foram instauradas uma série de ditaduras comunistas. Contudo, aquele imagem em concreto simboliza a vitória do comunismo, do Exército Vermelho, sobre o Nazismo (porque apesar de todas as atrocidades a verdade é que foi o avanço do Exército Vermelho que ajudou e muito à derrota do Nazismo). Portanto, a analogia é óbvia: a JSD inclui aquela bandeira ali simplesmente como símbolo do comunismo. O que se esqueceram, e o que tem verdadeiramente piada, é que ela é o símbolo da vitória do comunismo sobre o nazismo. Não necessariamente de libertação até porque como foi dito não houve para os Europeus de leste qualquer tipo de libertação. Mas o importante no dia 2 de Maio não era a libertação. Era a vitória. Portanto, a analogia que a JSD estabeleceu nada tem a ver com libertação mas com o facto de associarem, sem querer evidentemente, o anterior governo aos nazis. A bandeira simboliza a vitória comunista sobre uma Berlim em cinzas, a capital da Alemanha Nazi. Aliás, a bandeira é hasteada no dia 2 de Maio, o dia do fim da batalha de Berlim, uma das ofensivas mais sangrentas da segunda guerra, por cima do Reichtag, um dos símbolos do regime alemão. Nada tem a ver com libertação. Tem a ver com triunfo. Como, aliás, a revista TIME aponta neste artigo, dizendo: “The iconic image of Nazi Germany’s defeat”. E acrescenta: ” It was stage-crafted from beginning to end. Khaldei, in fact, had been at his Tass headquarters in Moscow when Soviet forces captured Hitler’s capital. The photographer had received orders from on high — possibly from Stalin himself, it was murmured — to rush there and produce a picture symbolizing the Soviet victory.”

Ou seja, simboliza os comunistas a triunfarem sobre os nazis. E foi essa bandeira que a JSD mostrou.

Post scriptum: Para falar em Libertação, deve-se falar no 8 de Maio. Richard Von Weizsäcker explica porquê, melhor do que ninguém.

Comments

  1. joão lopes says:

    Apenas isto e nada mais do que isto:não deixem de ir a Castelo de Vide por causa de meia duzia de idiotas…recomendo um excelente arroz de coelho á caçador.

  2. martinhopm says:

    O rapazinho Seufert sabe alguma coisa de história?! Mas ainda está a tempo de aprender. Faça alguma coisa de útil, pois parasitas pululam por aí e temos que os sustentar (nós, os pagadores de impostos, claro!). Tire um cursinho para saber do que fala, nem que seja daqueles semelhantes ao do Relvas.
    Quanto ao longo texto da Daniela e à sua interpretação dos factos muito haveria a dizer. Mas hoje não estou com pachorra. Terá que ficar para outro dia. Claro que discordo!

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  1. […] Eis a direita radicalizada em todo o seu esplendor. A direita de golpes e fraudes como o BPN, os submarinos, os sobreiros abatidos para campos de golf, os Vistos Gold, a Tecnoforma de Passos Coelho e Relvas e a irrevogabilidade de Paulo Portas. A direita que não respeita a expressão dos votos dos portugueses e que parece hoje negar a democracia representativa. Terá o cartaz da JSD sido intencional? […]