Calçada Portuguesa

Fonte: internet
A calçada portuguesa está a desaparecer do nosso chão, onde cumpria a função de céu.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    “Eu tenho corrido meia Europa e ainda não vi em nenhuma terra (…) um pedaço de cidade tão bonito como a Praça de D. Pedro (…)”
    Era mais ou menos assim que o insigne Teixeira de Vasconcelos se referia à Praça Nova do Porto no último quartel do século XIX.
    Da Praça Nova já nada resta, revolvida e destruída nos anos 20 do século XX para dar lugar à actual Avenida dos Aliados ou Praça se quisermos.
    Foi então que Barry Parker, arquitecto paisagista, desenhou os belos jardins da Praça delimitados por um belíssimo enquadramento de calçada portuguesa. Durariam cerca de sessenta anos…
    O Porto capital Mundial da Cultura em 2001, trouxe à liça um conjunto de arquitectos que decidiram brindar-nos com o neoliberalismo arquitectónico e o resultado não poderia ser mais negativo que aquele que hoje podemos ver.
    Essa gente, altamente medalhada e conceituada, veio destruir a maravilha que existia, lugar viçoso, colorido e apelativo, para dar lugar a um local cinzento, sem vida, verdadeiramente típico de uma falta de gosto atroz, um atentado à arquitectura paisagística da cidade do Porto perpetrado por políticos tão cinzentos e sem vida como o granito que escolheram para, segundo dizem, …”espelhar a alma do Porto”.
    Uma hecatombe arquitectónica que, repito, espelha a alma e o gosto do antigo presidente da Câmara, dos arquitectos, que embora premiados e mais dilatados que sapos acabados de fumar um charuto, nos ofereceram, um verdadeiro “concerto de rabecão” tocado por sapateiro (com todo o respeito por este mester).
    A estes, juntam-se os conselheiros da parte histórica do Sr. Presidente que só podem, tal como o dito, ser mais cinzentos que o mais cinzento dos granitos do Minho Português.

    E vem isto a propósito de quê?
    Justamente da destruição da calçada.
    A calçada seria uma das demonstrações arquitectónicas mais vigorosas dos locais que anteriormente descrevi e que políticos sem gosto e alma destruíram. Um acto que, de um modo verdadeiramente maléfico, se vem executando, pelo menos na minha cidade, há mais de 120 anos.
    Não é de agora caro Bruno Santos. E já agora, Lisboa não pertence ao Clube do Centro do Mundo como quase se pode inferir do anexo a que nos remete. Olhe que o Porto tem sido, seguramente, muito mais maltratado nesse campo e perdido, para o granito a beleza e a claridade que lhe era conferida pela pedra da calçada.
    Cumprimentos.

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