A estratégia do PSD vive da possibilidade de o país falhar

Não é por acaso que a direita amplifica todos os sinais negativos para o país, ignorando os que sejam positivos. Por exemplo, quando os juros sobem parecem gralhas, mas quando descem calam-se que nem ratos. Ou ainda, veja-se o triste espectáculo que foi a actuação do PSD na votação do orçamento, só na esperança de que o orçamento não fosse aprovado.

Toda esta actuação, contrária ao interesse nacional, tem como único objectivo permitir o regresso rápido ao poder e, em última análise, permitir a sobrevivência política de Passos Coelho e da sua clique. Por isso, desejam ardentemente um novo resgate, mesmo que isso rebente com o país. Em 2011 não o tinha percebido, mas agora, olhando para o modo de actuação da direita, torna-se claro. O PSD, na altura, chumbou o PEC IV para aceder ao poder imediatamente, com um contexto político disruptivo que lhe deu a possibilidade de mudar as regras do jogo praticamente sem contraditório (só o Tribunal Constitucional o abrandou, mas sem o parar).

A governação de Passos Coelho foi um desastre para o país, tal como agora se vai constatando. Repare-se no sistema financeiro que continuou a falir e, pior, sem actuação política em tempo devido (Banif). Veja-se como a venda de sectores tão estratégicos foi errada economicamente (EDP, REN) e, vamos ver, que impacto terá na independência do país. Nenhum dos objectivos enunciados em 2011, e que justificaram tamanho saque fiscal, foi atingido. Foram 4 anos de desastre para o país, mas de sucesso para um pequeno grupo, que viu a sua fortuna e poder aumentarem na mesma proporção em que os restantes portugueses empobreciam.

É esse grupo, colado à facção política liderada por Passos Coelho, que tem a ganhar com a falência do país. Se lhes correu bem antes, porque não haveriam de repetir agora?

No seu último artigo no Público, do qual aqui destaco uma parte, Pacheco Pereira relaciona esta estratégia de poder com as estratégias partidárias do CDS e do PSD.

O PSD joga no curto prazo e na crença de que o Governo PS e da esquerda cairá em breve. Contam para isso com a conjugação entre as “ordens” europeias e a dificuldade em manter as alianças parlamentares à esquerda, caso o PS considere que não pode deixar de as cumprir, o que, como tudo indica, acontecerá. Esperam também um agravamento significativo das condições económicas internas e externas e que a Comissão Europeia, em particular o Eurogrupo e as agências de rating, cumpram o seu papel. Desejam que os juros subam e que possa haver um cenário de resgate, porque perceberam que um cenário de resgate e de crise económica representa condições excepcionais para fazerem políticas anti-sindicais, e de recomposição social, que numa democracia normal, sem estado de excepção, não podem fazer. É uma estratégia agressiva e catastrofista, com pouca consideração pelo interesse nacional, mas não é uma estratégia irrealista. É até bastante realista e à esquerda menospreza-se esta possibilidade. [Pacheco Pereira, Público, 19/01/2016]

Registe-se, portanto, o que está em causa a cada declaração de Passos Coelho: prejudicar o país, para voltar ao poder.

Comments

  1. Socorro ! says:

    E a múmia sempre a pactuar com o esquema.
    Mas ninguém põe este gang dos metralhas em Caxias ?

  2. Fernando says:

    E é preciso não esquecer o apoio entusiástico da comunicação social ao PSD e ao PP. Sem esse apoio há muito que seria óbvia a indigência intelectual de Passos e o rasto de destruição que a sua governação deixou pelo país.


  3. E as bandeirinhas portuguesas penduradas nas lapelas, à laia de pin…..ou vice-versa……

  4. joão lopes says:

    psd e pp rezam(ironicamente,ate por ser atitude nada catolica) para que o pais se afunde,para que a europa pegue fogo …tal como donald trump.alias no Brasil,é o mesmo,a direita brasileira faz tudo(com a ajuda dos media) para acender o rastilho.cá estaremos…


  5. ” Em 2011 não o tinha percebido, mas agora, olhando para o modo de actuação da direita, torna-se claro. O PSD, na altura, chumbou o PEC IV para aceder ao poder imediatamente, com um contexto político disruptivo que lhe deu a possibilidade de mudar as regras do jogo praticamente sem contraditório (só o Tribunal Constitucional o abrandou, mas sem o parar). ”

    Ai só agora se tornou claro? Eu que sou quase iletrado percebi todo o entusiasmo da direita em afundar o país e poder assim governar em 2011. Os cordeiros desta vida só tinham olhos para o Sócrates, tornou-se um desígnio nacional arrumar com Sócrates, e os cordeiros desta vida alinharam e nem viram a merda que aí vinha. Os cordeiros desta vida deram uma grande mão a Coelho. Parabéns aos cordeiros! Sem vocês o Coelho não chegava lá.

    • j. manuel cordeiro says:

      Engraçadinho.

      Primeiro, o “agora” não significa necessariamente o presente momento. Se precisar de um momento temporal, pode usar a altura em que se percebeu que PPC iria ser um mentiroso superior a Sócrates.
      https://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec

      Em segundo lugar, Sócrates não foi nenhum santo. Quando ele decidiu nacionalizar o BPN, foi, sem dúvida um bom afundanço do país. Quando ele, em 2009, decidiu injectar dinheiro em obras públicas inúteis (p. ex. a Parque Escolar), para assim ganhar a eleição, ainda afundou mais o país. E por aí fora, que não me apetece recordar tudo o que Sócrates fez de mal.

      E sim, em 2011 não vi o que aí vinha por uma simples razão. Defeito meu, ainda acreditei em programas eleitorais. Mas olhando para o que foi o passado de mentira de PPC, torna-se claro que apenas se pretendia assaltar o poder.

      Sócrates e Passos Coelho foram duas viúvas-negras para Portugal.


      • É de uma desonestidade enorme pôr Passos e Sócrates no mesmo patamar. Temos de partir do principio que não existem governos nem governantes perfeitos, todos eles de uma ou outra maneira contribuíram para o estado actual.

        O BPN ?! O banco do partido que você foi votar chateado com Sócrates.
        Concordo que a nacionalização foi uma má decisão mas temos de ver as circunstancias dessa época em que poderia haver contagio da falência a outros bancos. E penso que Teixeira dos Santos teve muito peso na decisão da nacionalização, como na vinda da troica, ou acha que foi por acaso que Cavaco o condecorou..

        Todas as obras públicas na cabeça de muito boa gente são inúteis! Comem muita propaganda. O Campus da justiça foi inútil o novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões foi inútil o túnel do Marão idem aspas, ai o eterno Alqueva etc, etc TUDO INÚTIL ! Modernizar o país é inútil. E atenção que o investimento publico em obras foi utilizado como combate crise ( sabe a crise de 2008, que muita gente só descobriu que existiu agora ) e estimulo a economia com o aval da toda poderosa Merkel.

        Eu consigo arranjar uma lista de coisas que Sócrates fez bem com mais de 30 itens. Agora tente elaborar uma lista de medidas positivas que Passos tenha feito. Fico satisfeito com 10 itens.

        Por isto e muito mais pôr Coelho e Sócrates ao mesmo nível é desonesto intelectualmente. Você apanhou o ódio generalizado que se foi criando a Sócrates como pessoa e politico. A imprensa que tanto criticam ajudou muito.

        Já agora e sobre o Brasil talvez se torne claro para si e alguns iluminados daqui a uns anos “…a semelhança gémea com o Processo Sócrates. Sinais evidentes de instrumentalização de mecanismos mediático-judiciais para atingir objectivos de política partidária, com o beneplácito das instituições e com o incitamento doentio de uma parte da sociedade que expia as suas frustrações a servir-lhes de marioneta” ***

        *** isto entre aspas foi tirado de uma caixa de comentários de um blog,não me lembro qual, peço desculpa ao autor. Acho que mesmo num momento de grande inspiração não conseguiria escrever tão bem e por poucas palavras o que acho destes casos de suspeitas de corrupção e sua semelhança.

        Não estou também a ilibar ninguém. Apenas a acusar a fome de poder da direita seja porque meios forem.

        • j. manuel cordeiro says:

          “É de uma desonestidade enorme pôr Passos e Sócrates no mesmo patamar.”

          Tem toda a razão. Cada qual merece o seu próprio patamar.

          Quanto à lista de coisas, não vejo uma única positiva que Passos tenha feito. E Sócrates? Ora deixe lá ver. Gastou dinheiro nos Magalhães, em vez de equipar as escolas. Ainda nas escolas, fez aquelas obras sumptuosas, quando chegava ter restaurado o que existia. Fez aquele aeroporto em Beja, que é do mais útil que existe para o país. Passámos a ter 3 auto-estradas norte-sul e mais aquelas fantásticas para o interior, sem carros, e que podiam ser vias rápidas. As SCUT ganharam o sistema de pagamento mais idiota que se possa imaginar. As renováveis foram pagas à conta do tarifário que pagamos à EDP, em vez de ser investimento das próprias empresas. O ensino foi transformado num (ainda maior) mega centro de burocracia à conta de uma suposta avaliação. E, como já escrevi, poderia continuar, mas não me apetece rever. Não sei se estes fariam parte dos seus 30 pontos positivos e da modernização do país. Já agora, alguém notou a falta do TGV? Só se fosse para levar mercadorias, como se chegou a falar (enfim….). E o aeroporto da Portela, que estaria sem capacidade em 2016?

          Mas este post é sobre a estratégia da direita para chegar ao poder, incluindo uma referência a um programa eleitoral apresentado em 2011 e do qual, simplesmente, foi feita tábua rasa. Se devemos acreditar num programa eleitoral? Ando a ver se ganho capacidades de adivinhação para me preparar para estas coisas. Até lá, vou analisando as propostas em cima da mesa e olhando para os protagonistas. E quanto a estes da direita tá tudo visto.

  6. Rui Silva says:

    Assim tem sido realmente.O PSD ganha as eleições quando já chegamos à bancarrota, e o PS logo após a recuperação. É a politica do ió-ió.

    cps

    Rui Silva

    • j. manuel cordeiro says:

      Bom sentido de humor. Mas o PSD do Passos deixou o país à beira da banca rota. Basta os juros subirem. Ou uma dívida de 130 e tal por cento é sustentável?


  7. Não é praga nem adevinhação.Profecia com evidências,em linguagem corrente diz-se Falência comunista.

  8. Simão says:

    Recordo que NÃO foi SÓ o PSD a rejeitar o PEC IV!
    Certo?!…..ou a memória andar curta e/ou selectiva?!

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