Liliana Melo e a barbárie legítima

O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou o Estado Português por violação dos Direitos Humanos no caso da Senhora Liliana Melo, a quem o tribunal de Sintra retirou sete filhos. Como se fossem móveis.

A Senhora Liliana Melo, que viu agora o Tribunal Constitucional dar-lhe razão e mandar repetir o julgamento, não teve direito a voto de protesto da Assembleia da República contra a barbárie de que está a ser vítima, nem teve direito a manifestações com cartazes e velinhas empunhados por figuras públicas numa praça da cidade, nem fez primeiras páginas durante três ou quatro dias. Não teve porque a Senhora Liliana Melo vive na metrópole, numa democracia europeia civilizada, com parlamento e com deputados extremamente sensíveis à violação dos direitos fundamentais dos cidadãos, mas a quem, pelos vistos, não comoveu o gesto escabroso dos serviços da Segurança Social portuguesa quando quiseram obrigar uma cidadã livre a fazer uma laqueação das Trompas de Falópio, provavelmente por não se terem lembrado de a obrigar a uma excisão genital, ou à implantação de cilício intra-vulvar.

Há neste caso, contudo, uma outra circunstância sinistra que carece ainda de esclarecimento satisfatório. O Estado português não pagava à família da Senhora Liliana Melo, que come no Banco Alimentar, sequer o Rendimento Social de Inserção, mas paga às IPSS às quais entrega os seus filhos cerca de 700 euros por cada um que fique à sua guarda até ao momento da adopção. Que quase nunca chega.

Este negócio deveria ser bem explicado.

Comments


  1. Mais liberdade e menos intromissão do Estado na esfera da vida privada…

  2. Francelina Valadares says:

    Infelizmente estas crianças e outras como elas são vistas como mercadoria, pois são altamente rentáveis para quem lida com elas. São o garante dos tachos /empregos de muita gente ,que precisam de fazer estas barbaridades, para fazerem de conta que são necessárias e competentes

  3. Rui Silva says:

    O Estado achasse com o direito de em tudo intervir e depois dá nisto.
    Porque é que isto não me surpreende ?

    cps

    Rui Silva

  4. Rui Silva says:

    Correcção:

    Acha-se

    Rui Silva