Bial


jn

O relatório elaborado pelas autoridades francesas sobre o acidente verificado no ensaio clínico realizado pela Biotrial, envolvendo um novo medicamento da Bial, em nenhum lugar afirma que a empresa portuguesa é culpada pela morte ocorrida ou pelos graves efeitos secundários verificados em alguns dos voluntários sujeitos ao teste.
Este facto não impediu o Jornal de Notícias de marcar a vermelho em primeira página a culpa da empresa portuguesa, numa conclusão que nem a comissão científica encarregue de analisar o caso teve coragem de tirar.

É verdade que são proferidas no relatório afirmações pouco elogiosas sobre a qualidade da brochura técnico-científica produzida pela Bial no âmbito da passagem aos ensaios clínicos em seres humanos, e também é verdade que a comissão científica encarregue de elaborar o relatório em causa, dá como certa a ligação entre a molécula sintetizada pela farmacêutica portuguesa e o acidente ocorrido. Mas nada disso conduz directamente à conclusão que o JN precipitadamente tira em primeira página.

Embora envolvida num acidente raro e ainda não totalmente explicado, e sem prejuízo de poder vir a verificar-se a sua responsabilidade directa na tragédia ocorrida, por negligência, incompetência, ou outro motivo qualquer, a Bial é a melhor empresa portuguesa da área da investigação farmacêutica, competindo a nível global com as melhores do mundo e salvando milhares de vidas todos os dias.

Comments

  1. Afonso Valverde says:

    Texto oportuníssimo. A este pasquim não resta sequer um pouco honra na expressão da verdade. A Bial é uma grande empresa portuguesa. Nas empresas podem surgir erros como aqueles que refere. É expectável.
    Morrer um Ser Humano é sempre uma tragédia.
    Uma empresa são muitas vidas humanas, nomedamente aqueles que já salvou e aqueles que poderá salvar.
    Um título como aquele é simplesmente desprezível como não tem nehuma relação com a verdade do relatório.
    Uma pergunta se impõem: A Bial cortou na publicidade no pasquim em causa?
    Mexeu-lhes na carteira?

  2. Afonso Valverde says:

    Já há muitos anos que deixei de comprar e ler esse pasquim.
    Não tem nenhuma qualidade.
    Lamento dizer isto.

  3. Pedro says:

    Bem, alguma coisa me escapa. Se a comissão científica “dá como certa a ligação entre a molécula sintetizada pela farmacêutica portuguesa e o acidente ocorrido”, temos, como conclusão, que… a culpa é da Bial. Não? Eu apenas me limito a aplicar um módico de lógica, muito comum na ciência. Estes arroubos patrióticos, contra um jornal, em desagravo de tão luzidia empresa lusa são um pouco ridículos.

    • Afonso Valverde says:

      Pedro,
      Se o defeito fosse da molécula tinham morrido todos os que a tomaram.
      Não li o relatório. O que posso concluir da notícias das TV é que houve falha nalgun(s) aspectos dos procedimentos com este doente.
      Os procedimentos têm de controlar alguns aspectos associados às características da “cobaia”, tempos e modos de toma.
      Tome nota, antes de se chegar a esta fase do ensaio clínico, há outras fases que, com toda a certeza, tinham identificado “anomalias” na molécula.
      É toda a França que culpa a Bial? Quem é toda a França? O Presidente da Republica, o Primeiro Ministro, a Autoridade que elaborou ou assinou o realtório. Convinha ser mais específico (o jornal) e logo mais verdadeiro e menos estridente.
      Isto nada tem a ver com nacionalismos bacocos. Olhe eu sou nacionalista (não bacoco) aprecio e louvo o trabalho e o engenho de todos os portugueses e compro preferencialmente produtos e serviços portugueses.
      Não tenho inveja dos empresários portugueses.
      Claro não aprecio nada a “engenhoquice” de alguns.
      Claro não somos perfeitos.
      Mas gosto do nosso Portugal e dos portugueses apesar de termos defeitos.
      Também temos muitas qualidades.
      Se pudessemos melhorar mais um pouco a nível da educação e formação, da justiça, com certeza que traria melhores resultados no conforto social para mais portugueses.
      Temos políticos maus, sim.
      Não votemos neles nem nos partidos onde estão.
      Todos os partidos são maus, posso admitor que se pense assim.
      Com ações cívicas tentemos mudar.
      Não basta falar. É preciso também agir congruentemente com o que se pensa e com disponibilidade para alterar a nossa visão do mundo pela escuta da visãodos outros.
      Cada um saberá…

      • Pedro says:

        Afonso, a Agência Nacional da Segurança do Medicamento de França concluiu aquilo no relatório. Não concluiu? Se é a máxima autoridade governamental técnica francesa na matéria, não está incorrecto dizer-se que foi “a França”. Perguntar se foi cada um dos franceses e até, quem sabe, pedir provas de nomes e números de telefone, é um preciosismo inútil, salvo o devido respeito.
        Eu, sinceramente, estou é preocupado com a tal molécula e demais moléculas que possa engolir, não com a reputação da Bial.

  4. pelo que ouvi na radio francesa, o erro foi do laboratório encarregue de conduzir o ensaio que não rastreou previamente as pessoas no que respeitava ao consumo de drogas. E parece que isso teve muita importância.

    • Bruno Santos says:

      O medicamento em causa actua sobre o sistema endocanabinóide. É necessário, contudo, aguardar pelas conclusões finais das diligências em curso.

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