O Macaco na mão de Buda


Estamos num ponto da nossa vida colectiva que não é fácil ler e compreender com lucidez.


O acúmulo de conhecimento tornou o próprio conhecimento irrelevante e é perfeitamente indiferente se sabemos muito de economia e finanças, de medicina, de filosofia ou de qualquer outra matéria académica que facilmente encontraremos protocolada até à exaustão, com soluções e variáveis infinitas, desenhadas para responder teoricamente a qualquer problema que à actual inteligência se coloque. É indiferente porque esse paradigma do conhecimento há muito se expandiu para o interior de si próprio, valendo apenas como super sistema auto-justificativo, colocando-se os enigmas e as perguntas que a sua própria solidão escura produz, nada mais. Nada para além de si próprio e nada que o contradiga.
E o que nós precisamos é de perguntas novas, enigmas cuja solução radique numa nova gramática do desconhecer, na excentricidade do próprio acto de Olhar e Estar no mundo.
Nicolau de Cusa, monge anterior ao advento do IPhone, escreveu que “Deus é um círculo cujo centro está em todo o lado e a circunferência em lado nenhum”, apontando com tal enigma a premência da transdisciplinaridade, da inocência e do inesperado. Precisamos de dar esse salto mental para sairmos da mão aberta de Buda, convencidos, como o macaco lendário, que viajamos pelo longo Universo, quando na verdade vivemos aprisionados num jogo de espelhos que comprime esse Universo até à escala do Labirinto e produz a ilusão do movimento perpétuo, tal como o hamster na sua roda ciclópica.
Esta disfuncionalidade fez-se o propósito superior da nossa existência colectiva, apoiada pela ciência, pela política, pela comunicação, alimentando o sistema caduco que ancora ainda essas estruturas e que se auto-justifica categorizando a própria disfunção como hino final da entropia.
Precisamos, como de pão para a boca, de subversores, de agitadores da alma que nos recordem que Conhecer é Lembrar e que o segredo da epigénese se encontra guardado no interior de cada um, à espera que o inesperado, a inocência e a verdade descubram essa centelha antiga.

Comments

  1. eu avento says:

    A exposição prolongada aos canais HD de ficção newage pode epigenar as moleirinhas mais vulneráveis, disfuncionando-lhe a centelha de entropia transdiciplinar excêntrica, autojustificando-lhe a gramática protocolada, exaurida que é nos labirintos perpetuadores de verborreia proto lúcida.

    Ficam avisados

  2. posso aventar ? says:

    A exposição prolongada aos canais HD de ficção newage pode epigenar as moleirinhas mais vulneráveis, disfuncionando-lhe a centelha de entropia transdiciplinar excêntrica, autojustificando-lhe a gramática protocolada, exaurida que é nos labirintos perpetuadores de verborreia proto lúcida.

  3. Afonso Valverde says:

    Bom texto. Um alerta, sem dúvida.
    Conhecimento é diferente dos modelos explicativos veiculados e papagaiados por esse mundo fora.
    Muitas academias estão subjugadas às métricas dos modelos de caixa fechada tipo bolonhês.
    O conhecimento só tem valor que for convertível em negócio.
    Startupes!!! Estou fora.
    Estou interessado no que está fora da caixa dos modelos explicativos preparados por algumas academias.
    Para começar:
    Portugal fora da UE.

  4. Rui Silva says:

    Este post só me suscita que é importante questionar o quanto o fenômeno da Internet talvez venha a ressaltar a relatividade dos relacionamentos verticais entre as hierarquias. É claro que a revolução dos costumes maximiza as possibilidades por conta dos procedimentos normalmente adotados. Desta maneira, a execução dos pontos do programa auxilia a preparação e a composição das diretrizes de desenvolvimento para o futuro.
    O incentivo ao avanço tecnológico, assim como o acompanhamento das preferências de consumo não pode mais se dissociar de alternativas às soluções ortodoxas. O que temos que ter sempre em mente é que a necessidade de renovação processual oferece uma interessante oportunidade para verificação de todos os recursos funcionais envolvidos. As experiências acumuladas demonstram que o surgimento do comércio virtual estimula a padronização do sistema de formação de quadros que corresponde às necessidades. A prática cotidiana prova que o novo modelo estrutural aqui preconizado estende o alcance e a importância das direções preferenciais no sentido do progresso. Todavia, o início da atividade geral de formação de atitudes prepara-nos para enfrentar situações atípicas decorrentes das condições financeiras e administrativas exigidas.
    Por outro lado, a estrutura atual da organização apresenta tendências no sentido de aprovar a manutenção do impacto na agilidade decisória. Por conseguinte, a constante divulgação das informações obstaculiza a apreciação da importância das formas de ação.. Todas estas questões, devidamente ponderadas, levantam dúvidas sobre se o consenso sobre a necessidade de qualificação é uma das consequências das novas proposições. Ainda assim, existem dúvidas a respeito de como a determinação clara de objetivos possibilita uma melhor visão global do levantamento das variáveis envolvidas.
    Do mesmo modo, a expansão dos mercados mundiais que aqui no Aventar muitas vezes se discute, cumpre um papel essencial na formulação do sistema de participação geral. Nunca é demais lembrar o peso e o significado destes problemas, uma vez que a competitividade nas transações comerciais afeta positivamente a correta previsão dos índices pretendidos. Caros amigos, a hegemonia do ambiente político desafia a capacidade de equalização do processo de comunicação como um todo. Neste sentido, o desafiador cenário globalizado causa impacto indireto na reavaliação das posturas dos órgãos dirigentes com relação às suas atribuições. Percebemos, cada vez mais, que a valorização de fatores subjetivos agrega valor ao estabelecimento do orçamento sectorial.

    cumps

    Rui Silva

    • RomeuJulieto says:

      Hehehehe.
      Agora temos chatos boots aqui no Aventar ?
      Isto cada vez está melhor.

    • Por acaso já me vacinei contra a globalização relendo os meus amigos Fred Vasques Homen,Erich Fromm,Agostinho da Silva,e de vez em quando os poetas Bocage,Fernando Pessoa para não me distrair muito com certos “postes”na internet e não perder a noção do que é importante na vida : viver o Evangelho de Jesus Cristo e fazer o possível por ter a companhia do Espírito Santo para que a lucidez e a clareza das ideias dos outros não tragam escuridão à minha maneira de ver as coisas, que se me apresentam como filosofias actuais e “modernaças” !!!

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