Hiperactividade ou Hiperdiagnóstico?


Mais de 5 milhões de doses de Metilfenidato (Ritalina) administradas a crianças em Portugal, para sossegar não o seu espírito, mas o daqueles que as querem sentadas, mudas e quietas.

Uma implacável lobotomização química e uma forma imbatível de tornar o consumo crónico, limitando definitivamente as possibilidades de desenvolvimento dessas crianças e assegurando uma renda volumosa a uma longa rede de interesses industriais, profissionais e políticos.
Talvez um dia se possa pensar em “descoisificar” a infância e legislar no sentido de tornar exemplarmente punível a violação dos direitos básicos e fundamentais estabelecidos em Declaração Universal a ela dedicada. Talvez só depois de os cães terem conquistado o direito de voto, pois se há coisa que uma sociedade decente deve ter é uma hierarquia civilizada de prioridades.

Comments

  1. “para sossegar não o seu espírito, mas o daqueles que as querem sentadas, mudas e quietas.”

    Falta mencionar aqueles que não querem ter trabalho com a educação das suas crianças nem prescindir de grande coisa em prol das mesmas, como é o caso de muitos pais, que se demitem vezes demais da sua função de reguladores de comportamentos desde tenra idade, porque isso obriga a muitos sacrifícios e a dar o exemplo.

    Toda a sociedade é cúmplice nesta realidade e na promiscuidade de pelouros que transformou as crianças em vítimas das limitações dos adultos que delas se vão ocupando.

    Quando alguém legisla que a escola deve administrar flúor nas boquinhas das crianças por todo o Ensino Básico (até no 3.º ciclo, na adolescência!), para crescerem com dentes saudáveis, só para dar um exemplo bem evidente do ridículo a que se chegou, esse alguém está a passar um atestado de incompetência aos pais, porventura até aos pediatras ou médicos de família, que têm responsabilidades sobre essas crianças. À escola competiria apenas ensinar os benefícios do flúor e não administrá-lo, certo?

    Claro que é sempre mais fácil apontar o dedo àqueles que reclamam que as crianças não sabem estar sentadas e sossegadas, mesmo quando estão a fazer coisas de que gostam, como atividades de expressão plástica, por exemplo, ignorando por completo o que significa uma só pessoa, mesmo especializada, ter dezenas de crianças à frente ao mesmo tempo, muitas delas sem noção de regras básicas de comportamento humano que deviam ter sido ensinadas em casa, na sua “criação”.

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