Eu queria um Ferrari amarelo


O comportamento da Igreja Católica dos colégios privados neste processo que os opõe ao Governo da República, nomeadamente a forma inaceitável como coagiu e instrumentalizou os seus alunos, usando-os como mero objecto inconsciente de protesto e chantagem, é bem a prova de que não só falta a esses Colégios o respaldo da Lei, mas, pior, faltam-lhes as condições cívicas, éticas e pedagógicas mínimas para educar crianças.

Em face disto, caberia ao governo da República não só avaliar a legitimidade dos contratos de associação em vigor, como, e muito bem, já fez, mas proceder igualmente a uma rigorosa auditoria aos modelos pedagógicos em uso na totalidade das instituições privadas de ensino que têm a seu cargo a educação de menores, com ou sem contrato de associação, como, aliás, resulta do texto constitucional, o qual determina que cabe ao Estado fiscalizar o ensino particular e cooperativo (Art. 75º CRP).

Educar jovens menores não consiste apenas em muni-los dos instrumentos necessários à preparação da sua futura supremacia social, ensinando-os a escalar nos ombros dos outros, dos mais fracos e menos protegidos, o trilho glorioso que leva ao bom emprego, ao salário farto, às férias no estrangeiro e aos filhos outra vez em colégios privados, garantindo dessa forma o ciclo perpétuo de reprodução social que eterniza as desigualdades e a injustiça. Educar jovens menores passa também por ensinar-lhes que é tarefa fundamental do Estado promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais (Artº 9º CRP), estruturas essas entre as quais obviamente se encontram os colégios privados.

 

Comments

  1. J.Pinto says:

    Nessa “igualdade real entre os portugueses” também está incluída a igualdade (por exemplo, em termos de horário de trabalho) entre públicos e privados? Ou está incluída apenas a parte que vos dá jeito?

    De certeza que é contra a proposta das esquerdas extremas que pretendem diminuir o horário de trabalho semanal dos funcionários públicos para as 35 horas, certo? Ou diminuem a carga horária de todos (todos, repito) ou não se diminui a carga horária de ninguém, certo (por causa da tal igualdade)?

    O vosso problema é que a igualdade só é referida quando vos dá jeito. Quando se trata de proteger os vossos interesses a igualdade já não serve, certo?

    Respondam então: a igualdade deve ou não ser aplicada à carga horária dos funcionários privados e dos funcionários públicos? Se não for aplicada aos funcionários privados, também não deve ser aplicada aos funcionários públicos, por causa da igualdade, certo?

    • Nightwish says:

      Eu que já trabalhei ao fim de semana sem receber, e que trabalhei de graça entre o estágio curricular e mais 6 meses quero igualdade que todos os outros passem pelo mesmo.
      É assim, não é? Imagino que quem receba em iogurtes diga o mesmo, viva a medição da produtividade em coisas estúpidas. Ah, e foi para o público, era um privilegiado, ainda bem que o Passos me cortou o ordenado.

  2. J.Pinto says:

    Teve sorte. Eu tenho muito mais tempo sem receber. Eu já trabalhei anos sem receber. Até tenho processo em tribunal para receber o dinheiro relativo ao meu trabalho.

    Como vê, os funcionários públicos, pelo menos, recebem a tempo e horas. Então porque é que ainda assim devem ser mais beneficiados do que os privados?

  3. Esclarecedor não é ? says:

    Eu, sempre que não estou bem com o meu empregador por causa do salário, do local de trabalho, do horário ou lá o que seja, mudo de empregador.
    Serve de sugestão ?
    Há que não ser piegas e queixinhas…

    • J.Pinto says:

      Claro que serve. Porque é que se queixam os funcionários públicos? Que mudem de empregador……..

      • Nightwish says:

        Se você soubesse a quantidade e a qualidade de gente super-qualificada dos quadros públicos que se pôs a andar para a reforma e para o estrangeiro e como isso deixou os serviços às aranhas ficava com o rabo entre as pernas durante uns anos.

    • J.Pinto says:

      Se não estão contentes com as 40 horas, que mudem para o privado, certo?

      Ahh, já me esquecia…. são funcionários públicos e aqui a “tal igualdade” não se aplica……

  4. J.Pinto says:

    Nota: suponho (tenho a certeza absoluta) que não ninguém apresentará uma razão (só uma) para justificar que os funcionários públicos continuem a ser beneficiados. No entanto, por causa dos tais interesses pessoais, muitos continuarão a defender as 35 horas para os funcionários públicos….

    A tal “igualdade real entre os portugueses” é só para o que lhes convém…..

    • Nightwish says:

      Oh, sei lá, por terem tido um corte a dobrar no rendimento por hora? Mas pronto, se calhar também deviam estar sem ser pagos, já que o Pinto acha que assim é que devia ser para todos.
      Os contractos para respeitar são só os com as escolas católicas, à revelia da constituição. (na realidade, o que discute é só a renovação, mas prontos)

  5. Afonso Valverde says:

    Ó senhor Pinto, é tão obtuso…
    Já trabalhei no público e no privado e depois no público.
    Sim trabalho onde me pagam mais e me dão melhores condições e onde tenho oportunidade de trabalhar…

    • J.Pinto says:

      Não chame nomes a quem não conhece. Nem desvie dos assuntos.

      Eu fiz uma pergunta clara que o Sr ( que não é nada obtuso) não soube responder…

  6. Afonso Valverde says:

    Olhe tenho um horário de 40 horas e por vezes na semana faço 50.
    Não ganho mais por isso.
    às vezes é para prestar trabalho a obtusos como o senhor, na qualidade de cidadãos…
    Claro se alguém no privado me quiser e pagar mais…
    Mas muitos privados não tem empresas que precisem dos meus serviços porque têm perfis de negócio da treta, ou seja, vender “lixo” ao Estado trepando nos conhecimentos dos amigos…
    São raras as exceções que estão fora deste modelo de negócio.

  7. Martinhopm says:

    Mas, ó Pinto, o horário do funcionalismo público, antes do Coelho ter unilateralmente imposto as 40 horas, não era de 35 horas?! Por isso, o seu a seu dono. O trabalhador não produz mais em trabalhar contrafeito e sentindo-se duplamente explorado. Percebe?
    Por isso, é muito simples: retomem-se as 35, logo que possível, no func. público. Tente-se depois o ,mesmo horário para os privados. Percebe?
    Agora roubar no horário de trabalho, nos feriados, nos salários, nas pensões, nos direitos sociais, para encher o cu a meia dúzia, os tais dos ‘Panamá Papers’ (mas onde é que eu já ouvi isto?) é que não! Exemplos há muitos. Os da Confraria Bancária cavaquista a sacar à grande da EDP: Catroga, Luís Filipe Pereira, Jorge Braga de Macedo, Maria Celeste Cardona, Rui Pena, Rocha Vieira, Paulo Teixeira Pinto, José Espírito Santo Ricciardi, etc. E não sacam só daqui. Abra os olhos, homem!

  8. J.Pinto says:

    Não. Não percebo. Não respondeu à minha pergunta. Porque é que os funcionários públicos devem trabalhar apenas 35 e horas e o privados 40 horas? Não desvie a conversa. Responda a esta pergunta.

    • J. Pinto,
      Quem diz que os trabalhadores do sector privado devem trabalhar 40 horas? De certeza que não é a CGTP, que defende horários de trabalho mais reduzidos para todos os trabalhadores. O problema é que os trabalhadores do sector público bateram-se por essa redução e conseguiram-na, graças à sua luta. Depois, o governo PSD/CDS não só cortou salários, subsídios e pensões dos seus trabalhadores (os tais funcionários públicos) como os obrigou a trabalhar mais 5 horas por semana gratuitamente, em regime a que noutros tempos se chamava escravatura. A luta de muitos trabalhadores do sector público, mas também, certamente, do privado levou à substituição da anterior maioria de direita por uma maioria parlamentar de esquerda que tem revertido algumas das medidas mais gravosas da governação PSD/CDS, entre elas a reposição do horário de 35 horas para os trabalhadores de quem o Estado é patrão. Cabe aos trabalhadores dos outros patrões responderem aos apelos da CGTP, sempre que há acções de luta, para virem, eles também, a beneficiar de uma redução de horário que tudo justifica. Os progressos tecnológicos e científicos da humanidade devem reverter a favor de quem produz e não dos parasitas que desviam para os offshores as mais-valias que nos roubam.
      Os interesses dos trabalhadores, do público como do privado, nada têm de antagónico – são interesses comuns – e a estratégia da confrontação entre uns e outros, entre jovens e reformados, etc., interessa apenas ao capital e a quem o representa na esfera política. Se não é o seu caso, reveja a sua posição.
      Cumprimentos.

      • J.Pinto says:

        Aqui o problema não é se se bateram ou não. O problema é ou defendem as 35 horas para todos ou para ninguém, para que não haja trabalhadores de primeira e de segunda…onde está a tal igualdade que até foi colocada a negrito no presente artigo?

        A Cgtp (e o Pcp e o Be) nunca defendeu de igual modo as 35 horas nos 2 sectores. Nunca.

        Se fossem a favor da tal igualdade pediam as 35 para todos; ou nenhum…

  9. Não se pode meter tudo no mesmo saco senão sai porcaria.
    1º Quanto à questão da diminuição do horário de trabalho,o que se trata é repor o que foi retirado e se acham que todos devia ter o mesmo horário, eu concordo, só é pena que quando retiraram as 35 horas e passaram para 40, os mesmos que falam hoje, na altura estiveram calados, como se concordassem que todos tivessem 40 horas e não 35 horas.

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Alterar )

Connecting to %s