As “brincadeiras” de Marco António Costa


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O Dr. Marco António Costa, Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social do anterior Governo PSD/CDS, publicou no passado dia 10 de Julho, dia da grande final do Europeu de Futebol, no Diário de Notícias, um artigo de opinião no qual lança um ataque violento ao governo do Partido Socialista e ao seu Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.

Marco António que, no tempo em que foi Secretário de Estado, inundou com dinheiro público os cofres de dezenas de IPSS, ao mesmo tempo que o governo de que fazia parte executava um programa meticuloso de destruição da Escola Pública e do Estado Social, vem, de modo muito pouco elegante, acusar Tiago Brandão Rodrigues de estar a “brincar aos ministros”.

Não é fácil saber quem anda a brincar ao quê, mas queixa-se o agora medalhado Dr. Marco António, entre outras coisas, de que o actual Ministro da Educação quebrou “linhas de continuidade da política educativa” do anterior governo. Aparentemente o Dr. Marco António ainda não percebeu que o actual executivo do Partido Socialista e a maioria que o apoia têm precisamente como principal objectivo quebrar a continuidade da linha política que vinha sendo seguida pelo governo de que o ex-vice presidente da Câmara de Gaia fez parte, nas funções de Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, e de o fazer não só no plano das políticas educativas, mas em todas as fundamentais áreas da governação do país.

É notável que um político como o Dr. Marco António Costa, que participou do mais nefasto e destruidor governo de que temos memória em democracia, venha acusar o actual executivo do Partido Socialista e o seu Ministro da Educação de “quebrar linhas de continuidade política”.

Já se terá esquecido, o senhor Secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social do Governo PSD/CDS, das crianças que desmaiavam nas escolas por lá chegarem desnutridas, pois era precisamente na escola que tinham a única refeição do dia?

Ter-se-á esquecido, o Dr. Marco António Costa, do aumento exponencial da pobreza provocado pelo “programa de ajustamento” do seu governo avençado da Troika, pobreza essa que afectou particularmente a população em idade escolar e que teve efeitos devastadores ao nível do risco de abandono do sistema de ensino e do ressurgimento da chaga social do trabalho infantil?

Ter-se-á já esquecido, o Dr. Marco António Costa, dos milhões de portugueses sem trabalho, muitos sem qualquer apoio social, que o seu governo entregou à sopa dos pobres e ao Banco da Fome, ou atirou para a emigração, truncando inevitável e definitivamente as vidas das crianças a cargo dessas famílias e comprometendo o seu futuro?

Ter-se-à esquecido também que, só no ano de 2012, o seu governo entregou cerca de 1,277 milhões de Euros a Instituições Privadas de Solidariedade Social, só em acordos de cooperação, não contabilizando isenções fiscais e outros tipos de contratos, enquanto desinvestia violentamente no serviço público de Educação e Protecção Social, obrigação constitucional inalienável do Estado, cortando salários aos professores, aumentando o seu desemprego e precariedade, promovendo a instabilidade generalizada do corpo docente, degradando as condições de funcionamento das escolas públicas,  aumentando o número de alunos por turma comprometendo o seu sucesso escolar, encerrando escolas para que do outro lado da rua pudesse abrir um colégio privado amarelo com contrato de associação?

Ter-se-á esquecido, o Dr. Marco António Costa, que o governo de que fez parte cortou, entre 2011 e 2014, 1,327 milhões de euros na despesa pública só no ensino básico e secundário (-23,6%), 82,6 milhões na Ciência, 141 milhões no Ensino Superior, 36 milhões no Ensino Especial, 35 milhões no apoio social aos estudantes do ensino superior (Acção Social Escolar)?

Estará esquecido, o Dr. Marco António Costa, do programa de despedimentos do seu governo, que previa atirar para o desemprego cerca de 60.000 profissionais do ensino, fechar ou privatizar as escolas públicas, aumentar a mobilidade dos professores com o objectivo de os transferir para as escolas privadas com contrato de associação com o Estado, aumentar o valor das propinas do Ensino Superior público para o nível dos custos, tornando de novo o acesso a uma licenciatura privilégio das classes economicamente favorecidas e comprometendo definitivamente as possibilidades de desenvolvimento económico do país?

É possível que o Dr. Marco António Costa se tenha esquecido disto tudo e ainda de que o governo de que foi co-responsável fez regredir Portugal várias décadas, para níveis de carência material e sub-desenvolvimento humano que há muito não se viam, num processo tremendo de destruição económica, social e anímica de um país com 900 anos de História.

Ignoram-se os objectivos deste súbito protagonismo mediático do Dr. Marco António, envolvendo bizarras medalhas de mérito profissional, anúncios de candidatura autárquica e artigos de jornal onde ataca, sem qualquer argumento consistente e com total desprezo pela memória dos portugueses, o actual governo do Partido Socialista e o seu Ministro da Educação, defendendo os interesses corporativos do negócio privado do ensino, do miserabilismo sacro e da economia da fome. Mas a memória dos seus anos de governo perdurará, assim como o testemunho dos milhões de portugueses que com ele sofreram e continuam a sofrer.

Comments

  1. anónimo says:

    O “Dr” Marco António não se esquece dos crimes que cometeu e só tem pena de não ter cometido ainda mais e pior.
    A “quebra da linha de continuidade” é na verdade a mesma critica que o homúnculo alemão usa, para ameaçar Portugal com mais penalizações. Na verdade a França e a Alemanha nunca foram penalizados por terem défice excessivo, mas Portugal que se atreveu a votar à esquerda, tem que ser castigado, fazer má figura, e cair abaixo de lixo.
    O aleijado da cadeira de rodas, “coitadinho do aleijado”, chefe da designada Ecofin, chefe da União Fascista Europeia, tem como missão atacar os governos de esquerda que possam ser eleitos nos países da União Fascista.
    O “Dr” Marco António é um belo porco, um porco muito atento e diligente, cumpridor das ordens que vêm da União Fascista, e por isso entende que, “há que dar continuidade à destruição e ao saque de Portugal”.

  2. Se o Tiago Rodrigues saísse hoje do Governo ou simplesmente passasse o resto do mandato a resolver os Sudokus do DN com ar aborrecido no Parlamento, já tinha era o melhor ministro da Educação que Portugal apanhou desde o infelizmente falecido Mariano Gago. Apenas porque, ao contrários dos seus antecessores, deixou a Educação em Portugal um bocadinho melhor do que estava quando tomou conta do acidente rodoviário que era esta pasta, depois dos anos de loucura de Crato, o Destruidor.
    Como o Bruno diz e bem, depois de participar no mais nefasto e destruidor governo que há memória, este menino devia desistir de falar…para sempre. Devia também pensar seriamente em mudar-se para uma aldeia remota no interior Transmontano e dedicar-se ao cultivo de couves, nem que seja para trabalhar a sério uma vez na vida.
    Depois do rasto de destruição deixado em grande parte pelas suas obras, ter este espécime a criticar seja o que for deste governo é como ter o aluno burro e idiota da escola a gozar com o bom aluno porque este não copia…

    • Cynthia says:

      Embora compreenda em parte, só em parte, que estivemos entalados entre a Troika e coisa nenhuma (porque sinceramente nunca vi uma oposição de jeito), isso que penso que foi o Bruno que escreveu do que se passou é verdade. E até lhe digo mais: trabalhei durante 8 anos numa IPSS, e quase jurei (digo quase porque o desemprego é muito mais certo do que o emprego) para nunca mais. A má gestão, para não falar da qualidade, a que assisti é de bradar ao céus. Acabaram por ter de pagar uma multa de 10.000 euros porque os processei. Falo com conhecimento de causa. O pior são as crianças que não têm culpa nenhuma das más políticas acumuladas durante anos por vários governos.

  3. Julguei bem que este atrasado mental anão abutre de merda já estava na cadeia afinal ainda manda uns bitaytes

  4. Eduardo Meireles says:

    E’ normal de aqueles que passam pelo Poder sofrerem de amnesia total ….

Trackbacks

  1. […] Dois dias depois, a 12 de Julho de 2016, publiquei eu, aqui no Aventar, um artigo sob o título “As brincadeiras do Dr. Marco António Cos…, artigo no qual procuro fazer a defesa política do actual Governo e do Partido Socialista, de que […]

  2. […] que ele próprio nomeou há 3 anos para o seu gabinete, apenas porque esse assessor se atreveu a criticar Marco António Costa. Ou seja, um assessor PS numa Câmara PS saiu em defesa de um Ministro PS contra um dirigente […]

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