Festivais de Verão


Festival de Glastonbury, Reino Unido

Festival de Glastonbury, Reino Unido.

Uma das principais características dos principais festivais de música do Verão realizados em Portugal é serem totalmente dominados  por empresas privadas de telecomunicações, em regime de monopólio. Todas as grandes marcas de telecomunicações a operar no nosso país têm um festival de música e algumas têm mesmo mais do que um.

Aparentemente, esta é uma tendência que não se verifica noutros festivais que se realizam na Europa, aos quais acorrem milhões de pessoas, que normalmente são patrocinados por várias marcas e empresas, que não necessariamente de telecomunicações.

Este tipo de monopólio numa área cultural tão popular entre os sectores mais jovens da nossa comunidade, como é a música, normalmente anglo-saxónica, confere a estas empresas um poder incomensurável sobre a formação desses jovens, sobre a construção do seu gosto musical, sobre as suas tendências de consumo e, necessariamente, sobre a sua cultura.

Por outro lado, sabe-se que estes eventos culturais são altamente lucrativos para essas empresas e, o que não deixa de ser extraordinário, são apesar disso muitas vezes financiados pelos municípios onde decorrem, não apenas por via directa, com a atribuição de elevados subsídios em dinheiro, que chegam a atingir as centenas de milhar de euros, quer por via indirecta, através da isenção de taxas e mobilização de recursos públicos, como a segurança, serviço de bombeiros, ambulâncias, hospitais, etc.

Haverá aqui algo que nos escapa?

 

 

Comments

  1. Já fui um grande frequentador de festivais, mea culpa, nunca fui ao Sudoeste, é daquelas coisas que me arrependo…
    Quanto a sponsors, as operadoras são isso mesmo, ainda ontem tiveram oportunidade de ver na SIC-N um apontamento com o Luis Montez da “música no coração”, empresa que organiza o evento. Além das empresas de comunicação empenhadas no evento, que dizer da indústria cervejeira? Só que estas têm restrições publicitárias, o que não impede a Unicer de manter o histórico SB/SR…
    Pouco tempo mas já passei pelo negócio das comunicações, julgo que o interesse reside na conquista de potenciais clientes, o mercado em Portugal está saturado, os preços não têm subido, as operadoras inventam mil e uma formas de aumentar fidelização dos clientes existentes, seja através de desconto na factura ou subsídio à troca de equipamento. Descobriram aqui mais um nicho de mercado. Mesmo que apenas consigam aliciar um jovem a adquirir um 2º número já é lucro… Mas quem publicita também os 3 maiores clubes da Liga portuguesa de futebol?
    O que não se percebe, ou melhor percebe-se mas não posso concordar é com financiamento público de eventos privados. A oferta é grande, não é preciso utilizar dinheiros públicos, mas os autarcas de Norte a Sul do rectângulo gostam de aparecer na foto… Os promotores como é óbvio, aproveitam. Não os posso censurar. Os políticos é que estão mal…

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