Filhos do Fogo


A tragédia do Fogo dura há décadas em Portugal e nunca é exagero realçar o esforço heróico empreendido por Bombeiros e demais corpos de protecção civil no seu combate.
Mas, depois dessa justiça feita, é necessário reconhecer que a combustão da Terra se tornou num problema estrutural do nosso país e não apenas um fenómeno sazonal e recorrente, que suscita sempre os mesmos comentários e lamentos inconsequentes.
A Terra, a nossa Terra, com tudo o que isso contém de sagrado e estratégico, é um tesouro que insistimos em não valorizar devidamente, tratando como chumbo o que na verdade suplanta o valor do Ouro.
É urgente despertar para esta realidade e transcender no plano político o conceito burocrático-sociológico de mero Território, conferindo ao sistema vivo de que somos participantes o estatuto simbólico, jurídico e estratégico que lhe cabe.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Desde que em Portugal se começou, há já largos anos, ouvir falar, candidamente, numa “época de fogos”, que se percebeu o enorme desrespeito que a camada política vota nomeadamente aos bombeiros e ao povo em geral.
    E ouve-se, no seguimento de mais uma catástrofe, o dito presidente desta república falar na necessidade de um exercício de “ordenamento do território”.
    E como se não chegasse, o nosso primeiro ministro “descobriu” que o vento e o calor, por si sós, não originam incêndios.
    Dá vontade de perguntar de que planeta acabou esta gente de chegar.
    Não sei que admire mais: se o espírito cândido destes nossos governantes, se o seu humor negro.
    A Lei das Sesmarias pode ser uma resposta a esse exercício intelectual que o nosso presidente, sempre tão candidamente, pretende encetar.
    Só que a Lei das Sesmarias foi promulgada, imagine-se, em 1375 e o nosso presidente quer descobrir a lua com a sua “profunda reflexão”. Vamos ver a quem vai calhar a fava.
    São estas tiradas em que, na prática, só posso ver humor mais negro que os tições da floresta ardida, que me fazem dizer que não há qualquer vontade política em resolver este drama. Razões, não as aponto, mas elas circulam por aí…

  2. Afonso Valverde says:

    Já comentei a este propósito que há um negócio do fogo (comércio/indústria).
    A redução de penas por atos de piromania faz parte das “regras” do negócio. Depois o tipo de clima e alguma anarquia na gestão do território criam as condições para os negociantes. Os negociantes ganham, o povo perde.
    Já não posso ouvir as palavras: “teatro operacional, dispositivo no terreno, tipo de viaturas, aeronaves, meios humanos, falta de meios”. Para estes negociantes isto parece uma guerra e desta forma manipulam.

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