Douro, um rio privado


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O denominado Táxi Fluvial do Douro, a ligar já em 2016 pelo rio a Ribeira do Porto e a Beira-Rio de Gaia (e não as “Ribeiras” de Porto e Gaia como erradamente dizem as notícias) é um projecto empresarial privado pertencente à maior empresa de Vinho do Porto a operar em Portugal, a The Fladgate Partnership, dona, por exemplo, do Hotel Yeatman, em Gaia.

Os promotores contam transportar no Táxi Fluvial em 2017 cerca de 200 mil pessoas entre uma margem e outra, turistas que, certamente, irão preferir o rio ao piso do tabuleiro inferior da Ponte Luís I, sem qualquer manutenção há vários anos, e cujo aspecto suscita as maiores dúvidas quanto às suas condições de segurança.

Este novo serviço de travessia fluvial em pleno Património Mundial será certamente muito lucrativo, a 3 euros por viagem, e exige um investimento relativamente modesto, razões estas mais que suficientes para não ser um investimento Público, a reverter para as populações locais, mas mais uma apropriação por privados de património e potencial económico que é de todos e que a todos deveria beneficiar.

Não é compreensível, nem aceitável, que haja lugar a esta verdadeira captura do potencial económico do património público, em exclusivo benefício de empresas privadas, por muito respeitável que seja a sua actividade económica.
O serviço de travessia fluvial entre as duas margens, junto à Ponte Luís I, poderia perfeitamente ser Público, de responsabilidade municipal, revertendo os lucros desse serviço para as respectivas autarquias e populações.

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    “poderia perfeitamente ser Público”

    Pois poderia.

    Então, sugira às autarquias do Porto e de Gaia que criem elas esse serviço.

    A 3 euros por viagem, ele não será certamente dedicado ao público do Porto e de Gaia em geral. O qual público, aliás, já dispõe do Metro para atravessar o ria.

    Será dedicado ao turismo.

    Teremos então as autarquias do Porto e de Gaia transformadas em empresas de desenvolvimento turístico. Não sei se é bem essa a sua função.

    • Bruno Santos says:

      ” Não sei se é bem essa a sua função.” Qual é o problema?

    • José Peralta says:

      Luís Lavoura

      E por que não ? Os transportes colectivos já não são da autarquia ?

      E uma empresa hoteleira e de produção de vinho do Porto, será que está mais vocacionada para essa função “taxista” ?

      Claro que a empresa, tem um grande sentido de estratégia comercial, como lhe compete.

      Mas concordo com esta opinião, por maioria de razão : Os lucros desse serviço, se municipal, reverterem para as autarquias do Porto e Gaia e respectiva população !

      Infelizmente, é capaz de já ser tarde…

  2. JgMenos says:

    Tantas oportunidades perdidas para horários de 35 horas mais as mordomias dos artº2º ao nº!
    E bastaria mais uma dividazinha insignificante para comprar o taxi e reflectir os juros numa taxa qualquer!

  3. NUNCA DIGAS NUNCA! PORQUE CRISTO NÃO AGRADOU A TODOS, E ERA CRISTO!

  4. Afonso Valverde says:

    Oh senhor Menos. As regras da boa gestão pertncem a quêm? Ao dito setor público ou ao desdito setor privado? Aliás a Economia é pública ou privada e a Justiça é de que parte? E a propiedade deve ser pública ou privada? Respondo: A propriedade da energia deve ser pública. Agora temos a energia nas mãos do grande estado chinês. Está satisfeito!!!é melhor do que nas mãos do Estado Português?
    Francamente…

  5. Ana A. says:

    Não sei, não…! É que ele há autarquias e autarquias…
    Nunca se esqueçam do buraco de milhões que o Marquinho Big Mac deixou na Câmara de Gaia… um verdadeiro “buraco negro” ou um Triângulo das Bermudas, e como, pelo andar da carruagem parece que quer repetir a dose…

    • Nascimento says:

      Não diga isso que o “menos”, ainda liga para para Angola a ver se o seu amigo MarquinhoAntoninhoCostinha “pode” fazer alguma coisa por Gaia pelos táxis,etc…. consta que amigo do “menos”, ficou a “lamber” umas coisas após o congresso….

  6. JgMenos says:

    Adoram o que é Público; é palco de ladrões e incompetentes, mas sempre esperam que lhes chegue uma côdea!

  7. o problema é que até agora as autarquias estiveram a comer sono, sobre este assunto. e um privado com olho para o negocio espreitou o furo. Parabéns, pelo menos alguem faz algo

  8. Hobbes says:

    Bruno, que tal investir do seu dinheiro criando a dita empresa? Se é assim tão boa é chegar-se à frente. Já chega de ideias maravilha para nos sacar mais dinheiro e contratar uns boys camarários, umas empresas amigas dos boys camarários para os logótipos e tudo isto em ajuste directo.

  9. A língua portuguesa é traiçoeira: Um serviço público é-o por ser prestado de forma não discriminatória a todo o público. Um táxi ou um autocarro presta “serviço público” independentemente de ser, ou não, operado por uma empresa de capitais privados ou de capitais públicos.
    A qualidade e o preço de um serviço público dependem não do tipo de capital da empresa ou organização que o presta mas da quantidade de concorrência que existe na sua prestação: um serviço público prestado por privados em monopólio tende a ser de pior qualidade que um serviço prestado por vários municípios em concorrência, da mesma maneira que um serviço prestado em concorrência por várias empresas privadas, públicas e cooperativas tende a ser melhor e mais barato que um serviço prestado por um organismo público em monopólio.

    Na maioria dos casos, os serviços prestados ao público obrigam à realização de investimentos, i.e., à alocação de muito mais capital do que os resultados operacionais de exploração desse serviço: por exemplo, por ser necessário investir numa frota de barcos, na formação de “motoristas”, na instalação de sistemas de bilhética, etc. Se o serviço for inovador e não houver certeza da adesão do público consumidor de serviços, não há qualquer garantia que a exploração a longo prazo permita a recuperação do investimento inicial. Esse é um dos principais riscos de qualquer empresa: a margem de exploração não ser suficiente para recuperar o investimento feito.
    A avaliação e a predisposição do investidor para correr esse risco é um aspecto essencial para a criação do serviço público.
    A vantagem da utilização do erário público para a criação de um serviço público é que o decisor não toma a decisão em função da avaliação do risco de recuperar ou não o seu capital, mas em função do risco de perder o capital de outros que não ele.

    Alguns argumentarão que é um desvantagem.

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