A Fé na Ciência


red-brain-smaller

 

“Ciência à beira de descobrir a cura para a doença de Alzheimer – Mundo – RTP Notícias”.

14/9/2016

 

Quem estiver atento reparará que são recorrentes as notícias sobre curas de doenças temíveis, doenças que afectam muito a vida de muitas pessoas. Na verdade, tal como em outras situações, o conteúdo desta notícia (sem link) não corresponde minimamente ao título, que está lá apenas para causar espanto e interesse instantâneo. Trata-se quase sempre de material especulativo, sem nenhuma validação científica nem verificação prática.

A propaganda da Ciência vive deste tipo de truque, desta expectativa estendida ao infinito através dos meios de comunicação que propagam constantemente a descoberta da pólvora, da vacina para o cancro, a cura para a demência, o fim do sofrimento.

Se não estão ocupados nestes falsos milagres, os “cientistas” estão a descobrir novos planetas com água, para lá das fronteiras do sistema solar, acessíveis pela televisão, ou pelos filmes, ou pelos sonhos.

É isto a Fé na Ciência.

Comments

  1. Jaculina says:

    Tiro na água.
    O alvo deveria ser a comunicação social e não a ciência.

  2. Nightwish says:

    A ciência não tem nada a ver com o assunto, os papers nunca têm nada a ver com o que é publicitado nos média para vender.

  3. Eu gosto de notícias sobre planetas distantes. Nunca fez mal à humanidade olhar além deste ponto azul.

  4. a jaculina disse tudo. escrito desta forma parece um panfleto creacionista. embora haja uma ou duas frases que mostram que não é.

  5. mdlsds says:

    Eu não li nada sobre mas vi uns minutos da peça onde isto é apresentado. O que retive: um investigador português, que desenvolve o seu trabalho num organismo conceituado, diz com todas as palavras que a evolução será brevemente, não para minimizar os efeitos da doença mas sim para a cura. Eu ouvi, e retive, lá terei a minha fé também. Mal estaremos se a ciência e a investigação for olhada com esta desconfiança, ou falta de fé. Nunca devíamos ter saído das cavernas, é o que é.

  6. Alvaro Fonseca says:

    Não ponho em causa o papel da ciência como via de conhecimento e como fonte de riqueza (‘enlightenment’), deslumbramento (‘wonder’) e evolução individual e colectiva. No entanto, a fé cega na ciência e na sua extensão moderna – a tecnologia – converteram uma forma de conhecimento num instrumento de poder e de controlo. O cientismo e uma das suas formas mais radicais – o transhumanismo – são verdadeiras ameaças à sustentabilidade ambiental e social e à sobrevivência da própria humanidade. E estão a ser usadas pelas elites políticas e financeiras globais para seduzir largas camadas da população com ideias de progresso e bem-estar baseadas em modelos de desenvolvimento sociopatas e ecocidas. Da investigação na área das ciências da vida têm surgido recentemente inúmeros exemplos preocupantes como alguns dos avanços na biologia do desenvolvimento (envelhecimento e imortalidade) e na biologia sintética, a edição genética (‘genetic editing’) ou a indução genética (‘gene drives’). Citando um recente editorial do Público (https://www.publico.pt/ciencia/noticia/a-utopia-dos-poshumanos-1737826): Não se pode perder a audácia da ciência, mas não se pode perder a lucidez da ética.
    Á. Fonseca (Lisboa)

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Alterar )

Connecting to %s