O sonho comanda a vida


Gôndola Voadora de Bartolomeu Lourenço de Gusmão

Gôndola Voadora de Bartolomeu Lourenço de Gusmão

 

Bartolomeu Lourenço de Gusmão, padre jesuíta, regressou a Portugal, vindo da Bolívia, em 1708, trazendo consigo os planos de construção de um estranho objecto voador.

Produziu um relatório para o rei D. João V onde explicava as vantagens de um investimento do reino no seu projecto, vantagens essas que seriam, na ideia do jesuíta, a possibilidade de efectuar viagens longas pelo ar, encurtando o tempo que levavam a completar por terra, atravessar mares e montanhas “para lá das 200 léguas por dia”, dirigir exércitos, socorrer locais cercados, atingir os pólos do planeta, transportar mercadorias e, em resumo, conferir a Portugal a supremacia no ar, semelhante à que, noutros tempos, tivera sobre os oceanos.

A 17 de Abril de 1709, o Rei não só deu parecer favorável às pretensões de Gusmão, como terá acrescentado “uma pensão de 600.000 réis”.

O padre jesuíta lançou mãos à obra e, na altura, escreveu-se muito sobre a Passarola, que foi admirada por milhares de pessoas. Os planos e segredos da sua construção foram ciosamente guardados e diz-se que apenas a Biblioteca do Vaticano possui o projecto completo e exacto.

A máquina tinha parecenças com um pássaro com uma cabeça, uma cauda de direcção e asas oscilantes. Contam autores e estudiosos mais heterodoxos que a Passarola possuía também um mecanismo que, apoiado num efeito magnético produzido por bolas de âmbar e esferas metálicas colocadas por cima da vela, teria uma função algo “misteriosa”, qualquer coisa assemelhada ao que hoje é o radar. O próprio Gusmão refere pequenos balões cheios de hidrogénio e um gerador de gás.

Verdade ou ficção, a 5 de Agosto, a Passarola voou na presença do Rei e de toda a corte “até uma altura de vinte palmeiras”. Infelizmente, deflagrou um incêndio a bordo e a nave teve que descer rapidamente ao solo. Alguns meses mais tarde, em Outubro, nova experiência foi dessa vez coroada de sucesso e a Passarola voou bem alto, aterrando intacta no chão de Lisboa.

Depois disto houve um súbito e profundo silêncio. A Passarola desapareceu da vista das gentes. A Inquisição julgou perigosa a invenção, até mesmo “satânica”, e Bartolomeu Lourenço de Gusmão terá sido obrigado a suspender as suas experiências e a queimar os seus planos.

Contudo, voava.

Comments

  1. Joe Baptista says:

    Profundo desconhecedor da energia solar. Pretenso ignorante da energia fóssil.

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