O Meio


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O Partido Socialista é uma força social que cumpre um papel determinante no sistema político português. A sua acção doutrinária e operativa assenta numa matriz filosófica de grande relevância histórica, quer no contexto nacional, quer no contexto internacional, devendo-se à sua família política e filosófica alargada uma parte muito significativa daquilo que hoje é conhecido por “civilização ocidental”.
Ao Partido Socialista tem cabido a responsabilidade de ser um factor de equilíbrio dinâmico entre várias correntes de pensamento político, sendo o grau de dificuldade dessa tarefa singularmente elevado pela multiplicidade de tendências e visões do mundo que cabem dentro de uma organização plural, de génese humanista e tradição republicana.
Cabendo-lhe a função de ser o “meio”, de assegurar que a sociedade portuguesa é dirigida tendo em conta os princípios doutrinários e constitucionais de uma Democracia pluralista, não foram raras as ocasiões em que o PS pareceu ter adoptado posições políticas de “direita”, agindo num sentido que a muitos pareceu contraditório com a sua matriz ideológica e com os interesses específicos de uma significativa parte da população portuguesa que via no PS, legitimamente, um defensor dos seus direitos sociais.


Mas, a verdade, é que essa visão mais conservadora do mundo, aquela que normalmente é defendida por uma classe restrita de privilegiados, detentores do capital e da propriedade, e cuja riqueza resulta da exploração do Homem, é também uma visão que cabe dentro do amplo espectro ideológico do Partido Socialista e faz parte da sua identidade. E não é defeito, mas feitio.
Ora, embora o contexto sócio-político dos últimos anos, caracterizado por uma violência ideológica e operativa inaudita protagonizada pelos partidos da chamada “direita”, tenha levado o PS, pelas mãos de António Costa, e no cumprimento do seu dever primário de se constituir factor de Ordem e Equilíbrio sociais, a buscar consensos e apoio nos partidos da chamada “esquerda”, tal não significa que se tenha estreitado o tal pluralismo orgânico que define geneticamente o Partido Socialista e do seu corpo ideológico tenha sido extraída a tendência política mais conservadora e mais sensível aos interesses específicos da tal classe restrita de privilegiados. É possível até que, no contexto das difíceis e contínuas negociações entre as diferentes forças políticas que garantem apoio parlamentar à actual solução governativa, a chamada Geringonça, o negociador mais difícil seja precisamente o PS “de dentro”, aquele mesmo que perante a evidência e a iminência cruel da mais destrutiva legislatura de que a democracia portuguesa tem memória, a do governo PSD/CDS, começou por esgrimir uma incompreensível “abstenção violenta”.
O PS, António Costa e os partidos da “esquerda” que apoiam este governo, merecem a nossa confiança e o nosso apoio, pois o trabalho que estão a realizar é de uma dificuldade extrema, sendo vital o sucesso do seu esforço, quer para Portugal, quer para a Europa.

Comments

  1. bem escrito. o PS só ficou a perder com as derivas que o faziam confundir-se com o psd. ai existiram, existiram. e falo do psd a sério, não desta coisa desde 2009.

  2. Rui Naldinho says:

    Na política há quem se esqueça de factos incontornaveis, bem mais importantes do que as teorias conspirativas que cada uma das forças políticas pode apregoar.
    Uma grande parte do eleitorado que vota normalmente no PSD e no PS, sem fidelidade partidária, votou precisamente no Bloco de Esquerda por desconfiar de uma maioria relativa do PS. A tendência para um acordo de bloco central era o destino certo. Há a acrescentar a isto o efeito Sócrates, que contribuiu, muito mais do que se julga, para condicionar o voto no PS. Mas isso fica para outra altura.
    O insuspeito Pacheco Pereira afirmou dias depois da tomada de posse do Governo da Geringonça, mais ou menos isto: desenganem-se os socialistas se pensam que se vão libertar facilmente do BE para uma solução governativa nos próximos anos. A não ser que queiram uma aliança menorizada com a direita. O eleitorado já percebeu que ao PS não se lhe pode dar o poder de decidir sozinho, sob pena de se esquecer rapidamente das suas origens.
    Portanto, Pacheco Pereira estava a insinuar que maiorias absolutas do PS nos próximos anos, só mesmo por “milagre”.
    Eu, Rui Naldinho, de nascimento, assino por baixo o que disse Pacheco Pereira.

    • Hélder P. says:

      Não votei BE, votei CDU, mas partilho da análise. De facto, o PS é um partido indispensável para uma política progressista em Portugal, mas o PS já provou ser perigoso quando se apanha sozinho com o “poder absoluto”.
      Já antes de 2015, o meu desejo era ver uma coligação do PS com um partido à sua esquerda, que o impeça de derivas liberais. É preciso fiscalizar a acção governativa do PS.
      A actual solução governativa deixa-me por isso, bastante satisfeito. A democracia portuguesa deu um passo histórico com o sarar das feridas do PREC, que separava partidos de esquerda há décadas, que não obstante todas as diferenças, são da mesma família e devem dialogar.

      • José Peralta says:

        Sim ! Pacheco Pereira tem toda a razão ! E o PS, não tem nada a perder, antes pelo contrário, com esta coligação à sua Esquerda, que lhe poderá limitar os devaneios reaccionários de sérgios sousa pintos, franciscos assis, e outras degenerescências que tentam afastá-lo da sua raiz social.

  3. mil vezes a geringonça a um PS em roda livre.

    ah, e votei no livre.

    • Hélder P. says:

      O Livre até se pode dizer que ganhou as eleições sem eleger um único deputado! Uma das principais ideias do Livre era ser um partido à esquerda do PS, para se coligar e influenciar o PS.
      Prevaleceu a ideia, mas com outros intérpretes.

  4. Maria says:

    “O Partido Socialista é uma força social que cumpre um papel determinante no sistema político português.” Não, não cumpre. O PS recente espetou uma faca ao Seguro e meteu lá um chefe que não olha a meios para servir-se: viajar, vender umas vacas voadoras e prometer um tempo novo. O PS está pois armadilhado até ao isso: das autarquias locais a S. Bento. São os Jorges Coelhos desta vida. E olhem que tenho andado a estudar estes assuntos a fundo.

    • José Peralta says:

      Maria

      Manifestação de interesses : Sou apoiante do Bloco de Esquerda !

      Creio que António Costa, foi eleito por uma maioria consistente, da Comissão Política Nacional (penso que é assim que se designa !)

      Não “espetou” coisa nenhuma em ninguém, Maria ! Os socialistas conferiram-lhe a direcção do partido, contra a “simpática pusilanimidade” de António José Seguro, por quem tenho simpatia pessoal e, absolutamente, nada me move contra ! Mas com ele, a “páf” era PSD/CDS/PS, porque era para aí que as coisas se estavam a encaminhar !

      Agora os assis, os sousas pinto e quejandos, a ala direita do PS completamente descredibilizada, anda pelos corredores da Comunicação Social, e nas redes sociais a uivar a sua raiva ! E esses, sim, com a sua atitude, querem espetar uma faca na pobre. lenta e ténue esperança que esta coligação quadri-partida está a dar a uma enorme maioria de portugueses ! E sem a qual coligação o PS, por muitos anos, não seria governo…

      Pode custar muito ao seu “estudo a fundo”, Maria !

      Mas de facto, os portugueses “estão a viver um tempo novo”, e não vão permitir que a direitalha dentro e fora do PS, dentro do País e na Europa, lhes estrague o sonho ! Já basta, Maria !

    • José Peralta, a Maria é um dos idiotas insurgentes que mexe com perfis falsos pela internet fora. Não é para ser levado sério.

  5. O Partido Socialista tem de acabar de vez com o neoliberalismo, a terceira via, e o clericalismo, que se infiltra no partido e o destrói por dentro.

    Deve-se tornar democrático, republicano e laico.

  6. Isto devagarinho vai lá, quer eles queiram quer não !!!

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