Peniche

Forte de Peniche, Portugal

Forte de Peniche, Portugal

 

Esta notícia do Observador dá conta de uma série de edifícios históricos que são ou vão ser concessionados a privados. Muita coisa se podia dizer em relação a este assunto. Podia dizer-se que se por um lado há formas de rentabilizar edifícios históricos que não incluem a transformação em hotéis ou restaurantes, por outro, na actual situação económica e até cultural do país, é inevitável que isso aconteça. E na realidade esta é uma forma fácil e rentável de aproveitar edifícios com excelente potencial e que estariam condenados ao abandonado e à degradação. Eu compreendo. Eu até concordo.

Em Oeiras por exemplo, o Palácio dos Arcos esteve abandonado durante anos e anos e agora é um hotel. O hotel não mudou a traça exterior do Palácio. De qualquer forma, o Palácio não é muito relevante historicamente – o máximo a que se pode arrogar é de que teria sido do Palácio que Dom Manuel teria visto as naus a partirem para a Índia. Bonito mas uma lenda. O caso do Palácio dos Arcos e a sua transformação em hotel é uma decisão acertada. O hotel veio dinamizar a região. Reformou e manteve um edifício pelo qual a autarquia nunca tinha mostrado interesse. E de facto, com todo o respeito pela memória histórica do Palácio dos Arcos, não se pode dizer que seja um marco importante da história de Portugal. Poderá sê-lo em termos de história local mas Oeiras tem outros grandes marcos como o próprio solar do Marquês.

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Pandora e a Escola Pública

A Caixa de Pandora

A Caixa de Pandora

 

A solução política para o governo de Portugal resultante das últimas eleições legislativas, expressa nos acordos firmados entre o Partido Socialista, o Partido Comunista, o Partido Ecologista “Os Verdes” e o Bloco de Esquerda, referida hoje como sendo uma “Geringonça”, tem como património cívico e político a história da intervenção social dessas organizações e os princípios ideológicos nos quais assenta essa intervenção. Todos subjectivamente comungam valores e posições doutrinárias significativamente conciliáveis, muitas sobre questões políticas e sociais da maior relevância, como a pobreza, a exclusão e a justiça social, temas hoje prementes na sociedade portuguesa, que apresenta uma realidade concreta muito preocupante nesse contexto.

No caso particular do Partido Socialista, parece mostrar-se, no presente, a oportunidade de afirmar a matriz de ideais emergentes da chamada Ética Republicana e da sua Declaração de Princípios, suportes fundamentais na resposta aos dramáticos problemas que afectam as pessoas, as pessoas verdadeiras, de carne e osso, e não meramente os números em que elas aparecem transformadas nas folhas de estatística, num processo involutivo de desumanização do exercício administrativo do poder público que urge estancar e inverter.

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