A Caixa


O Presidente Executivo da Caixa Geral de Depósitos terá solicitado, aos serviços jurídicos do próprio banco que dirige, um parecer sobre a obrigatoriedade da declaração dos seus rendimentos ao Tribunal Constitucional.

O parecer dos serviços do banco terá sido no sentido de eximir o seu presidente dessa declaração, argumento que o próprio terá usado para o não fazer.

Parece existir aqui não só uma dupla opacidade – um parecer solicitado a serviços subordinados e a consequente recusa da apresentação dos rendimentos – mas um padrão de comportamento totalmente incompatível com os deveres de transparência a que deve estar obrigado um alto responsável da administração do Estado Português.

Temos vindo a assistir, aliás, a episódios bizarros e preocupantes envolvendo responsáveis políticos no exercício de cargos públicos de alta responsabilidade, nos quais se coloca claramente em causa o princípio da transparência e da isenção na gestão da coisa pública, sem que o devido clamor cívico e institucional se erga em protesto.

Assiste-se, pelo contrário, a uma estranha aprovação destes comportamentos inaceitáveis, e incompatíveis com a própria ética republicana, por parte de quem tem o reforçado dever de oferecer Exemplo e contribuir, quanto em si caiba, para a construção de uma sociedade mais justa.

Comments

  1. O PS parece ter esquecido como formou governo, e então decidiu terminar com o fim do tecto máximo do salário da equipe gestora da CGD, só para seguir com a medida recomendada pelo “santo” do BCE.
    Ficou muito mal na fotografia.

  2. Não pode haver desvios. Tolerância zero para com golpismos e situações de favor. Ao povo já nem interessa saber se é ou não ilegal recusar declarar rendimentos. O que é justo é que interessa. Eu declaro, tu declaras, ele declara. Não existem qq razões válidas para excepções, como nos querem fazer crer. Estou-me borrifando para os pareceres que ele anuncia para justificar a ocultação, carago! Tem de haver total transparência e a justiça tem de ser para todos.
    Não esbanjámos…….Não pagamos!!!!!!!

  3. anónimo says:

    O Primeiro Ministro tem o descaramento de justificar o salário, dizendo que, este gestor tem que ser equiparado aos gatunos da banca privada.
    É precisamente isso que não precisamos nem queremos.
    Não queremos um gestor como os da banca privada
    1
    que levam os bancos à falência;
    2
    que roubam o estado e os portugueses;
    3
    que são porta de fuga, do capital e dos impostos, para paraísos fiscais;
    4
    que promovem a especulação e o agiotismo;
    5
    e que são absolutamente irresponsáveis e impunes pelos crimes que cometem.
    Pelos vistos é a um desses a quem o governo deu a posse da CGD.

  4. doorstep says:

    “… deveres de transparência a que deve estar obrigado um alto responsável da administração do Estado Português.”

    É por “promoções” destas que eles tomam o freio nos dentes…

    Cá pra mim também o isentaram do disposto no art.º 386.º (o último…) do Código Penal, senão rapaz não se armava tanto. Vamos ver se a cena do “estudo” de 3 milhões com que iniciou a faena – mesmo antes de entrar na praça – é levada ás últimas consequências.

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