A Ordem do Discurso


Ilustração: Bruno Santos

Ilustração: Bruno Santos

Admite-se que o contra-fogo diário à propaganda anti-governo seja um mal necessário. Mas necessário é também avaliar se fogo e contra-fogo não são, eles próprios, instrumentos oclusivos que, objectivamente, impedem que o pensamento sobre Portugal e o seu futuro se expanda para novas zonas, novas perguntas, novos mundos. A constante criação de epifenómenos, a reinvenção diária de “casos”, a manipulação permanente da verdade, visam tão só impedir que mudemos o ciclo e a ordem do discurso.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    Esse cenário não vai ser possível no curto prazo. Uma das pessoas mais avisadas deste país, com todos os seus defeitos e virtudes que os intelectuais têm, Pacheco Pereira disse-o por diversas vezes. Na altura, até achei um exagero, a sua tese do enorme vazio ao centro. Hoje reconheço-lhe essa visão, talvez por ele ser Historiador, e, a este podemos dar-lhe esse nome sem corrermos o risco de banalizar a Cátedra.
    As mudanças fazem ao centro. E com um país estabilizado politicamente, sem casos como os de Sócrates, Vistos Gold e Banqueiros falidos, com os portugueses a pagar a fatura de asneiras em cima de asneiras, onde todos os dias se esgrimem argumentos de caráter.
    Além disso, a direita está ressabiada. Não aceita que o seu jogo tenha sido interrompido.
    Um simples ex:
    Passos Coelho vai apresentar uma medida para este OE 2017, a baixa do IRC.
    Fez um acordo com o PS para baixarem o IRC e o IRS em simultâneo. Nunca cumpriu o acordo, e no passado só se lembrou do IRC. Sabe que o governo não pode ainda baixar o IRS. Faz algum sentido nesta altura a sua proposta?
    Não!
    Então, os acordos são para se cumprir, ou apenas para se fingir que se fazem?

    • martinhopm says:

      Rui Naldinho, lembra-se da questão, em Setembro de 2012, da Taxa Social Única? Quando Passos, ‘ex cathedra’ e supostamente à revelia do seu parceiro de coligação Portas, ‘decretou’ a redução da TSU para as empresas (contribuição das empresas para a SS), em 5,75% (passaria assim de 23,75% para 18%), tendo como contrapartida o aumento da contribuição dos trabalhadores para a mesma Segurança Social (que passaria de 11% para 18%)?
      Chamou alguém? Procurou fazer acordos? Era uma matéria relevante ou não?.
      Os acordos não lhe servem e muito menos quando tem de abdicar de alguma coisa.

  2. Rui Silva says:

    Hoje na comunicação social, uma noticia de mais uns que :
    “…ousaram expandir para novas zonas, novas perguntas, novos mundos.
    ….mudaram o ciclo e a ordem do discurso”

    Bancarrota da Venezuela pode começar já hoje.
    Um dos maiores produtores de petróleo do mundo tem escapado por pouco à falência nos últimos meses, mas o tempo parece estar a escassear. O pagamento de hoje aos credores pode ser o início do fim.

    Gostava de ouvir o Nobel Stiglitz sobre este sucesso antecipado por ele .

    Rui Silva

  3. Anónimo says:

    “A constante criação de epifenómenos, a reinvenção diária de “casos”, a manipulação permanente da verdade”

    Na verdade, muitos dos comentadores e jornalistas que ouvimos na TV, acham que isso é que é a substancia da política.
    A capacidade para gerir a “polis” não é coisa que preocupe essa gente.
    Na verdade, o objectivo é criar a ilusão que “tudo está a ser posto em causa”, para que tudo possa continuar na mesma.

    É um embuste. É uma palhaçada.
    O povo gosta? Até quando?

    • anónimo says:

      “A constante criação de epifenómenos, a reinvenção diária de “casos”, a manipulação permanente da verdade”
      É também a técnica da publicidade enganosa: Criar a confusão, bombardear o consumidor com informação, incapacitar-lhe a capacidade de analisar, e de escolher racionalmente, conduzi-lo para o consumo dos produtos que o comerciante quer impingir.

      • Rui Silva says:

        O consumidor, é uma criança nas mãos do horrível comerciante não sabe decidir pela sua cabeça. O incapaz, o inimputável do consumidor, precisa da protecção dos iluminados que sabem o que é bom para ele.

        Rui SIlva

  4. Uma vez mais o felicito, Bruno Santos, análise certeira com conteúdo que dá para reflectir, saudações cordiais e obrigada por compartilhar connosco !

Trackbacks

  1. […] Enquanto apagamos fogos não plantamos árvores. […]

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