Ars Magna

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No ano de 1974, ano da Revolução dos Cravos, as reservas de ouro do Banco de Portugal ascendiam a cerca de 866 toneladas. Passados trinta anos, no ano de 2004, essas reservas eram já de 462 toneladas. Num período de apenas três décadas, a democracia portuguesa fez desaparecer quase metade das suas reservas de ouro, ou seja, cerca de 404 toneladas.

Segundo noticiou o Jornal de Negócios na sua edição online de 16 de Maio de 2016, o Banco de Portugal terá informado que as reservas actuais de ouro são de 382 toneladas, mas mais de metade dessas reservas, 55%, encontram-se fora do país. Só no Reino Unido, país que não pertence à Zona Euro e que se encontra em processo de saída da União Europeia, estão 48,7% das reservas de ouro portuguesas.

Numa das várias ocasiões em que procedeu à venda de ouro, o Banco de Portugal emitiu um comunicado, a 13 de Maio de 2004, em que informava que nos últimos meses, procedeu a vendas de 35 toneladas das suas reservas de ouro, com liquidação em Maio. À semelhança das efectuadas em 2003, a operação teve como objectivo continuar a diversificação das reservas externas e os ganhos realizados dela resultantes serão transferidos para a reserva especial existente no Banco de Portugal. As vendas foram efectuadas ao abrigo do “Acordo dos Bancos Centrais sobre o Ouro”, de 26 de Setembro de 1999.

Segundo noticiava a comunicação social a 13 de Maio de de 2004, o ouro estaria cotado a 375,5 dólares por onça, perto do mínimo do ano, que foi de 374 dólares. O máximo atingido nesse ano fora, contudo, de 860 dólares por onça.

A 20 de Dezembro de 2005, a imprensa noticiava a venda pelo Banco de Portugal de mais 10 toneladas de ouro.

A 11 de Setembro de 2006, o mesmo Jornal de negócios dava conta da venda de mais 20 toneladas, tendo nesse ano o Banco de Portugal alienado um total de 35 toneladas de ouro. O anúncio desta venda foi feito num dia em que o preço do metal se fixava nos 586,35 dólares por onça, em Nova Iorque, a primeira vez, em dez semanas, que descia abaixo dos 600 dólares por onça.

No dia de hoje, 5 de Dezembro de 2016, o ouro está cotado a 1.166,60 dólares por onça.

Comments

  1. Rui Naldinho says:

    O “dark side of the moon” deste texto, é precisamente descobrir na sua própria subjetividade, como se chegou às 866 toneladas de ouro, e como se derreteram umas quantas toneladas, até chegarmos às 383 toneladas, se é que elas ainda existem.
    Podia começar por aqui um bom retrato de Portugal dos últimos 100 anos.

    • Rui Naldinho says:

      Eu sei que muito boa gente virá para aqui de cátedra explicar-nos a mudança do Padrão Ouro para o atual sistema em que “cada país” emite a sua moeda sem ter que a converter em ouro ou prata. No sistema flutuante o câmbio é determinado pela oferta e procura.
      Mas o texto dá um sinal diferente.

  2. António Correia says:

    Se não fosse a adesão à união europeia, o dinheiroduto a despejar euros neste país, e o forrobodó com o dinheiro dos outros (agora dívida impagável) : O que seria este paraíso ?

  3. António Pedro Sequeira says:

    Onde estão as 17 toneladas de ouro do Banco de Portugal que ANIBAL CAVACO SILVA mandou para o Banco DREXEL BURNHAM LAMBERT em Nova YORK, em 1990, e que foi à falência uma semana depois do ouro ter chegado à América???
    .


  4. na minha leitura de leigo, parece que andamos a vender o ouro precisamente quando ele vale menos. É isso ? E é propositadamente, por parte de alguém ?

  5. Jorge says:

    2004: 866 toneladas de ouro entre 376 a 860 € por onça.
    2016: 382 toneladas de ouro a 1166 € por onça.
    Um Kg é igual a 35.27394 onças (5 casas decimais).

    Portanto:
    2004: 866 ton = 30 547 232,04 onças (30.5 milhões de onças).
    2016: 382 ton = 13 474 645,08 onças (13.5 milhões de onças).

    Assim, as nossas reservas de ouro em €:
    2004: entre 11.5 mM€ até 26.2 mM€ (consoante o preço).
    2016: cerca de 15.7 mM€.
    Se se tivesse mantido a quantidade de onças, a reserva valeria agora cerca de 35.6 mM€.

    Só para dar uma medida de comparação, Portugal está a pagar pouco mais de 8 mM€ por ano só em juros, o orçamento do Estado anda à volta dos 80 mM€, o PIB Nominal em 2016 rondará os 185 mM€ e a dívida bruta estará no final do ano nos 240 mM€.

    As reservas de ouro, em Euros, mantêm-se em valores semelhantes, e em respeito do tal “Acordo dos Bancos Centrais sobre o Ouro”, de 26-Set-1999.

    O objetivo de um Banco Central não é estar constantemente a aumentar as reservas de ouro, mas sim, ter um valor compatível com a sua política monetária.

    Esta descida das reservas de ouro, em onças, é uma tendência semelhante nos vários países da zona €uro, e faz parte do plano da Moeda Única.

    Com o que acabei de escrever, qualquer leitor fica mais esclarecido do que ao ler este post, pelo que não consigo perceber qual o objetivo pretendido pelo Bruno Santos com este post.

  6. ZE LOPES says:

    No tempo do Salazar é que era bom! Os portugueses comiam flocos de ouro ao pequeno-almoço, bifes de ouro ao almoço e postas de ouro ao jantar! Abençoado seja! Não sei por que razão não foi ainda canonizado!

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