Susceptibilidades idiossincráticas reactivas

img_5014José Luís Carneiro terá criticado a opção tomada pela distrital do Porto do Partido Socialista de não ir a votos, em 2017, na segunda maior Câmara do país e, em vez disso, dar o seu apoio ao actual presidente, o independente Rui Moreira. A reacção do líder distrital do PS Porto, Manuel Pizarro, foi muito contundente e fértil em adjectivos que talvez a evidência apontada por José Luís Carneiro não justificasse. Chamou-lhe “redutora” e “sectária”.

Nota-se, aliás, a Norte, uma tendência curiosa, e até algo perturbadora, para reagir de modo pouco amigável a opiniões divergentes vindas de camaradas de partido, cujo direito de opinião, e de expressão dessa opinião, é absolutamente inatacável em Democracia. Mais ainda quando a decisão tomada pela liderança socialista distrital é, em si mesma, contraditória com a própria Democracia, que assenta no pluralismo de ideias e soluções e no confronto de propostas políticas alternativas.

2 comentários em “Susceptibilidades idiossincráticas reactivas”

  1. Se nos abstrairmos do que aconteceu nos últimos anos na distrital do Porto, no que respeita às autárquicas, com o PS de candeias às avessas na escolha de alguns candidatos, numa estratégia suicida, diríamos que José Luís Carneiro tem razão. E não me venham com as vitórias em Gaia, Valongo e Gondomar, pelas simples razão de que elas estão associadas à estratégia suicida do PSD na região, a começar pelo Porto, agravadas pela forma como Passos Coelho conduziu a governação.
    Se olharmos para um passado recente direi apenas que se calhar Pizarro optou pelo mal menor. Aliás, a estratégia socialista passa por tirar ao PSD qualquer veleidade triunfadora através do atual presidente da autarquia, um homem ligado de há muito ao PSD, como independente, mas que as estruturas partidárias laranjas desprezaram por não fazer parte daquela seita do costume, chamada de Boyada.
    Como “sou” de Matosinhos, sei bem a valente “cagada” que o PS fez em não apoiar o atual presidente da autarquia Guilherme Pinto, militante socialista de há muitas décadas, para apoiar um presidente da junta, filho querido da concelhia e distrital do Porto do PS.
    Conclusão. Perderam a autarquia pela simples razão de que alguns presidentes de junta do PSD/CDS optaram por apoiar Guilherme Pinto. E grand parte dos militantes de base do PS fizeram o mesmo. A vitória foi expressiva, com mais de 53% do eleitorado a votar no agora candidato independente.
    Contra factos é difícil haver argumentos!

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