A Cidade da Alegria


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Durante o mês que decorre, Janeiro de 2017, o primeiro-ministro António Costa visitará a Índia, o segundo país mais populoso do mundo. Quem a conhece, entre os ocidentais, diz que é uma terra deslumbrante e aterrorizadora.

Dominique Lapierre escreveu A Cidade da Alegria (1985), um livro que retrata a vida duríssima dos habitantes de um bairro de lata de Calcutá que, apesar de uma tremenda miséria material, irradiam uma alegria paradoxal e contagiante, alicerçada numa fé religiosa inabalável na qual sustentam a sua resignação. Esta Cidade da Alegria é uma realidade cultural e até antropológica difícil de compreender à luz dos padrões ocidentais, talvez mesmo à luz de qualquer tipo de padrão. É a terra do desespero, com cerca de metade dos seus 12 milhões de habitantes a viver na rua, onde dorme, come, toma banho e satisfaz as suas necessidades fisiológicas, de cócoras, muitas vezes nas bermas das ruas e nos passeios. As vias públicas são autênticos rios de dejectos e da água que serviu para lavar o corpo e a loiça. A maior parte da população de Calcutá que vive nestas condições é proveniente do Bangladesh. Vieram como refugiados, antes e depois de 1971, ano de independência daquele país, fugindo à fome e às lutas entre hindus e muçulmanos. Diz quem esteve em Calcutá que nenhum ser humano fica indiferente ante a imagem catastrófica da Cidade da Alegria, onde a fome, a doença e a morte são constantes a cada esquina.

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Os textos sagrados mais antigos da Índia são os Vedas, que se encontram redigidos em Sânscrito, uma língua de culto que pertence ao conjunto das chamadas Línguas Sagradas, tal como o hebraico, o latim e o árabe, entre outras.

Durante um longo período de tempo, as populações primitivas da Índia dedicavam-se à recolecção, à pastorícia e a uma agricultura de subsistência, após o que o vale do Indo foi palco do desenvolvimento de uma civilização de tipo urbano, mercantil e teocrático, conhecida como Harapa.

Pensa-se que esta antiga civilização tenha surgido há cerca de 6.000 anos, tendo-se mantido até ao séc. XVIII a.C., altura em que entrou em decadência, provavelmente em resultado de causas naturais – inundações, doenças, etc.

A partir de 1700 a.C. surgiram na Índia os Arianos, o ramo ocidental dos indo-arianos, vindos através do Afeganistão. Chegaram em vagas sucessivas, ao longo de cinco séculos, atingindo o curso superior do Ganges por volta do ano 1000 a.C. É aos Arianos que se devem as mais importantes tradições do Hinduismo.

Ao longo da história da Índia deu-se uma progressiva fusão das religiões dos habitantes primitivos do vale do Indo e do Ganges, os Harapianos, com as dos Arianos, o que resultou numa religião conhecida por Bramanismo, a qual estabeleceu definitivamente a estratificação social por grupos, conhecidos por Castas.

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No fim do primeiro milénio, Turcos e Afegãos islâmicos invadiram o norte do país, criando o sultanato de Delhi e estabelecendo diversos reinos muçulmanos na região central da Índia que duraram mais de quinhentos anos. Foram, contudo, os Mongóis e os seus descendentes, os Mogois, que desempenharam o papel mais determinante na implantação do Islão na Índia, através de um vasto império, com sede em Delhi e em Agra, que viria a durar até ao século XVIII. Mesmo posteriormente, o Islão manteve a sua forte influência, nomeadamente nas artes e na ciência, emergindo de novo politicamente já no século XX, com a criação do Estado independente do Paquistão.

Quando o Islão invadiu a Pérsia, actual Irão, os Parses, grupo iraniano de religião mazdeísta, fundada por Zoroastro, também conhecido por Zaratustra – ver, também, Assim falou Zaratustrafugiram para a Índia, fixando-se inicialmente em Kathiawar (séc. VIII), uma península do noroeste, em cuja costa sul se situa a cidade-ilha de Diu, que fez parte da Índia Portuguesa, e mais tarde em Bombaim (séc. XVI), onde formaram uma comunidade muito influente.

Os Parses cultivam o Fogo Sagrado, praticam diversas abluções e expõem os seus mortos em Torres de Silêncio para que sejam comidos por abutres.

Vasco da Gama chega em 1498 e Afonso de Albuquerque conquista Goa em 1510. Os portugueses fixam-se em vários portos estratégicos ao longo da costa. No século XVII chegaram os ingleses, tendo a rainha Vitória sido proclamada Imperatriz das Índias em 1877. Em 1947 nasceu o Estado da Índia (Hindu) e o do Paquistão (islâmico).

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